Hematologista explica por que a anemia é mais comum em mulheres
Perdas de ferro pela menstruação, gestação e sangramentos intensos ajudam a explicar a maior incidência da condição nas mulheres
atualizado
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A anemia é uma das condições de saúde mais frequentes entre as mulheres e, na maioria dos casos, está relacionada à deficiência de ferro. O mineral é essencial para a produção de hemoglobina, proteína responsável por transportar oxigênio pelo organismo. Quando os níveis de ferro diminuem, o corpo passa a produzir menos glóbulos vermelhos, favorecendo o surgimento da doença.
Embora a anemia possa afetar pessoas de qualquer idade e sexo, as mulheres apresentam fatores biológicos que aumentam o risco do problema ao longo da vida, especialmente durante o período reprodutivo. Menstruação, gravidez e algumas condições ginecológicas estão entre as principais explicações para a maior prevalência da doença no público feminino.
Menstruação e perda de ferro aumentam o risco
Segundo o ginecologista Diney Albuquerque, do Hospital Mantevida, em Brasília, a menstruação representa uma perda natural de sangue e, consequentemente, de ferro. No entanto, nem todas as mulheres desenvolvem anemia.
“A diferença é que algumas conseguem repor essa perda facilmente, enquanto outras acabam desenvolvendo deficiência de ferro ao longo do tempo”, explica.
De acordo com o especialista, o risco aumenta principalmente em mulheres com fluxo menstrual intenso, alimentação inadequada, gestações recentes ou dificuldades de absorção do nutriente. Nesses casos, a reposição de ferro pode não acompanhar as perdas do organismo.
O médico ressalta ainda que o sangramento excessivo merece atenção. “Mulheres com fluxo muito intenso têm maior risco de desenvolver deficiência de ferro e anemia, especialmente quando apresentam sintomas como cansaço excessivo, tonturas, palpitações ou dificuldade de concentração”, afirma.
Além do impacto sobre os estoques de ferro, o aumento do fluxo menstrual também pode estar relacionado a condições como miomas, adenomiose e alterações hormonais, que exigem avaliação médica.
Nem toda anemia está ligada à menstruação
Embora a perda de ferro pela menstruação seja uma das causas mais comuns, outras situações também podem levar ao desenvolvimento da anemia feminina.
“As causas mais comuns fora de gravidez e menstruação seriam perdas de sangue pelo trato gastrointestinal ou problemas de absorção do ferro, como após cirurgia bariátrica”, destaca o hematologista Rafael Vasconcelos, do Hospital Santa Marta, também em Brasília.
Na prática clínica, exames simples costumam ajudar a identificar a origem do problema. O hemograma é um dos principais aliados para diferenciar a anemia por deficiência de ferro de outros tipos da doença.
Quando o quadro se torna mais avançado, alguns sintomas podem indicar que o organismo já está sofrendo com a redução da capacidade de transporte de oxigênio. “Falta de ar a pequenos esforços, episódios de tontura, aceleração do coração e ocorrência de desmaios podem indicar um estágio mais avançado”, alerta o hematologista.
Quando procurar ajuda médica
A investigação médica é importante sempre que houver sintomas persistentes ou suspeita de deficiência de ferro. Cansaço frequente, palidez, queda de cabelo, dificuldade de concentração e redução do desempenho nas atividades diárias estão entre os sinais mais comuns.
Além disso, especialistas recomendam atenção especial quando a anemia não melhora com o tratamento adequado, reaparece com frequência ou surge acompanhada de sinais de alerta, como perda de peso sem explicação, dores abdominais, alterações urinárias ou suor excessivo durante a noite.
O diagnóstico precoce permite identificar a causa da deficiência de ferro e iniciar o tratamento mais adequado, evitando complicações e melhorando a qualidade de vida. Por isso, mulheres com fluxo menstrual intenso ou sintomas sugestivos de anemia devem buscar avaliação médica para investigar o problema e preservar os níveis adequados de ferro no organismo.