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Caso Hungria: saiba como o etanol é usado como antídoto para o metanol

Rapper foi internado por suspeita de intoxicação. O etanol é usado para bloquear a toxina e evitar danos graves ao corpo

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Reprodução/Instagram @hungria_oficial
Imagem colorida do cantor Hungria, internado sob suspeita de intoxicação por metanol
1 de 1 Imagem colorida do cantor Hungria, internado sob suspeita de intoxicação por metanol - Foto: Reprodução/Instagram @hungria_oficial

O rapper Hungria, de 34 anos, foi internado na manhã desta quinta-feira (2/10) no Hospital DF Star, em Brasília, com suspeita de intoxicação por metanol. Segundo a equipe médica, o artista apresentou cefaleia, náuseas, vômitos, visão turva e acidose metabólica.

O caso faz parte de uma série de hospitalizações ligadas ao consumo de bebidas adulteradas que começou em São Paulo e se espalha pelo país.

Etanol como antídoto

De forma surpreendente, o tratamento de escolha contra a intoxicação por metanol muitas vezes envolve administrar mais álcool ao paciente. O etanol é usado por via oral ou intravenosa para competir com o metanol pela mesma enzima no fígado. Isso retarda a produção de metabólitos tóxicos, dando tempo para que o organismo elimine o metanol com segurança.

“O etanol atua como uma espécie de escudo, ocupando a enzima álcool desidrogenase e diminuindo a metabolização do metanol em ácido fórmico”, explica o professor de química Michel Arthaud, do Ceará.

A alternativa mais indicada como tratamento seria o fomepizol, um medicamento que bloqueia a enzima sem efeitos colaterais adicionais, impedindo a formação dos metabólitos perigosos e permitindo maior controle da dose.

“É mais eficaz que o etanol porque não causa intoxicação adicional e tem ação mais previsível”, afirma o médico emergencista Yuri Castro Santos, de São Paulo. No entanto, o medicamento não está disponível no Brasil.

Embora também seja eficaz, o etanol traz riscos importantes, como depressão do sistema nervoso central e hipoglicemia. Por isso, a administração exige infusão controlada, monitorização constante em UTI e checagem frequente dos níveis sanguíneos.

“O paciente pode apresentar sonolência profunda, risco de coma, queda de glicemia e complicações respiratórias. O manejo é muito delicado e exige acompanhamento médico rigoroso”, alerta Castro Santos.

Sinais e sintomas da intoxicação por metanol

  • Iniciais (até 6h após ingestão): dor abdominal intensa, sonolência, falta de coordenação, tontura, náuseas, vômitos, dor de cabeça, confusão mental, taquicardia e pressão arterial baixa;
  • Entre 6h e 24h: visão turva, fotofobia, visão embaçada, pupilas dilatadas, perda da visão das cores, convulsões, coma, acidose metabólica grave.
  • Em casos mais graves, o paciente pode evoluir para cegueira irreversível, choque, pancreatite, insuficiência renal, necrose de gânglios da base com tremor, rigidez e lentidão dos movimentos.

O perigo do metanol

O metanol é um álcool simples, semelhante ao etanol presente nas bebidas, mas o organismo reage de forma muito diferente. O professor de química Arthaud explica que o fígado produz a enzima álcool desidrogenase (ADH), responsável por metabolizar tanto o etanol quanto o metanol.

“O metanol é transformado em formaldeído e depois em ácido fórmico, substância extremamente tóxica que ataca o sistema nervoso e pode causar cegueira, coma ou parada cardiorrespiratória”, detalha.

O ácido fórmico acumulado no sangue provoca acidose metabólica severa, comprometendo órgãos vitais e aumentando rapidamente o risco de complicações graves. Por isso, a intoxicação por metanol é considerada uma emergência médica.

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