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Saúde

Covid-19: primeira geração de vacinas pode ter só um ano de eficácia

Especialistas alertam que lentidão na vacinação pode favorecer o surgimento de novas variantes, exigindo a atualização das fórmulas

30/03/2021 11:42, atualizado 30/03/2021 11:50
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seringa

Uma pesquisa com 77 epidemiologistas e virologistas de algumas das principais instituições acadêmicas do mundo faz um alerta para o mundo com relação às vacinas contra a Covid-19. Para dois terços dos especialistas ouvidos no levantamento, os imunizantes existentes hoje podem ter somente um ano de eficácia contra a doença, ou talvez ainda menos, antes que o vírus sofra novas mutações. O estudo foi conduzido pela coalizão The People’s Vaccine Alliance.

O curto prazo de validade dos imunizantes deve-se ao fato de a vacinação em alguns países não estar progredindo com a rapidez necessária para impedir novas variantes do Sars-CoV-2.

Quanto mais o vírus sofre novas mutações, maiores as chances das vacinas já existentes tornarem-se ineficazes — o que exigiria o desenvolvimento de novas fórmulas. Ao mesmo tempo, os países pobres estão sendo deixados para trás, sem vacinas e suprimentos médicos básicos como oxigênio.

Dos 77 participantes, 66,2% afirmaram que teremos um ano ou menos antes de o coronavírus sofrer mutação a ponto de tornar ineficaz a maioria das vacinas de primeira geração. Destes, 18,2% acreditam que temos seis meses ou menos e 32,5% disseram nove meses ou menos.

Para 88% dos participantes do estudo, a baixa cobertura vacinal persistente em muitos países tornaria mais provável o aparecimento de mutações resistentes à vacina. Segundo os especialistas, se a vacinação contra a Covid-19 continuar no ritmo atual, é provável que apenas 10% da população de países pobres seja vacinada em 2022.

Veja como é o funcionamento das vacinas contra a Covid-19:

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Fim do monopólio

Quase três quartos (74%) dos entrevistados acreditam que o compartilhamento aberto de tecnologia e propriedade intelectual pode aumentar a cobertura global de vacinas. O grupo de especialistas pede o fim dos monopólios farmacêuticos e o compartilhamento de tecnologia para aumentar urgentemente o fornecimento de imunizantes.

“Como aprendemos, os vírus não se importam com as fronteiras. Temos que vacinar o máximo de pessoas possível, em todo o mundo, o mais rápido possível. Por que esperar e assistir em vez de se antecipar a isso?”, afirmou Devi Sridhar, professor de Saúde Pública Global da Universidade de Edimburgo, em entrevista ao ReliefWeb.

A coalizão People’s Vaccine Alliance reúne mais de 50 organizações, como a Aliança Africana, Oxfam, Public Citizen e UNAIDS. Os participantes incluem epidemiologistas, virologistas e especialistas em doenças infecciosas de instituições como Johns Hopkins, Yale, Imperial College, Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, Universidade de Cambridge, Universidade de Edimburgo e Universidade da Cidade do Cabo.

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