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Saúde

Robô humanoide realiza cirurgia em animal vivo pela primeira vez

Estudo publicado na Nature mostrou que cirurgiões conseguiram remover a vesícula de porcos usando robôs humanoides controlados à distância

23/07/2026 10:58
Escola de Engenharia Jacobs da UCSD
Em uma cirurgia, uma equipe humano robô composta por um robô humanoide e um cirurgião humano atuando como assistente realizou com sucesso a remoção da vesícula biliar. Metrópoles

Pela primeira vez, robôs humanoides foram usados com sucesso para realizar cirurgias em animais vivos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego (UCSD), conseguiram remover a vesícula biliar de porcos por meio de um robô controlado remotamente por cirurgiões.

O trabalho, publicado na revista Nature em 8 de julho, é considerado uma prova de conceito e mostra que esse tipo de robô poderá, no futuro, ajudar médicos a realizar procedimentos complexos em locais distantes ou com poucos recursos. Por enquanto, a tecnologia ainda precisa passar por novos testes antes de chegar aos pacientes.

Como foi a cirurgia

Antes de operar os animais, a equipe avaliou a capacidade dos robôs em tarefas que exigiam movimentos delicados, como manipular objetos e instrumentos cirúrgicos. Depois dessa etapa, os pesquisadores realizaram cirurgias laparoscópicas em porcos anestesiados para retirar a vesícula biliar.

Durante todo o procedimento, o robô foi controlado por um cirurgião em um console, enquanto outro médico acompanhava a operação ao lado do animal.

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Em um dos procedimentos, um segundo robô chegou a ser utilizado por alguns instantes para auxiliar a equipe. As duas cirurgias foram concluídas com sucesso e um pequeno sangramento registrado em um dos casos foi controlado rapidamente.

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Segundo o cirurgião Shanglei Liu, da UCSD, a experiência lembrou os primeiros anos da cirurgia robótica moderna.

“Ainda existem limitações, como colisão entre instrumentos, atraso no sinal e necessidade de reposicionar o robô durante a cirurgia. Mas conseguimos chegar a esse resultado em apenas nove meses desde o início do projeto”, afirmou ao ScienceAlert.

Para o pesquisador, esse desenvolvimento rápido indica que a tecnologia poderá evoluir em ritmo acelerado nos próximos anos.

Controle permanece sendo de humanos

Apesar do formato humanoide, o robô não toma decisões sozinho nem realiza a cirurgia de forma autônoma. Todos os movimentos são comandados em tempo real por um cirurgião. Ryan Broderick, responsável por controlar o robô durante os procedimentos, explica que a experiência foi semelhante à dos sistemas robóticos já utilizados atualmente em hospitais.

“O robô humanoide proporcionou uma experiência muito parecida com a de plataformas comerciais. Houve alguma latência no sinal e necessidade de recalibração, mas isso era esperado em um estudo de prova de conceito”, diz.

Os pesquisadores afirmam que o sistema também ajudou a aumentar a precisão dos movimentos e reduziu o desgaste físico do cirurgião durante o procedimento.

O que muda em relação aos robôs atuais

A cirurgia robótica já faz parte da rotina de diversos hospitais, principalmente em procedimentos minimamente invasivos. Um dos sistemas mais conhecidos é o Da Vinci, no qual o médico controla braços robóticos por meio de um console.

Segundo os pesquisadores, a principal diferença é que os robôs humanoides ocupam menos espaço, são mais fáceis de transportar e podem atuar em ambientes onde grandes plataformas cirúrgicas não estão disponíveis.

“Isso pode permitir que eu ou outros cirurgiões operemos remotamente em locais com menos recursos, onde a precisão da cirurgia robótica pode fazer diferença”, afirmou Liu.

Broderick acrescenta que esses robôs também podem funcionar como assistentes quando não há uma equipe cirúrgica completa disponível.