Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Novo teste portátil para detectar tuberculose tem 100% de precisão

A tuberculose é uma doença difícil de diagnosticar de forma rápida e precisa. Os métodos atuais disponíveis não conseguem suprir a demanda

13/08/2025 17:41
Spencer Platt/Getty Images
Registrados os 4 primeiros casos de tuberculose extensivamente resistente no Brasil Este bacilo da tuberculose é resistente aos 13 medicamentos tradicionalmente usados no tratamento da doença pela recomendação da OMS

Um avanço científico pode transformar o diagnóstico da tuberculose (TB), doença que ainda mata mais de um milhão de pessoas por ano no mundo. Pesquisadores da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, desenvolveram o Shine-TB, um teste rápido e portátil que detecta Mycobacterium tuberculosis diretamente do escarro.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Os resultados dos testes mostraram 100% de precisão nos primeiros ensaios clínicos e foram publicados na última quarta-feira (6/8) na revista científica Science Advances.

“O Mycobacterium tuberculosis (Mtb) é uma grande ameaça à saúde global, e há uma necessidade urgente de diagnóstico de tuberculose acessível e simples em áreas com poucos recursos. O Shine-TB simplifica o diagnóstico da doença, da amostra à resposta, combinando amplificação e detecção”, descrevem os autores no artigo.

Dificuldade no diagnóstico de tuberculose

Atualmente, a tuberculose é difícil de diagnosticar de forma rápida e precisa. Os métodos disponíveis não conseguem aliar três quesitos importantes na detecção da doença: sensibilidade, tempo de resposta e acessibilidade.

Entre as principais formas de identificação, a realizada com cultura bacteriana tem alta sensibilidade, mas é lenta para fornecer resultados. Já a baciloscopia de escarro é rápida – cerca de uma hora –, porém tem baixa precisão e depende da experiência do profissional.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Por fim, os testes baseados em PCR oferecem bons resultados, mas exigem equipamentos especializados, além de cartuchos de uso único, deixando de atender áreas com pouco recurso.

Como funciona o novo teste para tuberculose

Os pesquisadores usaram uma tecnologia de edição genética que permite modificar o DNA, chamada de CRISPR. Nesse caso, ela foi usada como sensor para reconhecer sequências genéticas específicas da bactéria responsável pela tuberculose. Eles também utilizaram a amplificação da polimerase recombinase, uma técnica que copia mais vezes o DNA alvo, facilitando a detecção. Todo o processo foi realizado em único tubo a uma temperatura de 37 °C.

Para validar o teste, os cientistas coletaram amostras de escarro de adultos sintomáticos em unidades públicas de saúde na Colômbia, e escarro negativo para tuberculose estocados em um hospital universitário nos Estados Unidos. Em 13 amostras analisadas, o Shine-TB acertou todos os diagnósticos — tendo 100% de sensibilidade e 100% de especificidade em comparação ao exame de cultura bacteriana.

Um outro diferencial importante é que os reagentes do Shine-TB podem ser liofilizados, permitindo transporte e armazenamento sem necessidade de refrigeração. Isso abre caminho para a aplicação do teste em regiões remotas e com poucos recursos. Além disso, o desempenho do método atende aos padrões da Organização Mundial da Saúde.

Siga a editoria de Saúde e Ciência no Instagram e fique por dentro de tudo sobre o assunto!