Tumores podem usar antioxidante como combustível, mostra estudo
Pesquisa revela que células cancerígenas consomem glutationa, antioxidante do organismo, como combustível para tumores
atualizado
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Pesquisadores descobriram que células cancerígenas conseguem usar um antioxidante produzido pelo próprio organismo como fonte de energia para crescer. A descoberta ajuda a explicar como os tumores obtêm nutrientes e pode orientar o desenvolvimento de terapias que bloqueiem esse processo.
O estudo foi conduzido por cientistas do Instituto de Câncer Wilmot, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Nature em 18 de março. A pesquisa investigou o papel da glutationa, uma molécula conhecida principalmente por proteger as células contra danos.
Como o tumor utiliza a substância
A glutationa é um antioxidante produzido naturalmente pelo corpo e também vendido como suplemento alimentar. Durante anos, os estudos se concentraram principalmente em seu papel na proteção contra danos celulares.
A nova pesquisa indica que, dentro do ambiente do tumor, a molécula pode desempenhar outra função. Ao analisar o líquido presente em tumores de mama doados para pesquisa, os cientistas encontraram grandes quantidades de glutationa, o que sugeriu que o composto estava sendo consumido ativamente pelas células cancerígenas.
Para confirmar essa hipótese, a equipe utilizou modelos experimentais de câncer de mama e observou que os tumores cresciam mais lentamente quando a capacidade de utilizar a glutationa era bloqueada.
“Talvez precisemos reexaminar a despensa da qual o câncer depende e analisar substâncias que nunca imaginamos que pudessem servir de alimento para tumores”, afirmou Harris.
Possível estratégia para novos tratamentos
A descoberta abre novas possibilidades para o desenvolvimento de terapias que impeçam os tumores de acessar esse tipo de combustível. Os pesquisadores já identificaram um medicamento candidato que pode interferir no processo e agora investigam maneiras de aprimorar o composto.
O objetivo é encontrar formas de bloquear o uso da glutationa pelas células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis.
Os autores também destacam que a descoberta não significa que alimentos ricos em antioxidantes devam ser evitados. Uma alimentação equilibrada, com frutas e vegetais, continua sendo considerada importante para a saúde.
“Ainda estamos descobrindo novos aspectos da biologia da glutationa e esperamos que esse conhecimento possa ajudar no desenvolvimento de novas terapias contra o câncer”, diz Harris.
Segundo os pesquisadores, os resultados também sugerem que muitos tumores podem depender desse tipo de nutriente, o que reforça a importância de entender melhor como as células cancerígenas obtêm energia dentro do organismo.















