Jovem é internado em estado grave após usar cigarro eletrônico por anos
Freddie Janman começou a usar vape aos 12 anos e abandonou o dispositivo aos 18, depois de ser hospitalizado com uma grave crise de asma

Freddie Janman tinha 12 anos quando experimentou um cigarro eletrônico pela primeira vez, apresentado por um amigo enquanto os dois jogavam videogame. O adolescente, que convivia com asma desde os três anos, passou do uso ocasional para um hábito diário que se manteve durante seis anos.
Morador de Surrey, na Inglaterra, ele começou com dispositivos descartáveis de 600 tragadas, que inicialmente duravam cerca de uma semana. Em aproximadamente seis meses, passou a consumir aparelhos de 2,4 mil tragadas em apenas dois dias, enquanto escondia o hábito dos pais e usava o vape desde a hora em que acordava até o momento de dormir.
Aos 18 anos, o jovem estima que chegava a dar cerca de 1,2 mil tragadas por dia e consumia o equivalente a aproximadamente 80 mg de nicotina. Segundo Freddie, ao longo dos seis anos de dependência, os gastos com cigarros eletrônicos e refis chegaram a pelo menos 4 mil libras, o equivalente a R$ 27.590,86.

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Durante o período de uso do vape, Freddie conta que passou a enfrentar infecções respiratórias frequentes, mas inicialmente não revelou aos médicos que utilizava cigarros eletrônicos. Aos 16 anos, diante da repetição dos problemas, contou sobre o hábito e recebeu a orientação para abandonar os dispositivos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaO jovem tentou parar três vezes, sem sucesso, e continuou usando o vape até março de 2026, quando apresentou uma grave crise de asma. Na manhã de 30 de março, acordou com um forte aperto no peito e descreveu a sensação como se o coração estivesse sendo comprimido, porém, ao longo do dia, a dificuldade para respirar piorou.
À noite, a namorada, Zoe Henrick, de 18 anos, levou Freddie ao Royal Surrey County Hospital. Segundo o relato do jovem, os exames mostraram níveis muito baixos de oxigênio, e ele permaneceu internado durante quatro dias, período em que recebeu oxigênio. A dependência era tão intensa que Freddie afirmou ter continuado a usar o cigarro eletrônico escondido durante a internação.
Problemas de saúde relacionados ao uso prolongado de vape
- Doenças pulmonares crônicas: são comuns casos que incluem bronquite crônica e enfisema, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e fibrose pulmonar.
- Problemas cardiovasculares: o consumo frequente causa aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, maior risco de infarto do miocárdio e AVC e danos nos vasos sanguíneos.
- Efeitos neurológicos: usar vape por muito tempo causa dependência da nicotina, alterações no cérebro em desenvolvimento, aumento da ansiedade e irritabilidade.
- Risco de câncer: a exposição a substâncias presentes no vape podem levar ao desenvolvimento de cânceres.
- Doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico (EVALI, em inglês): lesão pulmonar causada pelas substâncias contidas no vape e que pode deixar sequelas permanentes.
Internação levou jovem a abandonar o vape
A mudança ocorreu em 2 de abril, quando Freddie conversou com uma profissional especializada em cessação do tabagismo e iniciou o uso de adesivos e chicletes de nicotina para enfrentar a abstinência. Ele também recebeu um inalador de beclometasona para controlar a asma e, desde então, afirma não ter voltado a usar cigarros eletrônicos.
Os riscos dos dispositivos, no entanto, vão além da dependência de nicotina. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que o uso está associado a problemas pulmonares e cardiovasculares, além da exposição a substâncias tóxicas, como formaldeído, acroleína, diacetil e metais pesados. A agência ressalta que nem todos os possíveis impactos à saúde são conhecidos e que novas evidências continuam surgindo.























