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Médicos alertam que uso de cosméticos falsos pode causar danos à saúde

Médicos explicam que o uso contínuo dos produtos também pode gerar consequências de longo prazo. Saiba como identificar

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Conjunto de maquiagem com vista superior sobre fundo rosa pastel. Pincéis, batons, pó facial, blushes, esponjas, sombras e esmaltes. Metrópoles
1 de 1 Conjunto de maquiagem com vista superior sobre fundo rosa pastel. Pincéis, batons, pó facial, blushes, esponjas, sombras e esmaltes. Metrópoles - Foto: Anna Efetova/Getty Images

O mercado de cosméticos é um dos mais fortes do país e alcança públicos de todas as idades. Ao lado dessa expansão, cresce também a oferta de produtos falsificados, facilmente encontrados no Brasil, que vão de maquiagens e perfumes a itens para o cabelo. O que muitas pessoas não percebem é que o uso desses produtos pode trazer riscos reais à saúde.

Médicos entrevistados pelo Metrópoles explicam que, ao contrário dos itens regularizados, cosméticos falsificados não passam por testes de segurança nem seguem padrões mínimos de higiene, o que abre espaço para reações adversas e infecções.

De acordo com a dermatologista Melissa Maeda, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, o contato com cosméticos falsificados pode desencadear uma série de problemas cutâneos.

Irritações, dermatites alérgicas, queimaduras químicas e infecções estão entre as reações mais comuns. Em alguns casos, os danos podem deixar marcas permanentes na pele.

“A presença de substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e arsênico é um dos maiores riscos. Além disso, esses produtos podem estar contaminados por bactérias, fungos e até vírus”, explica.

O infectologista Gabriel Takahara, da Doctoralia, acrescenta que as infecções associadas ao uso desses cosméticos variam conforme o microrganismo presente na formulação.

“As mais frequentes são infecções de pele, como foliculite, impetigo, abscessos, feridas que não cicatrizam e piora da acne. Também são comuns infecções por fungos, que causam micoses, coceira, descamação e manchas”, afirma.

Segundo ele, pessoas com imunidade mais baixa ou pele lesionada podem desenvolver quadros mais graves, com risco de disseminação da infecção e necessidade de atendimento hospitalar.

Regiões como olhos, lábios e mucosas representam um risco ainda maior. Takahara explica que essas áreas são mais sensíveis e têm menos barreiras naturais de proteção.

“Nos olhos, o uso de cosméticos contaminados pode causar conjuntivite, infecções da córnea e, em casos mais graves, lesões permanentes na visão. Nas mucosas, o risco inclui inflamações intensas, dor, feridas e dificuldade de cicatrização”, diz.

Por isso, produtos aplicados nessas regiões exigem controle rigoroso de qualidade, algo inexistente na produção de cosméticos falsificados.

Danos que podem se tornar permanentes

O uso contínuo desses produtos também pode gerar consequências de longo prazo. A dermatologista Melissa alerta que a exposição repetida a substâncias inadequadas pode resultar em alterações duradouras na pele e nos cabelos.

“Podem surgir cicatrizes, manchas mais escuras ou mais claras que a pele, envelhecimento precoce, além de queda de cabelo, fragilidade dos fios e quebra excessiva”, afirma.

Por que a contaminação é tão frequente?

Cosméticos falsificados costumam apresentar maior risco de contaminação porque são produzidos sem qualquer controle sanitário. Takahara explica que esses produtos geralmente utilizam matérias-primas de origem desconhecida e são fabricados em locais sem higiene adequada.

“Eles não passam por testes de qualidade, muitas vezes não têm conservantes suficientes e são transportados e armazenados de forma inadequada. Isso favorece a proliferação de bactérias e fungos capazes de causar infecções na pele, nos olhos e até quadros mais graves”, detalha.

Quando a infecção pode se agravar

Segundo o infectologista, a evolução para quadros mais graves acontece principalmente quando o produto é aplicado sobre pele machucada, inflamada ou após procedimentos estéticos, como peelings, microagulhamento ou cirurgias.

“O risco também é maior quando o cosmético é usado em olhos, mucosas ou áreas íntimas. Pessoas idosas, diabéticas, gestantes, pacientes oncológicos ou vivendo com HIV podem ter infecções mais intensas e difíceis de tratar”, alerta.

O uso repetido do produto contaminado e a demora para buscar atendimento médico também contribuem para a piora do quadro.

Como identificar um cosmético falso e o que fazer ao notar uma reação

Alguns sinais podem ajudar o consumidor a desconfiar da procedência do produto. Preços muito abaixo do praticado no mercado, embalagens de baixa qualidade, erros de ortografia, cheiro forte ou desagradável e mudanças na textura ou na cor costumam indicar falsificação.

“A ausência de informações claras sobre o fabricante ou de registro também é um alerta importante”, diz a médica.

Ao perceber qualquer reação após o uso de um cosmético suspeito, a recomendação é interromper imediatamente a aplicação. “Lavar a área afetada com água e sabão e procurar um dermatologista para avaliação e tratamento adequado é fundamental”, orienta Melissa.

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