Respiradores mecânicos podem piorar casos graves de Covid-19, diz estudo

Pesquisadores especialistas em doenças relacionadas a altas altitudes afirmam que o tecido danificado não aguenta a pressão da máquina

atualizado 22/12/2020 18:48

Pessoa em UTIHugo Barreto/Metrópoles

Um dos quadros mais comuns em pessoas com Covid-19 em situação grave é a falência dos pulmões. Logo no início da pandemia, o mercado internacional para respiradores e ventiladores hospitalares foi inundado de pedidos feitos por vários países. Os equipamentos eram de suma importância para garantir a entrada de ar no organismo dos pacientes e melhorar a possibilidade de sobrevivência.

Porém, segundo pesquisadores do Instituto Pulmonar de Alta Altitude e do Instituto de Patologia da Bolívia, em um estudo publicado ainda em fase inicial, sem revisão de outros cientistas, a situação dos pulmões é parecida à que acontece em casos de pessoas que sofrem com os efeitos da altitude, e os ventiladores podem piorar a situação.

Segundo as informações que existem até o momento sobre o novo coronavírus, o micro-organismo usa a proteína ACE2 para invadir as células e se replicar. As células dos pulmões são ricas nessas moléculas, e são ideais para a sua reprodução: porém, o tecido vai se enfraquecendo no processo.

A alta pressão do oxigênio injetado pelo ventilador seria muito forte para os pulmões já fragilizados e parcialmente destruídos. Um quadro parecido acontece com os pacientes com edema pulmonar causado pela altitude. As pessoas que se recuperam acabam com fibroses, que também inviabilizam a troca de gases pelo pulmão. A ventilação não invasiva seria uma melhor opção.

De acordo com os pesquisadores, um tratamento interessante envolve o uso de hormônios que aumentam a quantidade de células vermelhas no sangue, responsáveis por carregar oxigênio para o corpo. Essa compensação da quantidade de glóbulos vermelhos é comum em pacientes com problemas de altitude.

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