Vacina experimental contra HIV gera resposta imune com apenas uma dose

Estudo em primatas indica que imunizante pode ativar anticorpos contra o vírus HIV com apenas uma aplicação

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Foto colorida de seringa com fluído saindo em agulha com fundo cinza - Metrópoles.
1 de 1 Foto colorida de seringa com fluído saindo em agulha com fundo cinza - Metrópoles. - Foto: Mika Baumeister / Unsplash

Uma vacina experimental contra o HIV conseguiu estimular o sistema imunológico de animais com apenas uma dose, segundo estudo publicado nessa terça-feira (3/2) na revista Nature Immunology. 

O resultado foi observado em testes com primatas e é considerado um avanço importante em uma área que, há décadas, tenta avançar no desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o vírus.

O HIV é conhecido por sua grande capacidade de mutação, o que dificulta a criação de imunizantes duradouros. Por isso, qualquer estratégia que consiga gerar resposta imune de forma mais simples chama a atenção dos cientistas.

Os pesquisadores Centro de Vacinas e Imunoterapia, Instituto Wistar, dos Estados Unidos, avaliaram uma vacina experimental chamada WIN332. Diferentemente de outros candidatos que exigem várias doses ao longo do tempo, esse imunizante foi projetado para ativar rapidamente células do sistema imunológico responsáveis pela produção de anticorpos.

No experimento, os cientistas aplicaram uma única dose da vacina em macacos rhesus. Após cerca de três semanas, os animais passaram a produzir anticorpos capazes de neutralizar o HIV em testes de laboratório.

Como a vacina contra HIV age

A WIN332 é baseada em uma proteína presente na superfície do HIV, chamada Env, que o vírus usa para entrar nas células humanas. A vacina foi desenhada para “ensinar” o sistema imunológico a reconhecer uma região específica dessa proteína, conhecida como Glicano V3.

Essa região é relativamente parecida entre diferentes variantes do HIV, o que aumenta as chances de os anticorpos produzidos conseguirem agir contra vários tipos do vírus. Segundo o estudo, a formulação usada conseguiu ativar esse processo mesmo sem reforços adicionais.

Se uma vacina contra o HIV puder funcionar com menos doses, isso pode facilitar muito sua aplicação no futuro. Menos doses significam:

  • Campanhas de vacinação mais simples.
  • Menor custo.
  • Maior adesão da população.
  • Mais facilidade de distribuição em países com menos recursos.

Esses pontos são especialmente importantes em uma doença que ainda afeta milhões de pessoas no mundo e não tem vacina aprovada.

Os autores explicam que os anticorpos produzidos apresentaram atividade neutralizante detectável, embora ainda considerada baixa a moderada. Mesmo assim, o resultado é considerado relevante porque vacinas anteriores geralmente não conseguiam esse tipo de resposta com apenas uma aplicação.

Além disso, os testes mostraram que os anticorpos atuaram contra versões do vírus mais próximas das encontradas na vida real, e não apenas contra variantes artificiais de laboratório.

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O tratamento é uma combinação de medicamentos que podem variar de acordo com a carga viral, estado geral de saúde da pessoa e atividade profissional, devido aos efeitos colaterais
Em 2021, um novo medicamento para o tratamento de HIV, que combina duas diferentes substâncias em um único comprimido, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. O causador da aids ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida
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HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. O causador da aids ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebida

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A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, que recebem esse nome por se aproveitarem da fraqueza do organismo. Com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids
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Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico

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Em 2021, um novo medicamento para o tratamento de HIV, que combina duas diferentes substâncias em um único comprimido, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
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O ensaio de fase 1 busca analisar se as doses do imunizante, que utilizam RNA mensageiro, podem induzir resposta imunológica das células e orientar o desenvolvimento rápido de anticorpos amplamente neutralizantes (bnAb) contra o vírus
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Nos Estados Unidos, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças aprovou o primeiro medicamento injetável para prevenir o HIV em grupos de risco, inclusive para pessoas que mantém relações sexuais com indivíduos com o vírus
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O Apretude funciona com duas injeções iniciais, administradas com um mês de intervalo. Depois, o tratamento continua com aplicações a cada dois meses
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O PrEP HIV é um tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) feito especificamente para prevenir a infecção pelo vírus da Aids com o uso de medicamentos antirretrovirais
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Esses medicamentos atuam diretamente no vírus, impedindo a sua replicação e entrada nas células, por isso é um método eficaz para a prevenção da infecção pelo HIV
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É importante que, mesmo com a PrEP, a camisinha continue a ser usada nas relações sexuais: o medicamento não previne a gravidez e nem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, por exemplo
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É importante que, mesmo com a PrEP, a camisinha continue a ser usada nas relações sexuais: o medicamento não previne a gravidez e nem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, por exemplo

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Quais são os próximos passos

Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores reforçam que o estudo foi feito apenas em animais. Ainda não é possível afirmar se a mesma resposta ocorrerá em humanos, nem se ela seria suficiente para prevenir a infecção pelo HIV.

Segundo os autores novos estudos serão necessários para testar a segurança da vacina e avaliar se ela pode gerar uma proteção mais forte e duradoura em pessoas.

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