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Saúde

Pesquisa com teste de inteligência sugere que jovem está emburrecendo

Pesquisa com quase 400 mil adultos encontrou queda em parte de habilidades cognitivas e reacendeu o debate sobre o Efeito Flynn Reverso

05/08/2026 11:23
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Ilustração colorida de mão humana subindo escada em direção a um desenho de cérebro - Metrópoles.

A ideia de que as pessoas estariam ficando “mais burras” aparece com frequência nas redes sociais e costuma ser atribuída ao chamado Efeito Flynn Reverso. Mas a conclusão é simplificada demais.

O fenômeno não significa que a inteligência humana esteja diminuindo. O que pesquisadores vêm observando é que algumas habilidades avaliadas por testes cognitivos passaram a apresentar pontuações menores em determinadas populações.

Uma pesquisa publicada na revista científica Intelligence analisou dados de 394.378 adultos dos Estados Unidos, coletados entre 2006 e 2018, para investigar se havia sinais do chamado Efeito Flynn Reverso. Antes de entender os resultados, é preciso conhecer o conceito que deu origem ao fenômeno.

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O que é o Efeito Flynn?

Ao longo do século XX, testes de inteligência mostraram um aumento contínuo nas pontuações médias entre diferentes gerações. A tendência ficou conhecida como Efeito Flynn, em homenagem ao pesquisador James R. Flynn, e foi associada a fatores como avanços na educação, na saúde, na alimentação e nas condições de vida.

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Nos últimos anos, porém, parte das pesquisas passou a observar uma desaceleração ou até uma inversão dessa tendência em alguns países, fenômeno chamado de Efeito Flynn Reverso.


Principais achados do estudo

  • Analisou dados de 394.378 adultos dos Estados Unidos.
  • Participantes tinham entre 18 e 65 anos.
  • As informações foram coletadas entre 2006 e 2018.
  • Os dados vieram do SAPA Project, um grande banco de pesquisas on-line.
  • Os testes utilizados foram do International Cognitive Ability Resource (ICAR).
  • Foram avaliados raciocínio por padrões, sequência de letras e números, raciocínio verbal e rotação mental de objetos em três dimensões.
  • As análises consideraram idade, sexo e escolaridade.

O que os pesquisadores descobriram?

Os resultados mostraram queda gradual nas pontuações de algumas habilidades cognitivas. As reduções mais consistentes apareceram nos testes de raciocínio por padrões e nas tarefas de sequência de letras e números. O raciocínio verbal também apresentou diminuição, mas em menor intensidade.

Por outro lado, a capacidade de visualizar e rotacionar objetos em três dimensões apresentou melhora durante parte do período analisado, mostrando que nem todas as habilidades cognitivas seguiram a mesma tendência.

O padrão foi observado em diferentes grupos, mas foi mais acentuado entre adultos de 18 a 22 anos e entre participantes com menor nível de escolaridade. Isso significa que as pessoas estão mais burras? Não.

Os próprios autores afirmam que o estudo não demonstra uma redução geral da inteligência humana. A pesquisa avaliou o desempenho em testes específicos, enquanto a inteligência envolve diversas capacidades, como memória, criatividade, linguagem e aprendizagem.

Além disso, o estudo foi realizado apenas com adultos dos Estados Unidos. Por isso, os resultados não podem ser automaticamente aplicados a outros países ou à população mundial. 

Ainda não existe uma resposta definitiva. Os pesquisadores citam hipóteses como mudanças na educação, no estilo de vida, no uso das tecnologias digitais e nas condições sociais, mas ressaltam que nenhuma delas foi comprovada como causa do Efeito Flynn Reverso.