Fiocruz: “Brasil tem condições de controlar pandemia no 1º semestre”

Pesquisador do Observatório Covid-19, Raphael Guimarães explica por que país passa por uma "janela de oportunidade" para conter o vírus

atualizado 12/02/2022 17:49

Movimentação na Estação da Luz em SP - Covid - Aglomeração Fábio Vieira/Metrópoles

Nos próximos 40 dias, o Brasil atravessará o que os pesquisadores do Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) chamam de “janela de oportunidade”. Será um período favorável para otimizar o combate ao coronavírus, pois a maioria da população estará com a imunidade fortalecida contra a Covid-19 – proteção adquirida por meio da vacinação ou de forma natura, em razão da onda recente causada pela variante Ômicron.

As políticas públicas adotadas neste momento, aliadas ao comportamento coletivo ante a pandemia, podem levar o país ao controle da Covid ainda no primeiro semestre de 2022. “Neste momento, o Brasil reúne algumas condições favoráveis para bloquear o vírus”, afirma o pesquisador Raphael Guimarães ao Metrópoles.

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O especialista explica que, uma vez que um indivíduo é infectado, está temporariamente imune – já que estudos indicam uma janela entre 70 e 80 dias em que, provavelmente, não ocorre reinfecção. Com a explosão de casos relacionados à Ômicron neste início de ano, espera-se que haja um volume grande de pessoas com imunidade temporária à Covid até meados de março e início de abril.

“Se conseguirmos alavancar a vacinação, vamos reunir um conjunto tão grande de pessoas imunes que é possível pensar em bloquear a circulação do vírus, diminuindo os casos e óbitos”, explica Guimarães.

Fim da Covid

Ao longo da última semana, os governos da Dinamarca e da Suécia e o estado de Nova York, nos Estados Unidos, derrubaram as restrições adotadas nos últimos dois anos, como um sinal de que estão conseguindo controlar a pandemia. A Inglaterra se prepara para aderir a essa mesma medida em 15 dias.

Especialista em saúde pública e diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) na África, Matshidiso Moeti afirmou, na quinta-feira (10/2), que o continente está saindo da fase de pandemia e caminhando para uma situação de controle do coronavírus.

Para o pesquisador da Fiocruz, o Brasil também está próximo desse momento. “O caminho da endemicidade é inevitável e o Brasil tem condições de acabar com a pandemia ainda este ano, mas não é uma via natural. Se os governos agirem da forma correta e a população colaborar, temos muito potencial para ficar em uma posição de mais controle ainda no primeiro semestre”, pontua Raphael Guimarães.

O cenário favorável, entretanto, não permite que as medidas de restrição possam ser flexibilizadas, nem autoriza eventos de aglomeração, como o Carnaval. “É hora de intensificar as medidas de restrição para que o vírus não consiga proliferar. Se a gente colocar o bloco na rua, literalmente, vai acontecer o oposto: o vírus vai ganhar novas oportunidades para circular”, explica Guimarães.

O pesquisador elenca ainda as ações de vigilância epidemiológica como essenciais para o momento. Nesse sentido, é primordial manter a testagem e realizar o isolamento necessário para casos confirmados, de maneira a interromper a transmissão.

Pandemias diferentes

Outro ponto a ser enfrentado consiste nas diferenças regionais em relação à campanha de imunização. O boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado na quarta-feira (9/2), destaca o estágio da pandemia em diferentes partes do Brasil. Há uma disparidade muito grande entre as regiões, em relação ao acesso a vacinas, diagnósticos e tratamentos.

Problemas na logística de distribuição e armazenamento das doses, por exemplo, fazem com que estados na Região Norte, como o Amapá, estejam muito atrás nas campanhas de vacinação, quando comparados às unidades federativas no Sudeste do país.

“Hoje, o Amapá tem a cobertura vacinal com dose de reforço seis vezes menor do que São Paulo. A gente não pode abandonar os bolsões de mais pobreza e vulnerabilidade. Se, nesse momento, conseguirmos investir nisso, a gente caminha para um cenário muito otimista. Se continuarmos priorizando a política centralizada, olhando apenas para o Sul e Sudeste, dificilmente conseguiremos ter isso sob controle no primeiro semestre”, pondera.

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