Sangue de píton pode inspirar novo remédio contra obesidade. Entenda

Molécula encontrada em sangue de serpentes reduz apetite em testes e pode levar a tratamentos contra obesidade com menos efeitos colaterais

atualizado

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close-up de uma cobra piton na grama. Metrópoles
1 de 1 close-up de uma cobra piton na grama. Metrópoles - Foto: kuritafsheen77/Freepik

Uma descoberta curiosa no sangue de pítons pode abrir caminho para novos medicamentos contra a obesidade.

Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, identificaram uma molécula que atua como supressora do apetite e pode ajudar a entender como desenvolver tratamentos mais eficazes e com menos efeitos indesejados.

O estudo, publicado na revista Nature Metabolism nessa quinta-feira (19/3), analisou o sangue de serpentes após a alimentação. As pítons são conhecidas por consumir grandes presas e passar longos períodos sem comer, mantendo o organismo em equilíbrio mesmo após refeições extremamente volumosas.

Ao investigar esse comportamento, os cientistas identificaram centenas de substâncias que aumentam no sangue após a alimentação. Entre elas, uma molécula chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS) se destacou por apresentar um aumento expressivo e por sua possível atuação no controle do apetite.

Como a molécula atua no organismo

Testes em laboratório mostraram que a substância pode agir diretamente no cérebro, mais especificamente em uma região ligada à regulação da fome. Em experimentos com camundongos, a aplicação da molécula levou à redução da ingestão de alimentos e à perda de peso.

Os resultados chamaram a atenção por ocorrerem sem alguns efeitos comuns observados em medicamentos atuais para emagrecimento, como náuseas, perda de massa muscular ou queda de energia.

Os pesquisadores explicam que a molécula é produzida a partir da ação de bactérias no intestino das serpentes após a digestão. Embora também esteja presente em humanos, ela aparece em níveis muito mais baixos e ainda é pouco estudada.

O interesse científico está justamente em entender como esse mecanismo pode ser adaptado para o desenvolvimento de novas terapias que atuem no controle do apetite.

O que a descoberta pode significar

Conforme destacam os cientistas, a pesquisa segue uma lógica já conhecida na medicina, que busca soluções observando fenômenos da natureza. Um exemplo disso são medicamentos atuais para obesidade que foram inspirados em substâncias encontradas em outros animais.

No caso das pítons, a capacidade de passar meses sem se alimentar sem prejuízos ao organismo sugere a existência de mecanismos metabólicos ainda pouco compreendidos.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários mais estudos para entender como essa molécula funciona em humanos e se pode ser transformada em um medicamento seguro.

A equipe também pretende investigar outras substâncias identificadas no sangue das serpentes após a alimentação, já que várias delas apresentaram alterações significativas e podem ter funções relevantes no metabolismo.

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