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Nova diretriz muda tratamento da obesidade e foca no risco cardíaco

Documento propõe avaliar risco cardiovascular além do peso, definindo metas de perda e ampliando opções de terapias

atualizado

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Homem jovem com sobrepeso sentindo dor no peito enquanto está sentado no sofá em casa. Metrópoles
1 de 1 Homem jovem com sobrepeso sentindo dor no peito enquanto está sentado no sofá em casa. Metrópoles - Foto: urbazon/Getty Images

A obesidade, mais do que um fator de risco, é uma doença diretamente ligada ao desenvolvimento de complicações metabólicas e cardiovasculares. Reconhecendo essa realidade, cinco sociedades médicas brasileiras lançaram nesta sexta-feira (19/9) a primeira diretriz nacional voltada ao tratamento da obesidade e à prevenção de doenças do coração.

Idealizado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), o documento foi desenvolvido em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Academia Brasileira do Sono (ABS).

Avaliação além do peso

A principal mudança está no deslocamento do foco exclusivo no índice de massa corporal (IMC). Agora, a indicação de tratamento deve se basear no risco cardiovascular real de cada paciente, avaliado com ferramentas clínicas como o escore PREVENT.

Segundo Marcello Bertoluci, endocrinologista e coordenador da diretriz, a proposta permite personalizar a conduta.

“É possível ter um paciente com obesidade avançada e risco cardiovascular relativamente baixo, enquanto outro, apenas com sobrepeso, pode já apresentar alto risco. A avaliação clínica ajuda a diferenciar esses perfis e indicar a melhor abordagem”, explica.

Com essa mudança, pacientes entre 30 e 70 anos com sobrepeso ou obesidade passam a ser avaliados e divididos em grupos de risco — baixo, moderado ou alto — para eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Essa forma de classificação, chamada de estratificação de risco, orienta o tipo e a intensidade do tratamento mais adequado para cada caso.

Metas e novas terapias

O documento também estabelece metas claras de perda de peso. Uma redução de 5% já traz benefícios metabólicos, como melhora da pressão arterial e do perfil lipídico. Para pessoas com risco moderado ou alto, a recomendação é buscar até 10% de perda, o que reduz a chance de eventos cardiovasculares em longo prazo.

Outra novidade é a incorporação de terapias farmacológicas mais recentes. Estudos como o SELECT mostraram que a semaglutida, um análogo do GLP-1, reduziu em 20% a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores em pessoas com sobrepeso ou obesidade. A tirzepatida, por sua vez, tem apresentado resultados consistentes na perda de peso e no manejo de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.

Para a endocrinologista Cynthia Valério, uma das autoras, a diretriz representa um avanço importante. “Todo paciente com sobrepeso ou obesidade deve ter o risco cardiovascular avaliado, e a escolha do tratamento precisa estar ligada a esse risco. Essa mudança permite uma abordagem mais precoce e assertiva”, afirma.

Prevenção precoce

Outro ponto central é a atenção primária, onde a maior parte dos pacientes com obesidade é atendida antes de apresentar complicações. “Prevenção primária é onde está o maior impacto clínico e econômico, porque impede o primeiro evento cardiovascular e reduz drasticamente o custo social da obesidade não tratada”, reforça Bertoluci.

O lançamento da diretriz acontece em um momento em que o excesso de peso já atinge 68% dos adultos no Brasil, e 31% vivem com obesidade. Só em 2021, mais de 60 mil mortes prematuras no país foram atribuídas ao problema. Os números reforçam a urgência de integrar a obesidade às estratégias de prevenção de doenças crônicas e de garantir condutas cada vez mais individualizadas.

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