Médicas ensinam se síndrome do ovário policístico causa ganho de peso

Especialistas explicam como alterações hormonais e resistência à insulina podem influenciar o metabolismo e o peso em mulheres com SOP

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1 de 1 modelo de útero-ovário de mãos dadas. Metrópoles - Foto: Freepik

A síndrome do ovário policístico (SOP) é um distúrbio hormonal que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva. A condição é caracterizada, entre outros fatores, por alterações hormonais e pela presença de múltiplos cistos nos ovários.

Além de impactar o ciclo menstrual e a fertilidade, a síndrome também costuma levantar uma dúvida frequente entre pacientes. Até que ponto ela está associada ao ganho de peso?

A relação entre a SOP e o aumento de peso é frequentemente mencionada, mas não acontece da mesma forma para todas as mulheres. De acordo com especialistas ouvidas pelo Metrópoles, a condição pode favorecer alterações metabólicas que influenciam o acúmulo de gordura, embora isso não seja uma regra.

“A relação existe, mas não é obrigatória. Nem todas as mulheres com síndrome dos ovários policísticos apresentam sobrepeso ou obesidade”, explica a ginecologista Jessica Wolff, especialista em reprodução humana e ginecologia endócrina da Maternidade Brasília.

Segundo a médica, a síndrome costuma estar associada principalmente à resistência à insulina, uma alteração metabólica que pode favorecer o ganho de peso e o acúmulo de gordura, sobretudo na região abdominal. Ainda assim, ela ressalta que existem diferentes formas de manifestação da doença.

“Também existem mulheres com síndrome dos ovários policísticos e peso normal, o que mostra que a condição pode ter apresentações clínicas diferentes”, afirma.

Alterações hormonais e metabolismo

A síndrome do ovário policístico envolve mudanças hormonais importantes no organismo. Entre as principais estão o aumento dos hormônios androgênicos, conhecidos como hormônios masculinos, e a resistência à insulina.

Jessica explica que a resistência à insulina faz com que o organismo produza níveis mais elevados do hormônio para manter a glicose no sangue controlada.

Esse processo pode estimular os ovários a produzirem mais androgênios. Por esse motivo, a síndrome deixou de ser vista apenas como uma condição reprodutiva — hoje, ela também é reconhecida por seus impactos metabólicos.

Mulheres com síndrome do ovário policístico podem apresentar maior risco de desenvolver síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e alterações no colesterol ao longo da vida.

Por que emagrecer pode ser mais difícil?

Outro ponto relatado por pacientes é a dificuldade para perder peso, mesmo quando adotam dieta e atividade física. Essa dificuldade, segundo a médica, também está relacionada à resistência à insulina.

“A hiperinsulinemia pode favorecer o armazenamento de gordura e tornar o processo de perda de peso mais desafiador”, diz Jessica.

Isso não significa, porém, que mulheres com a síndrome não consigam emagrecer. A especialista afirma que, em alguns casos, o processo pode apenas ser mais gradual e exigir acompanhamento médico e estratégias individualizadas.

Hábitos que ajudam no controle e sinais de alerta

Mudanças no estilo de vida são consideradas uma das bases do tratamento da síndrome do ovário policístico.

“A modificação do estilo de vida é a base do tratamento da síndrome dos ovários policísticos. O exercício físico ajuda a reduzir a resistência à insulina, e uma alimentação equilibrada também contribui para esse controle”, afirma a endocrinologista Camila Viecceli, do Hospital da Bahia.

Alguns sinais podem indicar a necessidade de procurar avaliação médica para investigar a síndrome. Entre eles estão ciclos menstruais irregulares, períodos em que a menstruação deixa de ocorrer por meses e sintomas relacionados ao aumento de hormônios androgênicos.

Camila explica que também podem surgir aumento de pelos em regiões como rosto e tronco, acne intensa ou queda de cabelo com padrão mais frontal. Alterações em exames laboratoriais, como níveis elevados de testosterona ou sinais de resistência à insulina, também podem levantar a suspeita da síndrome.

Diante desses sinais, a orientação é procurar avaliação médica para confirmação do diagnóstico e definição do tratamento mais adequado.

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