Compostos de árvore brasileira podem ajudar no combate à Covid-19
Substâncias da copaíba-vermelha bloqueiam entrada e replicação do vírus e podem abrir caminho para novos antivirais
atualizado
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Um estudo internacional com liderança brasileira constatou que substâncias presentes nas folhas da planta Copaifera lucens, a copaíba-vermelha, têm ação antiviral potente e atuam em diferentes etapas do ciclo do SARS-CoV-2. A descoberta foi publicado na revista científica Scientific Reports em fevereiro deste ano e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Conforme identifica a pesquisa, os chamados ácidos galoilquínicos (GQAs) – componentes retirados das folhas da copaíba – conseguem inibir a entrada do vírus nas células, bloquear sua replicação e reduzir a produção de proteínas virais — um conjunto de ações considerado promissor no desenvolvimento de novos medicamentos.
Ação em múltiplas etapas do vírus
Os testes indicaram que os compostos têm alta eficácia e baixa toxicidade. Em laboratório, os GQAs foram capazes de reduzir em até 93% a presença do vírus em determinadas concentrações. Além disso, interferiram diretamente em etapas essenciais da infecção, como a adesão do vírus às células humanas e sua multiplicação.
Segundo os pesquisadores, o diferencial está justamente na atuação “multialvo”. Isso significa que, ao contrário de muitos antivirais que atuam em apenas uma proteína do vírus, esses compostos atingem diferentes mecanismos ao mesmo tempo.
“Um aspecto importante é o mecanismo multialvo do composto, o que reduz a probabilidade de desenvolvimento de resistência”, explica o professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP), Jairo Kenupp Bastos, um dos autores brasileiro do estudo.
Os efeitos observados foram comparáveis aos de antivirais já utilizados contra a Covid-19, como remdesivir e molnupiravir, embora ainda em fase experimental.
Potencial da biodiversidade brasileira
A escolha da espécie estudada não foi por acaso. A copaíba-vermelha é uma árvore nativa da Mata Atlântica e já vinha sendo investigada por suas propriedades farmacológicas, incluindo efeitos antifúngicos, anticancerígenos e antivirais.
Pesquisas anteriores também indicaram que compostos semelhantes podem inibir o HIV-1, reforçando o potencial dessas moléculas no combate a diferentes patógenos.
“Conseguimos entender não apenas como os compostos funcionam, mas também como atuam em nível molecular”, afirma Mohamed Abd El-Salam, que também participou do estudo.
Apesar dos resultados serem positivos, os cientistas destacam que ainda há um longo caminho até que a substância se torne um tratamento disponível. Serão necessários testes em animais e, posteriormente, em humanos, para comprovar a eficácia e a segurança da planta.
