“Maior presente do mundo”, conta mulher que recebeu rim de irmã

Diagnosticada com uma doença renal rara, Laisa Pereira, de 28 anos, precisava com urgência de um transplante de rim

atualizado 16/04/2022 15:24

Divulgação/Hospital Santa Lúcia

Movida pelo amor à irmã mais nova, Rosana Pereira da Costa, de 30 anos, decidiu doar uma parte de si no momento em que a saúde de Laisa Pereira, de 28 anos, passava por um das fases mais delicadas da vida. Diagnosticada com uma doença renal rara, a jovem precisava com urgência de um transplante de rim.

Às vésperas de completar 14 anos, em 2007, ela descobriu que tinha Glomerulopatia por C3, uma doença crônica que afeta o glomérulo, região responsável por filtrar o sangue e formar a urina. No começo, o quadro era tratado com medicamentos para retardar a piora da função renal.

“Eu não sentia dor, mas o meu corpo inchava muito e a cor da minha urina era escura. Às vezes, a gente não dá importância para uma coisa tão simples como urinar. Eu sentia vontade de ir ao banheiro, mas não conseguia fazer nada”, conta a jovem, que é dona de casa.

Desde 2018, Laisa, que mora em Pirenópolis (GO), aguardava por um rim compatível em uma lista de São Paulo. Na época, ela precisava viajar à Brasília três vezes por semana para realizar hemodiálise devido à insuficiência renal terminal. O percurso de ida e volta entre as cidades durava em torno de 4 horas.

“Eu e a minha família não tínhamos muita informação sobre o processo de doação de órgãos e não aparecia nenhum rim compatível com o meu. No começo, eu não queria que alguém da minha família fosse o doador vivo, pois tinha medo dos riscos da cirurgia para a outra pessoa”, relembra Laisa.

Presença da família 

Contudo, a vontade da família de ajudar acabou vencendo o medo. A irmã e a mãe da jovem se ofereceram para realizar os exames de compatibilidade e dar sequência ao procedimento. Porém, apenas uma delas era a doadora ideal.

A compatibilidade necessária nos transplantes é definida pelo HLA (do inglês Human Leukocyte Antigen). Esse complexo de genes codifica proteínas que são responsáveis pelo processo de rejeição após a realização do transplante.

Por isso, quanto maior o número de semelhanças do HLA entre doador e receptor, maiores são as chances de sucesso do transplante a longo prazo.

“Lembro de até ter sonhado que uma voz me dizia que eu seria a doadora. Dito e feito: fui indicada como 100% compatível. Superei os meus medos e aceitei doar por amar a minha irmã”, conta Rosana.

A cirurgia de sucesso das irmãs ocorreu em julho de 2021, no Hospital Santa Lúcia de Brasília, e durou em torno de seis horas. “A vida pós-transplante tem sido como se eu tivesse nascido de novo. Minha irmã é a minha heroína. Ela me deu o maior presente do mundo”, celebra, emocionada, Laisa.

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Tratamento efetivo 

O transplante é considerado a opção mais completa e efetiva para tratar pacientes portadores de doença renal crônica em estágio avançado. O paciente recebe o novo rim de um doador vivo ou falecido.

De acordo com o nefrologista Luiz Roberto Ulisses, responsável pela realização do transplante entre as irmãs, nos casos em que o doador é vivo, o funcionamento do rim no receptor é quase imediato.

Como os rins sem função não são retirados, a menos que estejam causando infecções e outros danos à saúde, o receptor fica com três rins, porém, apenas o transplantado funciona normalmente. Em média, a vida desse órgão transplantado de doador vivo é de 15 anos.

“A melhor doadora geneticamente possível para a Laisa era a irmã. Ela teve a belíssima sorte de encontrar uma pessoa geneticamente idêntica”, explica o especialista em transplante renal.

Sonho de ser mãe novamente

Laisa, que é casada, acredita que o novo rim vai permitir que ela realize o sonho de ser mãe pela segunda vez. Em 2015, ela descobriu que estava grávida. Porém, por conta de complicações da pré-eclâmpsia, manifestação que causa aumento da pressão, o bebê nasceu prematuro e não resistiu.

“Eu quero ver a minha irmã realizar o grande sonho da vida dela que é ser mãe de novo”, conta Rosana.

Com o novo rim, Laisa consegue levar uma vida normal. Ela toma remédios imunossupressores para garantir que o organismo não rejeite o órgão transplantado e realiza acompanhamento contínuo com o nefrologista.

“A prioridade no momento é a minha saúde. Estou em conversa com o médico para saber o melhor momento, mais seguro, para engravidar”, comenta.

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