Andréia Formico

Professora que venceu câncer contribui com tecnologia de inovação em diagnósticos

PhD em Ciências da Computação orientou pesquisadores no desenvolvimento de ferramenta para facilitar o diagnóstico de tumores

atualizado 20/10/2021 10:54

Andréia FormicoArquivo Pessoal

A história pessoal da professora universitária Andréia Formico, 55 anos, tem inspirado a criação de ferramentas tecnológicas para suporte à decisão e ao diagnóstico do médico radiologista na detecção de achados suspeitos em imagens de mamografia.

PhD em Ciência da Computação pelo Imperial College London, ela orientou pesquisadores no desenvolvimento de programas de Inteligência Artificial (IA) que auxiliam no rastreio e diagnóstico precoce do câncer de mama. 

Andréia descobriu um câncer de mama em 2009. Em 2013, foi a vez de sua mãe se deparar com a mesma doença. Ter vivido a experiência tão de perto, levou a professora a direcionar seu olhar para o tema. E, após ter se curado, começou a liderar pesquisas envolvendo tecnologias de ponta em prol da saúde.

“Iniciei orientando alunos em nível de mestrado e doutorado, desenvolvendo jogos de computador como ferramentas para diagnóstico clínico, simulação de terapias de tratamento e promoção de empatia. Em seguida, o foco se direcionou para o rastreamento mamográfico”, relata.

Junto com pesquisadores ligados a health tech Audo, a professora desenvolveu o sistema Dama, que significa Diagnóstico Automático de Apoio a Mamografia. Por meio da Inteligência Artificial, a tecnologia colabora para a precisão dos laudos e aumenta a segurança dos profissionais de saúde na avaliação das imagens e na análise dos exames.

Os algoritmos criados para a ferramenta são responsáveis por colaborar no reconhecimento de nódulos e calcificações, fazendo um primeiro alerta aos médicos. A ferramenta já possui registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, devido ao seu valor reduzido e baixo custo de manutenção, chega ao mercado com preço acessível para clínicas de pequeno e médio porte.

Desenvolvimento contínuo

De acordo com Milena Rosado, CEO da Audo e ex-aluna de Andréia, o sistema Dama permite que os médicos possam corrigir e sugerir melhorias ao algoritmo, em um processo de aprendizado contínuo, de forma que a ferramenta se torne cada vez mais inteligente, colaborando para diminuir o tempo na produção de laudos.

Contudo, ao contrário do que os que resistem à telemedicina podem pensar, a ferramenta não foi desenvolvida para substituir o médico, mas sim para ser uma aliada no diagnóstico.

A nossa ideia sempre foi no intuito de alertar, recomendar ou de gerar sugestões aos profissionais – a palavra final e a escolha do que deve ser feito com os resultados destes algoritmos sempre é do profissional radiologista”, destaca Milena. 

Mentes brilhantes no health tech

A professora Andréia Formico fala dos ex-alunos com orgulho e lembra que é fundamental investir em projetos como a Dama, que têm utilidade social e estimulam o crescimento do mercado brasileiro de health techs. “Nossos pesquisadores são de primeira linha. Falta, infelizmente, apoio financeiro para mantê-los no país. Estamos perdendo nossas mentes brilhantes para o mercado internacional, dia após dia”, avalia.

 A solução elaborada pela Audo teve investimento de R$ 500 mil, boa parte por meio de subvenção da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). Além da Dama, a equipe de desenvolvedores tem, ainda, um projeto de Inteligência Artificial voltado para o diagnóstico de câncer no pulmão.

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