Declínio na memória pode começar a partir da meia idade, sugere pesquisa
Estudo com ressonância mostra que adultos passam a confundir associações já na meia-idade, mesmo mantendo a sensação de familiaridade

Pequenos lapsos de memória costumam ser associados ao envelhecimento, mas mudanças nesse processo podem começar antes do esperado. Um estudo da Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, indica que alterações já aparecem na meia-idade, especialmente na forma como o cérebro conecta informações.
A pesquisa foi publicada em 7 de julho na revista Cerebral Cortex e analisou como diferentes faixas etárias formam e recuperam memórias.
O estudo reuniu cerca de 60 adultos, entre 18 e 74 anos. Os participantes observaram rostos associados a objetos ou cenas e, após alguns minutos, precisaram lembrar qual combinação era correta. Durante o teste, a atividade cerebral foi monitorada por ressonância magnética, com foco no hipocampo, região ligada à memória.

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Ver todasO experimento simula etapas comuns do funcionamento da memória. Primeiro, o cérebro registra a informação. Em seguida, reforça essa lembrança por um curto período. Depois, tenta recuperá-la quando necessário.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaOs pesquisadores queriam entender como a idade interfere nesse processo, principalmente na ligação entre as informações.
Erros aumentam com a idade
Os resultados indicaram uma queda na precisão das respostas a partir da vida adulta até a faixa dos 50 anos. Na prática, os participantes de meia-idade lembravam que já tinham visto os rostos e imagens, mas confundiam as associações.
“Eles sabem que já viram todas elas antes, mas o desafio é lembrar da ligação específica”, afirmou o psicólogo Ian McDonough, coautor do estudo, em comunicado.
Esse tipo de erro dá a sensação de familiaridade sem que a lembrança esteja completa, como reconhecer algo sem conseguir identificar exatamente de onde.
O que acontece no cérebro
A análise da atividade cerebral trouxe um resultado inesperado. Em adultos mais jovens, os erros estavam ligados à falta de ativação dos padrões originais da memória. Já entre os mais velhos, o cérebro mostrava uma reativação intensa dessas memórias — mesmo quando a resposta estava errada.
“Quanto mais o hipocampo é reativado de forma semelhante ao momento inicial, maior a chance de erro”, explicou McDonough. Isso sugere que o problema não está apenas em esquecer, mas também em recuperar informações de forma imprecisa.
Mudanças na memória ainda são pouco estudadas nessa fase
Os pesquisadores destacam que a meia-idade ainda é pouco estudada quando o assunto é memória. A maioria das pesquisas se concentra em jovens ou idosos, o que deixa lacunas sobre esse período intermediário.
Para a equipe, acompanhar pessoas ao longo dos anos pode ajudar a identificar quando essas mudanças começam e como evoluem.
A conclusão dos autores é que a memória não se altera de forma repentina na velhice, mas passa por mudanças graduais ao longo da vida adulta, com sinais já perceptíveis antes dos 60 anos.



