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Em 1º de setembro de 2016, a Polícia Civil deflagrou a Operação Mr. Hyde e desarticulou um esquema criminoso formado por hospitais, médicos e empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Treze pessoas foram presas e R$ 500 mil apreendidas. Mais de um ano depois, o processo criminal continua avançando. Recentemente, uma delação premiada homologada pela Justiça reafirmou as fraudes praticadas pela máfia que lesava planos de saúde e deixou pelo menos 100 pessoas mutiladas.

O relato do ex-empresário Edson Luiz Mendonça Cabral aos promotores e delegados que trabalham no caso narra, com detalhes, o funcionamento da engrenagem que movimentava o mercado clandestino na capital do país. Cabral era dono da Spinetech — empresa distribuidora dos materiais cirúrgicos — e alegou que, para sobreviver no ramo, teve de se render ao pagamento de propinas.

Com pouco tempo no mercado, ele justificou que a situação da empresa ficou insustentável, pois era coagido a pagar propina de 30% aos médicos mesmo sem o recebimento do repasse das operadoras de plano de saúde.

“O pagamento de propina era algo que não podia ser negligenciado, sob pena de o médico deixar de trabalhar com a empresa. Na verdade, sempre acabávamos ficando em dívida com os médicos, pois não tínhamos capital de giro para pagá-los”, revelou Cabral, que atualmente abandonou o ramo de próteses e trabalha como motorista.

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De acordo com o promotor Maurício Miranda, da Promotoria de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários dos Servidores de Saúde (Pró-Vida), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, os pacientes eram vistos como “projetos econômicos”  pelos integrantes da organização. “As investigações continuam em andamento e estamos juntando o máximo de provas para conseguirmos as condenações”, disse.

Dinheiro no bolso
Na prática, o esquema que fraudava os planos de saúde – lesados ao pagarem caro por próteses de baixa qualidade e até por equipamentos que jamais eram usados – enchia os bolsos dos profissionais de medicina. “Quem ganhava mais era o médico, porque entrava com o dinheiro limpinho no bolso, já que a empresa, além de ter de adquirir o material, tinha custos administrativos e impostos a pagar, assim como o hospital, já que o médico recebia o dinheiro diretamente, sem necessidade de declarar”, afirmou.

Cabral ressaltou que sua empresa começou a funcionar em 2014 e, dois anos depois, estava falida. Boa parte do déficit financeiro, segundo o relato, era agravado pelo alto suborno exigido dos cirurgiões. Quanto mais materiais caros eram usados, maior era a propina recebida por eles. Estima-se que o grupo lucrava até R$ 50 mil em algumas intervenções desnecessárias.

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O esquema
Segundo a investigação dos promotores e dos policiais civis da Divisão de Combate ao Crime Organizado (Deco), o grupo usava os procedimentos para ganhar cada vez mais dinheiro. Entre as 13 pessoas presas na Operação Mr. Hyde, estão médicos e representantes de empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais.

Autorizada pela 2ª Vara Criminal de Brasília, o trabalho foi desencadeado por meio de uma parceria entre as promotorias de Defesa da Vida (Provida) e de Proteção ao Sistema de Saúde (Prosus). Vinte e um promotores participaram da ação.

Segundo as investigações, cerca de 60 pacientes foram lesados em 2016 somente por uma empresa, a TM Medical, de propriedade do médico Johnny Wesley, apontado como líder no bando. O esquema teria movimentado perto de R$ 30 milhões em cirurgias, compra de equipamentos e pagamento de propinas.

Há casos de pacientes submetidos a sucessivas cirurgias desnecessárias. A exposição dos pacientes tinha como único intuito aumentar o lucro da quadrilha. Em outras situações, produtos vencidos eram utilizados nas operações. Há, ainda, casos em que próteses mais caras eram substituídas por outras mais baratas.

 

 

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