Hiperidrose: manicure conta como excesso de suor nas mãos afeta rotina

O excesso de suor afeta milhões de brasileiros e pode gerar desconfortos tanto no ponto de vista físico como mental. Conheça tratamentos

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Foto de Beatriz Mora, manicure com excesso de suor nas mãos 3
1 de 1 Foto de Beatriz Mora, manicure com excesso de suor nas mãos 3 - Foto: Reprodução/Acervo pessoal

A manicure Beatriz Mora, hoje com 39 anos, é acostumada desde a infância a carregar consigo uma toalhinha para secar o excesso de suor de suas mãos. “Minha primeira lembrança é da escola, minha folhas ficavam feias no caderno de tanto que eu suava”, lembra a moradora de Curitiba (PR).

O excesso de suor nas mãos e nos pés levou Beatriz a adaptar toda a vida. Trabalhando como manicure, ela usa luvas em tempo integral e a cada cliente nova, quando troca o par, sua mão está coberta de suor. “Às vezes, as clientes brincam que dá para ver a gota de suor escorrendo para o meu braço”, conta.

O que leva ao excesso de suor?

A condição de Beatriz é chamada de hiperidrose e costuma atingir a palma das mãos e a planta dos pés. Estima-se que de 1 a 3% da população brasileira conviva com ela. O suor excessivo persiste mesmo no frio, intensificando-se com as temperaturas altas e também com situações de estresse.

A dermatologista Vanessa Nunes, também de Curitiba, explica que o distúrbio surge de glândulas sudoríparas écrinas hiperativas, concentradas em mãos e pés. “Fatores como genética, ansiedade e alterações hormonais, especialmente na adolescência, disparam a produção anormal de suor e casos graves podem até descamar a pele”, alerta a médica.

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Para poder trabalhar como manicure, ela usa várias luvas todos os dias
Ela diz já ter tentado diversos tratamentos caseiros, mas teme as intervenções mais profundas
Beatriz Mora, 39 anos, enfrenta a hiperidrose desde a infância
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Beatriz Mora, 39 anos, enfrenta a hiperidrose desde a infância

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Para poder trabalhar como manicure, ela usa várias luvas todos os dias
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Para poder trabalhar como manicure, ela usa várias luvas todos os dias

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Ela diz já ter tentado diversos tratamentos caseiros, mas teme as intervenções mais profundas
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Ela diz já ter tentado diversos tratamentos caseiros, mas teme as intervenções mais profundas

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Impactos invisíveis

Além do desconforto físico, a condição gera constrangimento. Um estudo publicado na revista Anais Brasileiros de Dermatologia revelou que 72% das mulheres com hiperidrose evitam atividades sociais. Foi o que aconteceu com Beatriz na adolescência.

As mulheres são mais afetadas: um estudo do Ambulatório de Dermatologia do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo analisou 1,5 mil pacientes com idades entre 18 e 65 anos. Desses, 73 foram diagnosticados com hiperidrose primária (4,8% do total) — 57 eram mulheres (78%) e 16, homens (21%).

“Além de causar desconforto, constrangimento e dificuldades nas relações interpessoais e profissionais, a sudorese excessiva pode facilitar o surgimento de infecções fúngicas, como micose e candidíase, e bacterianas, além de agravar quadros de dermatite de contato e atópica”, explica a dermatologista Fabíola Rosa Picosse, da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD/SP).

Suor também nos pés

A hiperidrose também atinge os pés de Beatriz. Por isso, ela usa sapatos fechados mesmo no verão para evitar o constrangimento de acumular sujeira neles. Na adolescência ela teve mau odor nos pés e, por isso, o cuidado se tornou diário, com o uso de talco (que ela usa dois tubos por mês) e lavagem constante com vinagre e bicarbonato de sódio para evitar a proliferação de bactérias.

“A hiperidrose aumenta as chances de bromidrose, como chamamos o chulé. Por isso, ao diminuirmos a quantidade de suor, diminuímos as chances de proliferação bacteriana e, consequentemente, o mau odor. Mas, dependendo da causa, podem ser indicados tratamentos específicos para o mau odor, como o uso de produtos com antibióticos”, explica a dermatologista Elisangela Pegas, também da SBD/SP.

Tratamentos e limites

Há possibilidades de tratamento para a condição, mas elas costumam ser limitadas. As opções vão desde o uso de antitranspirantes com cloreto de alumínio específicos para uso nas mãos e nos pés até a aplicação de toxina botulínica, que bloqueia nervos temporariamente.

Outros procedimentos, como a cirurgia de simpatectomia (um corte de nervos específicos), podem diminuir a hiperidrose nas mãos e nos pés, mas o paciente corre o risco de ter sudorese compensatória em outras áreas do corpo.

Para especialistas, terapias combinadas e acompanhamento psicológico são essenciais para romper o ciclo de ansiedade e suor excessivo.

Neste cenário, Beatriz se adapta. “Já tentei todas as receitas caseiras do mundo e vários produtos, mas eles diminuem muito pouco o meu suor. Poderia até fazer o tratamento com botox ou a cirurgia, mas tenho medo de que isso limite o movimento da minha mão, que é literalmente minha ferramenta de trabalho”, conclui Beatriz.

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