Mudanças climáticas podem aumentar surtos de hantavírus, diz estudo
Divulgado pela Live Science, estudo indica que roedores transmissores podem avançar para novas áreas e elevar risco de infecções
atualizado
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As mudanças climáticas podem favorecer a expansão de roedores transmissores de hantavírus e aumentar o risco de surtos em humanos nas próximas décadas. O alerta foi divulgado pela Live Science na terça-feira (12/5), com base em novos modelos que analisam como alterações na temperatura, nas chuvas e no uso do solo podem modificar a distribuição desses animais na América do Sul, especialmente na Argentina.
A preocupação ganhou força após o aumento de casos de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, que colocou a doença transmitida por roedores em evidência no cenário internacional. Embora países como Argentina e Chile já convivam com o vírus há décadas, pesquisadores apontam que mudanças ambientais podem levar o problema a regiões onde a população ainda não teve contato frequente com a doença.
Segundo o Ministério da Saúde argentino, mais de 100 casos de doença por hantavírus foram registrados entre junho de 2025 e o início de maio de 2026, quase o dobro do observado no ano anterior.
Clima pode favorecer roedores
Pesquisadores que estudam o risco de hantavírus no sul da América do Sul já identificaram 11 genótipos associados à doença humana em 13 espécies de roedores nativos. Cada cepa do vírus costuma evoluir dentro de uma espécie específica, permitindo que o animal carregue o patógeno sem adoecer.
O reservatório natural do vírus Andes é o rato-do-arroz pigmeu de cauda longa, comum em florestas úmidas e áreas de arbustos do sul dos Andes, no Chile e na Argentina. No entanto, modelos climáticos indicam que o habitat do roedor pode se expandir para o leste da Argentina, em direção à costa atlântica, onde vive grande parte da população do país.
“É necessária uma vigilância mais intensiva e a realização de testes em todas as províncias, porque o vírus pode estar chegando a novas áreas sem que saibamos”, afirmou Juan Diego Pinotti, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisas da Argentina e da Universidade Nacional de Córdoba, à Live Science.
Oscilações climáticas como El Niño e La Niña também podem interferir nesse cenário. Em anos de El Niño, o aumento das chuvas no centro e no sul da Argentina favorece o crescimento da vegetação, ampliando a oferta de alimento e abrigo para os roedores.
Outros vírus também preocupam
O alerta não se limita ao hantavírus. Um estudo recente sobre arenavírus, outra família de vírus transmitidos por roedores, chegou a conclusões semelhantes. O grupo inclui vírus capazes de provocar febres hemorrágicas graves na América do Sul, com altas taxas de hospitalização.
Os pesquisadores usaram aprendizado de máquina para avaliar como mudanças no clima, na distribuição de roedores e no uso da terra podem alterar a circulação desses vírus nos próximos 20 a 40 anos. A conclusão foi que o aumento da temperatura, as mudanças no padrão de chuvas e a expansão agrícola podem ampliar o risco de transmissão para humanos.
Para os especialistas, a principal forma de evitar que esses surtos cresçam é investir em vigilância epidemiológica, monitoramento ambiental e educação da população. A identificação precoce de áreas de risco pode ajudar autoridades a agir antes que o vírus se espalhe.
Pesquisadores alertam, no entanto, que cortes de financiamento em saúde e ciência podem comprometer programas de monitoramento e reduzir a capacidade de antecipar surtos. Segundo Veronica Andreo, pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas da Argentina, quando essas equipes perdem capacidade operacional, toda a rede de alerta precoce fica enfraquecida.
