Aumento de câncer colorretal em jovens é “uma realidade”, diz Hoff
Em congresso, oncologista diz que a composição da microbiota intestinal também pode ter influenciado aumento de câncer colorretal em jovens
atualizado
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Rio de Janeiro – Anteriormente considerada uma doença mais comum entre pessoas com mais de 50 anos, o câncer colorretal tem sido cada vez mais diagnosticado em adultos jovens – ou seja, abaixo dos 50. O problema aumenta ainda mais devido às dificuldades no diagnóstico precoce. Por não apresentar sinais tão claros em seu início, a detecção rápida é mais difícil.
“Esse crescimento não é exclusivo do Brasil. Trata-se de uma realidade mundial. Observa-se claramente um aumento no percentual de pacientes que se apresentam com a doença antes dos 50 anos, algo que antes era relativamente raro e está se tornando mais comum”, afirma o oncologista Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or, em declaração ao Metrópoles.
A entrevista foi feita durante coletiva de imprensa realizada na 11ª edição do Congresso Internacional Oncologia D’Or – Onco in Rio. O evento realizado para debater conhecimentos relacionados a diversas áreas do câncer começou nessa sexta-feira (27/3) na capital carioca e vai até este sábado (28/3).
Como fazer a detecção precoce do câncer de intestino?
- Segundo o Ministério da Saúde, a detecção precoce pode ser feita por meio da investigação com exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença.
- Os principais sinais e sintomas sugestivos do câncer são: sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, seja com diarreia e/ou prisão de ventre, além de dor, cólica ou desconforto abdominal;
- Também podem ser observados casos de fraqueza, indisposição e anemia. Muitas pessoas com tumor colorretal acabam perdendo peso sem causa aparente e sentem uma sensação de inchaço abdominal como se tivessem fezes constantemente presas.
Papel da microbiota intestinal no câncer colorretal
Entre os principais fatores para as causas do aumento de casos em adultos jovens está o sedentarismo, obesidade e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados. Por outro lado, Hoff aponta que outro fator tem chamado a atenção dos pesquisadores nos casos: a composição da flora intestinal dos pacientes.
“Estudos recentes têm mostrado que determinadas bactérias estão se tornando mais comuns no intestino e que algumas delas estariam associadas a um maior risco de transformação da mucosa intestinal em tumor. Isso é particularmente relevante porque, durante muito tempo, a flora intestinal não recebeu o devido valor na medicina”, aponta o oncologista.
Hoff afirma que há a possibilidade da combinação entre a falta de exercícios físicos regulares e uma rotina alimentar ruim elevar o risco não somente da obesidade, mas também de alterar a microbiota intestinal. Como consequência, as chances de desenvolvimento cancerígeno também aumentam.
Detecção de sangue nas fezes pode ajudar no rastreio mais rápido
Com os casos cada vez mais comuns entre adultos jovens, a recomendação para rastreio em indivíduos sem fatores de risco adicionais através da colonoscopia caiu de 50 anos para 45 anos. Por outro lado, o problema é que no cenário brasileiro não há estrutura e nem profissionais suficientes para realizar o exame em pessoas a partir dessa idade.
Como solução, Hoff propõe uma abordagem mais simples e pragmática: o teste de sangue oculto nas fezes.
“O exame é uma ferramenta eficaz, de custo muito mais baixo e que pode ser aplicada em larga escala. A estratégia recomendada é realizar esse exame anualmente a partir dos 45 anos e, apenas nos casos positivos, encaminhar o paciente para colonoscopia. Dessa forma, torna-se possível ampliar o rastreamento populacional sem sobrecarregar o sistema de saúde”, destaca o médico.
Em pessoas com fatores de risco adicional, como histórico familiar de câncer colorretal, presença de múltiplos pólipos ou outras condições predisponentes, o rastreio deve ser iniciado antes dos 45 e ser feito de forma individualizada, de acordo com a orientação de um profissional da área.
