Queratose: dermatologistas explicam sinal retirado por Lula
Lesão de queratose retirada do couro cabeludo do presidente Lula é associada à exposição solar e pode evoluir para câncer se não for tratada
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi submetido, no último domingo (9/2), a um procedimento dermatológico para remover uma queratose no couro cabeludo.
A intervenção durou aproximadamente dois minutos e foi feita por meio de cauterização. Segundo informações da Secretaria de Comunicação da Presidência, a alteração na pele de Lula está relacionada à exposição ao sol que foi se acumulando com o passar dos anos.
“Queratose é o nome dado a lesões geralmente benignas causadas pelo excesso de queratina na pele. Um dos tipos é a queratose actínica, que aparece com mais frequência em pessoas de pele clara e surge, principalmente, em áreas expostas ao sol. Esse tipo de lesão tem relação com a exposição solar ao longo da vida”, explica o dermatologista Gilvan Alves, da clínica Aepit, em Brasília.
O que é queratose?
A queratose é um problema de pele que surge quando a camada mais externa da derme fica mais grossa do que o normal. Isso ocorre porque a pele passa a produzir queratina em excesso — uma substância natural que ajuda a proteger o corpo.
Na prática, a queratose aparece como manchas, casquinhas ou áreas ásperas na pele. Na maioria das vezes, não é grave, mas alguns tipos precisam de atenção porque podem virar problema mais sério se não forem tratados.
Existem três tipos de queratose:
- Queratose pilar, que causa elevações ásperas na pele;
- Queratose seborreica, caracterizada por manchas escuras benignas que surgem com o envelhecimento;
- Queratose actínica, associada à exposição prolongada ao sol.
No caso de Lula, ele recebeu o diagnóstico de queratose actínica. A condição surge, principalmente, em áreas que ficam mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, lábios, mãos, braços e couro cabeludo.
Como identificar as lesões?
As lesões costumam ser pequenas, avermelhadas e ásperas ao toque. Por isso, em muitos casos, elas são mais fáceis de perceber ao passar a mão na pele do que ao olhar no espelho.
Por estar ligada à exposição solar ao longo da vida, a condição é mais frequente em pessoas idosas e de pele clara, mas também pode atingir adultos mais jovens. Outro ponto é que existem alguns hábitos do dia a dia que podem agravar esse quadro, como a falta de proteção solar e banhos muito quentes.
“A exposição solar sem o uso adequado de filtro solar é, sem dúvida, um dos principais agravantes, especialmente nas queratoses relacionadas ao sol. Outro fator é a falta de hidratação da pele, que pode piorar o aspecto áspero, principalmente na queratose pilar. Banhos muito quentes, uso excessivo de sabonetes agressivos e esfoliações intensas também podem comprometer a barreira cutânea, deixando a pele mais irritada e evidenciando as lesões”, explica a dermatologista Natasha Crepaldi, de Cuiabá.
Risco de evolução para câncer
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), esse tipo de queratose é considerada uma lesão pré-cancerígena, com potencial de evoluir para o carcinoma espinocelular, um tipo de câncer de pele.
Isso significa que a lesão ainda não é um câncer, mas pode se transformar em um tumor de pele se não for tratada. Ela está entre os problemas de pele mais diagnosticados no Brasil, principalmente em pessoas que ficaram expostas ao sol por muitos anos sem proteção necessária.
Apesar de só uma parte das lesões evoluir para câncer, o risco existe e não deve ser ignorado. Estudos apontam que entre 40% e 60% dos casos de carcinoma espinocelular começam a partir de queratoses que não receberam tratamento.
Por isso, os dermatologistas reforçam que não é seguro “deixar pra lá” quando surgem feridas ásperas, manchas avermelhadas ou casquinhas que não cicatrizam. A ideia é que quanto mais cedo a lesão é identificada e tratada, menor é a chance de evolução para câncer e mais simples costuma ser o tratamento.
