Desinformação e atraso dos pais criam “vácuos” na imunização

Ministério da Saúde está elaborando nova estratégia para aumentar a adesão dos responsáveis ao Programa Nacional de Imunizações

atualizado 18/04/2019 10:36

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São Paulo – Apesar de o Brasil ter um dos principais programas de vacinação do mundo, há vácuos na estratégia de imunização por conta da falta de frequência dos pais nos postos de saúde e da desinformação da população sobre a necessidade de manter a carteira em dia em qualquer fase da vida. A afirmação foi feita por representante do Ministério da Saúde durante evento para jornalistas organizado pela Sociedade Brasileira de Imunizações, realizado nessa quarta-feira (17/04/19).

De acordo com Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), há vacinas disponíveis na rede pública em todo o país, mas, por acreditarem que algumas doenças estão erradicadas, como o sarampo, os responsáveis optam por não imunizar as crianças. Ela afirma, ainda, que o movimento antivacinas existe no Brasil, mas sem a força que tem na Europa e nos Estados Unidos.

“Há uma falsa segurança de que as doenças não ocorrem mais. As pessoas acabam buscando a imunização quando há surto, quando o assunto está na mídia”, explica a representante do Ministério da Saúde. Apesar de erradicadas, as doenças podem voltar caso a cobertura da imunização caia: um exemplo recente é justamente o sarampo.

Se o comportamento não for alterado, em breve algumas enfermidades, como a poliomielite, podem voltar a assombrar o país. “Isso significa mais leitos ocupados no hospital e menos espaço para cuidar de pacientes com câncer e outras doenças”, completa.

Atraso
Outro problema é a vacinação tardia. “Muitas crianças começam o sistema vacinal fora da idade. Na meningite, por exemplo, o risco é maior naqueles com menos de 1 ano de idade. Se for vacinar com 2 anos, há chances de contato com o agente antes disso. Não adianta estar atualizado, é preciso que seja na data certa”, ensina a epidemiologista.

Muitas vezes a família até leva a criança pra se vacinar, mas não volta para o reforço. No primeiro ano de vida, o Brasil tem 82% de cobertura no esquema de duas doses, mas só 76% voltam. É importante salientar que essas crianças não estão protegidas.

Os especialistas também destacam a importância da caderneta de vacinação em dia para outras faixas etárias. “Em cada faixa etária da vida há pelo menos uma vacina a ser tomada. A imunização vai além da criança, que é mais vulnerável, até outros grupos para complementar a ação, para atingir o controle e a eliminação de doenças. Começamos a vacinação no grupo onde temos a maior morbidade, mas isso não é suficiente”, diz.

No caso da meningite, por exemplo, pelo menos 10% da população possui a bactéria na garganta, ainda que em cepas pouco agressivas ou desativadas pelo próprio sistema imunológico. Mas o adulto sem sintomas pode transmitir a doença para bebês, o público que mais morre devido a doença. Por isso, adolescentes (faixa etária que mais transmite) devem tomar a vacina.

Para garantir que a população esteja segura e que doenças vindas de outro país não se instalarão, é importante garantir a imunização dos grupos de risco. Em algumas vacinas, por exemplo, é preciso imunizar 95% da população para garantir que 100% estejam seguras. Por isso, é preciso administrar, pelo menos, as vacinas disponíveis no SUS – são as 19 mais importantes. Na rede particular, há, ainda, outras opções disponíveis sugeridas pelas sociedades médicas.

Dificuldade
Segundo Carla, um dos maiores desafios que está em vias de ser solucionado é o horário de atendimento dos centros de saúde públicos. Os locais, que abrigam salas de vacinação, só abrem as portas em horário comercial e não funcionam durante o almoço, tornando complicada a missão dos responsáveis pelas crianças. A expectativa do Ministério da Saúde é que o horário seja expandido até o segundo semestre de 2019, com a criação de um terceiro turno para atender as famílias.

A repórter viajou a convite da SBIm.

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