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Saúde

Hospital faz primeiro transplante de quadril com enxerto ósseo do DF

Após sofrer uma queda em fevereiro, Celina, de 74 anos, foi submetida a uma cirurgia de prótese de quadril com enxerto ósseo

24/07/2026 18:20, atualizado 24/07/2026 18:35
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Hospital faz primeiro transplante de quadril com enxerto ósseo do DF

Aos 74 anos, Celina Araújo Xavier foi a primeira pessoa do Distrito Federal a receber um transplante de quadril com enxerto ósseo estrutural após sofrer uma fratura que, a princípio, não foi diagnosticada.

Considerada de alta complexidade, a cirurgia foi realizada no dia 30 de junho, no Hospital Home. Devido à gravidade da ruptura do osso, o procedimento teve duração de oito horas e precisou reconstruir praticamente toda a região da bacia da paciente.

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Em fevereiro deste ano, Celina teve uma pequena queda, à qual não deu muita importância no momento, mas após o incidente, ela passou a sentir dores fortes na região. Mesmo assim, continuou suas atividades do dia a dia, porém com ajuda de um andador.

“Continuei minha rotina com a ajuda de andador. Quando foi no mês de março, consegui uma consulta com especialista em quadril e aí foi constatada uma fratura no acetábulo [cavidade em formato de taça localizada na lateral do osso da pelve]. Como a dor não passava, o médico resolveu por uma internação”, conta ao Metrópoles.

Enquanto estava internada, a idosa fez um exame de tomografia que identificou de fato a fratura na bacia e o rompimento de uma prótese já existente, que havia sido colocada há oito anos.

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Antes da queda, Celina levava uma vida ativa, fazia exercício e seguia com suas atividades cotidianas normalmente.

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Antes da fratura, Celina levava uma vida normal, realizando diversas atividades no dia a dia.
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Antes da fratura, Celina levava uma vida normal, realizando diversas atividades no dia a dia.

Arquivo pessoal

Quando foi descoberta a gravidade da lesão, o médico ortopedista Abner Alberti, especialista em cirurgia e prótese de quadril da clínica MEO – Medicina Esportiva e Ortopedia, primeiramente pensou em uma cirurgia de emergência, mas, fazendo uma análise mais profunda, optou por uma prótese de quadril. Foi neste momento que se iniciou uma corrida em busca de um possível doador.

“Quando avaliamos os exames, vimos que ela praticamente não tinha mais o osso da bacia do lado direito. A prótese havia migrado para dentro da pelve, muito próxima dos órgãos, vasos sanguíneos e nervos. Era uma situação extremamente delicada e a alternativa capaz de devolver função ao quadril foi uma reconstrução com enxerto ósseo estrutural”, explica.

Para realizar a cirurgia, o médico fez um trabalho em conjunto com o Banco de Tecidos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, que foi responsável pelo fornecimento do enxerto ósseo. O processo segue protocolos rigorosos de segurança.

“O enxerto passa por um preparo extremamente cuidadoso. Todo o material orgânico do doador é removido para reduzir ao máximo qualquer risco de rejeição. Depois, o tecido é descontaminado, submetido a testes para vírus, bactérias e fungos, permanece em quarentena e é armazenado a aproximadamente 80 graus negativos até o momento da cirurgia”, explica o ortopedista Abner Alberti.

Planejamento antes da cirurgia

Antes de fazer o procedimento cirúrgico em Celina, a equipe médica utilizou tomografia computadorizada e impressão 3D para criar um modelo tridimensional e simular a operação com antecedência. Esse ensaio prévio permite definir melhor os cortes e parafusos, para reduzir os riscos e o tempo de cirurgia.

O especialista esclarece que em cirurgias de artroplastia de quadril é inserida uma prótese em uma cavidade óssea da bacia que é chamada de acetábulo, porém como a idosa perdeu quase todo o osso da bacia e não tinha mais o acetábulo, a solução encontrada pela equipe médica foi realizar o transplante para permitir a reconstrução do quadril, complementa Abner.

Agora os próximos passos serão monitorar a integração do osso nos meses seguintes. Em cerca de três meses, Celina deve dar os primeiros passos e iniciar a reabilitação, incluindo exercícios com esteira antigravitacional, equipamento avançado de reabilitação.

Para a equipe médica — formada por Diogo Souto, Anderson Freitas, Eduardo Duarte e a equipe do INTO —, que realizou a cirurgia, este caso é um avanço para a ortopedia do Distrito Federal.

“Já sinto uma grande melhora, pois a dor não existe mais. Agora é aguardar o enxerto se integrar totalmente e daqui a pouco voltar para a minha vida normal, finaliza Celina.