Surto em cruzeiro: saiba como acontece a transmissão do hantavírus
Infecção associada a roedores, a hantavirose é causada pelo hantavírus e é considerada de notificação compulsória pelo risco de transmissão
atualizado
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Nas últimas semanas, o surto de hantavirose em um cruzeiro internacional que saiu da Argentina rumo à África chamou a atenção mundial. A doença, associada principalmente a roedores, raramente é transmitida entre humanos — apenas uma cepa, a Andes, que circula na Argentina e no Chile, pode passar entre pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde, a principal forma de infecção por hantavirose é a partir da inalação de aerossóis formados a partir da urina, vezes e saliva de roedores infectados.
Outras formas de transmissão são por meio de machucados ou mordidas de ratos doentes, e contato do hantavírus com a mucosa (manusear os excrementos de roedores e levar as mãos sujas à boca, nariz ou olhos).
De forma mais rara, como aconteceu no cruzeiro, a hantavirose pode ser passada entre pessoas. Nesses casos, que costumam estar associados à cepa Andes, a transmissão acontece por via respiratória em situações de contato muito próximo e prolongado.
6 dicas para se prevenir do hantavírus
- Evitar contato com fezes, urina e saliva de roedores.
- Manter ambientes limpos e ventilados.
- Redobrar os cuidados ao limpar locais fechados por muito tempo.
- Utilizar proteção ao manusear áreas possivelmente contaminadas.
- Manter vacinas em dia e atenção à saúde antes de viagens.
- Evitar viajar com sintomas infecciosos
A ciência ainda não sabe exatamente o período que uma pessoa contaminada com a cepa Andes pode transmitir o hantavírus, mas alguns estudos sugerem que os dias antes de surgirem os primeiros sintomas são os mais perigosos.
“Na maioria das vezes, a doença começa com febre, mal-estar, dores no corpo e sintomas inespecíficos. Em uma parcela menor dos casos, pode evoluir para quadros graves, com falta de ar importante, insuficiência respiratória e necessidade de internação intensiva”, afirma o infectologista Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor na Universidade São Judas/Inspirali.
Os primeiros sintomas podem aparecer de uma a cinco semanas após a infecção.
Tratamento e diagnóstico da hantavirose
O diagnóstico passa por exames laboratoriais, que podem confirmar a presença do hantavírus. Já o tratamento não é específico e deve ser avaliado caso a caso — em geral, são tratados os sintomas causados pela infecção.
A doença é de notificação compulsória imediata, e deve ser notificada em até 24h para as secretarias municipal e estadual de saúde, além do Ministério da Saúde.
