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Gene egoísta pode ter feito família dos EUA ter o dobro de homens

Estudo sugere que um mecanismo genético raro pode ter distorcido a proporção de nascimentos masculinos ao longo de sete gerações

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Ilustração colorida de aneis de DNA enfileiradas - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de aneis de DNA enfileiradas - Metrópoles. - Foto: Unsplash

Uma família dos Estados Unidos chamou a atenção de cientistas por um motivo curioso: ao longo de sete gerações, nasceram quase duas vezes mais meninos do que meninas.

O caso foi identificado por pesquisadores da Universidade de Utah, que analisaram dados do Utah Population Database (UPDB) — um grande banco de registros genealógicos e civis que reúne informações históricas de milhares de pessoas.

Segundo o estudo, publicado em 27 de fevereiro na revista Nature, essa linhagem específica registrou 60 nascimentos de meninos e 29 de meninas, o equivalente a cerca de 67% de filhos homens.

Em condições normais, a proporção esperada é próxima de 50% para cada sexo. Para os pesquisadores, esse padrão é difícil de explicar apenas pelo acaso.

O que é um “gene egoísta”?

O termo “gene egoísta” é usado na biologia para descrever um gene que consegue aumentar suas próprias chances de ser transmitido às próximas gerações, mesmo que isso não traga vantagem clara para a pessoa que o carrega.

Nesse caso, os cientistas suspeitam da existência de um mecanismo genético que favorece a transmissão do cromossomo Y, responsável pelo nascimento de meninos.

Esse possível gene faria com que espermatozoides com cromossomo Y tivessem mais chances de fecundar o óvulo do que os que carregam o cromossomo X (que resultaria em meninas). Esse tipo de fenômeno já foi observado em animais, como moscas e camundongos. Em humanos, porém, ainda não havia uma evidência tão forte.

Os pesquisadores analisaram mais de 76 mil indivíduos e mais de 26 mil linhagens paternas no banco de dados de Utah. Entre todas, apenas uma apresentou um desvio tão marcante e consistente ao longo do tempo.

Além disso, os cientistas avaliaram outras possíveis explicações — como erros de registro, fatores culturais ou eventos históricos — e consideraram que nenhuma delas parecia justificar o padrão observado. Por isso, a hipótese mais plausível levantada no estudo é a de um elemento genético ligado ao cromossomo Y que distorce a proporção de sexo.

O estudo ainda precisa de confirmação

É importante destacar que o trabalho ainda está em formato de pré-print, ou seja, não passou pela revisão por pares — etapa em que outros cientistas analisam os dados antes da publicação definitiva.

Especialistas ouvidos pela Nature destacam que o achado é interessante, mas pedem cautela. Ainda será necessário identificar diretamente o gene envolvido e entender exatamente como ele atua.

A descoberta não significa que seja possível “escolher” o sexo do bebê naturalmente nem altera o padrão populacional geral, que continua próximo de 50% para cada lado. O caso parece ser raro e específico de uma linhagem familiar.

Se confirmado, no entanto, o estudo pode ajudar a entender melhor como certos genes conseguem influenciar a herança genética — e até alterar padrões que, até hoje, eram considerados praticamente fixos na espécie humana.

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