1 de 1 Ilustração colorida de esqueleto humano com coração e veias em evidência - Metrópoles
- Foto: nopparit/Getty Images
Um estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que não basta cortar carboidratos ou gordura para reduzir o risco de doenças cardíacas. O mais importante é a qualidade do que vai no prato.
A pesquisa, publicada em 11 de fevereiro no Journal of the American College of Cardiology, acompanhou 200 mil pessoas ao longo de várias décadas. O objetivo foi entender como diferentes padrões alimentares influenciam o risco de doença cardíaca coronariana — condição causada pelo acúmulo de gordura nas artérias do coração.
Os resultados apontaram que dietas com pouco carboidrato (low carb) ou pouca gordura (low fat) são populares e praticadas há anos, mas, segundo o líder do estudo e pesquisador do departamento de nutrição, Zhiyuan Wu, o foco exclusivo na quantidade de carboidratos ou gorduras pode ser um erro.
“Nossas descobertas ajudam a desmistificar a ideia de que apenas reduzir carboidratos ou gordura é, por si só, benéfico”, afirmou Wu em comunicado à imprensa.
De forma geral, foram consideradas mais adequadas aquelas ricas em grãos integrais, frutas, vegetais, leguminosas, nozes, sementes e gorduras insaturadas, como o azeite.
Já os padrões menos saudáveis incluíam maior consumo de carboidratos refinados, alimentos ultraprocessados e maior quantidade de carnes e gorduras animais.
O resultado da análise indicou que pessoas que seguiam versões saudáveis dessas dietas tiveram cerca de 15% menos risco de desenvolver doença cardíaca.
Por outro lado, quem reduzia carboidrato ou gordura, mas mantinha uma alimentação baseada em produtos refinados e de origem animal, não apresentou o mesmo benefício — e, em alguns casos, teve risco maior.
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Dieta Ornish Criada em 1977 por um professor de medicina da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, o cardápio tem poucas gorduras, carboidratos refinados e proteínas animais. Os alimentos são categorizados em cinco grupos entre o mais saudável e o menos saudável, e é permitido consumir até 59ml de álcool por dia. O programa incentiva também a prática de meditação e ioga, além de exercícios de flexibilidade, resistência e atividades aeróbicas
Amoon Ra/Unsplash
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Dieta Mediterrânea – Baseada em alimentos frescos, escolhidos conforme a estação do ano, e naturais, é interessante por permitir consumo moderado de vinho, leite e queijo. O cardápio é tradicional na Itália, Grécia e Espanha, usa bastante peixe e azeite, e, desde 2010, é considerado patrimônio imaterial da humanidade. Além de ajudar a perder peso, diminui o risco de doenças cardiovasculares
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Dieta Dash – A sigla significa, em português, Métodos para Combater a Hipertensão e foca não só em diminuir a quantidade de sódio ingerida, mas em alimentos ricos em proteínas, fibras, potássio, magnésio e cálcio. A dieta tem 20 anos e é reconhecida por várias publicações científicas pela eficiência em reduzir a pressão arterial e controlar o peso
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Dieta Vegana A dieta vegana retira qualquer alimento de origem animal do cardápio: nada de manteiga, ovos ou whey protein. Aqui, a alimentação é composta basicamente por frutas, vegetais, folhagens, grãos, sementes, nozes e legumes. Para quem quer perder peso, a dica é aproveitar que a dieta já é considerada mais saudável por evitar gorduras animais e ter menos calorias, e controlar as quantidades de cada refeição
Anna Pelzer/Unsplash
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Dieta TLC – Criada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, pretende cortar o colesterol para melhorar a alimentação dos pacientes. São permitidos vegetais, frutas, pães integrais, cereais, macarrão integral e carnes magras. Há variações de acordo com cada objetivo, como melhorar o colesterol e perder peso
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Dieta Flexitariana – Sugere uma redução de até 70% do consumo de carne, substituindo a proteína animal por vegetais, frutas, sementes, castanhas e cereais. Com o regime, o organismo ficaria mais bem nutrido e funcionaria melhor. É recomendado começar trocando a carne vermelha por frango ou peixe e procurar um nutricionista para acompanhar a necessidade de suplementação de vitamina B12, encontrada em alimentos de origem animal
Dose Juice/Unsplash
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Dieta The Engine 2 Criada para prevenir doenças cardíacas, diabetes, Alzheimer e câncer, é baseada em um cardápio low carb e "forte em plantas". Segundo Rip Esselstyn, é basicamente uma dieta vegana com um "twist": aqui não entram óleos vegetais e o objetivo primário não é perder peso, apesar de um aumento na massa muscular ser comum entre os adeptos
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Dieta MIND – Inspirada nas dietas Mediterrânea e Dash, a MIND é feita especificamente para otimizar a saúde do cérebro, cortando qualquer alimento que possa afetar o órgão e focando em nozes, vegetais folhosos e algumas frutas. Um estudo feito pelo Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos descobriu que os pacientes que seguiram a dieta diminuíram o risco de Alzheimer de 35% a 53%, de acordo com a disciplina para seguir as recomendações
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Dieta vegetariana Um pouco menos rígida que a vegana, a dieta vegetariana exclui apenas carne animal do cardápio (que normalmente é substituída por tofu ou grão de bico). Segundo pesquisas, os adeptos deste tipo de alimentação costumam consumir menos calorias do que carnívoros, e os alimentos são, em geral, mais saudáveis
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Dieta Anti-inflamatória do Dr. Weil Criada pelo médico Andrew Weil, a dieta tem consumo de 2 mil a 3 mil calorias, dependendo do sexo do paciente e pretende dar preferência a alimentos anti-inflamatórios. 40% a 50% da dieta é composta por carboidratos (de baixo índice glicêmico), 30% de gorduras e 20% a 30% de proteínas, em um esquema semelhante ao da dieta Mediterrânea
O estudo também avaliou marcadores no sangue ligados à saúde do coração. Entre quem adotava dietas de melhor qualidade, foram observadas mudanças importantes:
Aumento do HDL, conhecido como colesterol “bom”;
Redução dos níveis de triglicerídeos.
Esses dois fatores estão diretamente associados à redução do risco de infarto e outras doenças cardiovasculares. Segundo Zhiyuan Wu, mais importante do que escolher entre “baixo carboidrato” ou “baixa gordura” é priorizar alimentos naturais, ricos em fibras e nutrientes, e reduzir produtos ultraprocessados.
“Promover um padrão geral de alimentação saudável, em vez de apenas restringir macronutrientes, deve ser uma estratégia central para prevenir doenças cardíacas”, afirmou Wu.