Doe sangue! Saiba quem pode doar e por que o tipo O é tão importante
Especialistas explicam critérios para doação e por que alguns tipos sanguíneos são mais urgentes nos bancos de sangue
atualizado
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A doação de sangue é um gesto simples que pode salvar vidas, mas ainda gera muitas dúvidas entre a população. Quem pode doar? Com que frequência é possível repetir a doação? E por que alguns tipos sanguíneos são considerados mais importantes nos bancos de sangue?
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles explicam que existem critérios claros para garantir que a doação seja segura tanto para quem doa quanto para quem recebe. Além disso, alguns tipos sanguíneos costumam ter maior demanda nos hospitais, especialmente em situações de emergência.
Quem pode doar sangue
De acordo com a hematologista Carolina Bub, do Hospital Israelita Albert Einstein, algumas condições básicas precisam ser atendidas para que uma pessoa esteja apta a doar.
Em geral, o doador deve estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos e pesar mais de 50 quilos. Jovens de 16 e 17 anos podem doar desde que apresentem autorização do responsável legal e os documentos necessários.
Também é necessário respeitar alguns intervalos entre as doações. Mulheres devem aguardar pelo menos três meses entre uma doação e outra, enquanto os homens precisam esperar cerca de dois meses.
“É importante respeitar esse intervalo porque o organismo precisa de tempo para repor principalmente os estoques de ferro. Se os prazos forem seguidos, a doação é totalmente segura e não causa prejuízo para a saúde”, afirma a hematologista Martha Mariana Arruda, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
A médica explica que o volume de líquido retirado durante a doação é reposto rapidamente pelo organismo. “A reposição do volume acontece em cerca de 24 horas. Já a produção das células do sangue ocorre naturalmente pela medula óssea ao longo dos dias seguintes”, esclarece.
A hematologista Carolina explica ainda que existem outras orientações importantes antes da coleta.
“É importante não estar em jejum e aguardar pelo menos três horas após o almoço ou jantar. O doador também não deve consumir bebida alcoólica nas últimas 12 horas”, lista a profissional.
Grávidas, mulheres que estejam amamentando ou pessoas que tenham passado por parto ou aborto há menos de três meses também não podem doar.
Por que o tipo O negativo é tão importante?
Entre todos os tipos sanguíneos, o O negativo costuma receber atenção especial nos bancos de sangue. Isso acontece porque ele pode ser utilizado em situações de emergência, quando não há tempo para identificar o tipo sanguíneo do paciente. A hematologista Martha explica que esse tipo é considerado um doador universal.
“O O negativo funciona como um coringa no banco de sangue. A pessoa O negativa não expressa os antígenos A e B nem o fator RH, que são proteínas que podem causar reações graves quando há incompatibilidade”, esclarece.
Segundo ela, antes de qualquer transfusão, os hospitais realizam exames para confirmar a compatibilidade entre o sangue do doador e o do receptor. No entanto, em situações críticas isso pode não ser possível imediatamente.
“Em acidentes graves ou hemorragias súbitas, quando não há tempo para fazer a tipagem, o O negativo é um sangue seguro que pode ser utilizado quase imediatamente para salvar uma vida”, afirma.
Demanda por tipos sanguíneos varia
Nos hospitais, a necessidade de sangue costuma acompanhar a distribuição dos tipos sanguíneos na população. “Temos muito mais pessoas com sangue O positivo e A positivo no Brasil. Por isso, esses são os tipos mais utilizados em cirurgias e tratamentos, o que exige reposição constante para que os estoques não acabem”, explica Martha.
Ao mesmo tempo, os tipos com fator RH negativo são mais raros e também costumam gerar preocupação nos bancos de sangue.
“Os tipos A negativo, B negativo, AB negativo e principalmente O negativo são mais raros. Como eles têm grande saída nas emergências, os estoques podem ficar críticos com facilidade”, diz.
Estoque crítico em Brasília
Em Brasília, os estoques de sangue dos tipos O positivo e O negativo estão em nível criticamente baixo, segundo o GSH Banco de Sangue. A instituição faz um apelo para que novos doadores compareçam à unidade e ajudem a reforçar os estoques.
Embora a necessidade seja maior para esses dois tipos sanguíneos, o banco de sangue lembra que todos os tipos são importantes para manter o atendimento a pacientes que precisam de transfusão.
Quem quiser ajudar pode procurar a unidade do GSH Banco de Sangue de Brasília, no SGAS 915, ou a Fundação Hemocentro de Brasília, no início da Asa Norte. Doar sangue é rápido, seguro e uma única doação pode ajudar até quatro pessoas.
