Unicef: número de crianças obesas supera o de desnutridas pela 1ª vez

No Brasil, a taxa de crianças e adolescentes obesos disparou nos últimos 25 anos, passando de 5% para 15%

atualizado

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Criança bebendo refrigerante na garrafa - Metrópoles
1 de 1 Criança bebendo refrigerante na garrafa - Metrópoles - Foto: Getty Images

Pela primeira vez na história, o número de crianças e adolescentes obesos no mundo superou o de desnutridos. Entre os anos 2000 e 2025, a prevalência de desnutrição infantojuvenil diminuiu de 13% para 9,2%. No mesmo período, a porcentagem de obesidade subiu de 3% para 9,4%. Os dados foram divulgados nessa quarta-feira (10/9) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O levantamento revela que uma a cada cinco crianças ou adolescentes com idades entre 5 a 19 anos está acima do peso no mundo, representando quase 391 milhões de pessoas. Entre elas, cerca de 188 milhões estão na faixa da obesidade. O cenário só não foi visto na África Subsaariana e no Sul da Ásia, onde existem mais jovens desnutridos.

A obesidade eleva o risco de resistência à insulina, pressão alta, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como no pâncreas e fígado.

O Brasil aparece no relatório como um dos países que mais representa a mudança nesse panorama. Em 2000, 5% da população infantojuvenil estava na faixa da obesidade, contra 4% na da desnutrição. Em 2022 a obesidade disparou, chegando a 15% e a desnutrição diminuiu para 3%. A taxa de crianças e adolescentes com sobrepeso também cresceu, passando de 18% para 36%.

O relatório Alimentando o Lucro: como os Ambientes Alimentares Estão Falhando com as Crianças foi desenvolvido a partir dos dados de mais de 190 países. Eles apontam que países das Ilhas do Pacífico tiveram a maior prevalência de obesidade nessa faixa etária, atingindo 30%.

A prevalência também é alta em países de alta renda. A porcentagem de jovens obesos é de 27% no Chile e 21% nos Estados Unidos e Emirados Árabes.

Mais consumo de produtos ultraprocessados

A troca na dieta de alimentos naturais por ultraprocessados é apontada como a principal causa para o problema. O estudo mostra que as escolhas alimentares do público infantojuvenil são bastante influenciadas pelo marketing feito pelas empresas. “Esses produtos dominam comércios e escolas. A indústria de alimentos e bebidas tem acesso poderoso ao público jovem”, alerta a publicação

Níveis alarmantes de obesidade podem prejudicar a saúde e o desenvolvimento de crianças. “Os alimentos ultraprocessados estão substituindo cada vez mais frutas, vegetais e proteínas, justamente quando a nutrição desempenha um papel crítico no crescimento, desenvolvimento cognitivo e saúde mental das crianças”, explica Catherine Russell, diretora Executiva do Unicef, em comunicado.

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Esses alimentos prejudicam a saúde por conter ingredientes danosos, como corantes, conservantes e aromatizantes
Doces e refrigerantes são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados com muito açúcar
Alimentos ultraprocessados são considerados os "vilões" da saúde
Alimentos ultraprocessados
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Alimentos ultraprocessados

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Esses alimentos prejudicam a saúde por conter ingredientes danosos, como corantes, conservantes e aromatizantes
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Esses alimentos prejudicam a saúde por conter ingredientes danosos, como corantes, conservantes e aromatizantes

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Doces e refrigerantes são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados com muito açúcar
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Doces e refrigerantes são alguns exemplos de alimentos ultraprocessados com muito açúcar

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Alimentos ultraprocessados são considerados os "vilões" da saúde
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Alimentos ultraprocessados são considerados os "vilões" da saúde

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Medidas são urgentes para diminuir a obesidade

Além do esforço familiar, é necessário a adoção de políticas públicas para enfrentar a obesidade infantil. Regulação da publicidade, taxação de ultraprocessados e maior acessibilidade a alimentos saudáveis são algumas medidas eficazes.

“Não se trata apenas de força de vontade. A questão envolve biologia e ambiente. Por isso, a prevenção precisa ser encarada com urgência”, afirma a médica Maria Edna de Melo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

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