Pneumologista explica como o ronco pode impactar a saúde do corpo

Quando há uma obstrução nas vias aéreas, o ar não passa livremente pelo corpo e acontece o ronco. Qualquer incômodo no sono deve ser tratado

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Mulher com braços na cabeça enquanto homem dorme roncando - Metrópoles
1 de 1 Mulher com braços na cabeça enquanto homem dorme roncando - Metrópoles - Foto: Freepik

Dados da Associação Brasileira do Sono apontam que 40% dos adultos no Brasil roncam, porém especialistas entrevistados pelo Metrópoles são unânimes: fazer barulhos em meio ao descanso não é normal. O som pode ser um dos primeiros sinais de alerta de que algo não está bem na saúde.

O ronco ocorre quando o ar passa pela via aérea superior e tem dificuldade para circular livremente. Com a respiração parcialmente obstruída, os tecidos da garganta começam a vibrar, produzindo o som incômodo. Em alguns casos, a hipertrofia de amígdalas ou de adenoides pode provocar o barulho. A posição de dormir também pode favorecer o bloqueio das vias respiratórias.

“Roncar não é normal. Não devemos encarar esse barulho como algo comum. O ronco interrompe o sono contínuo e muitas vezes atrapalha não só a pessoa que está dormindo, mas também quem está ao lado”, explica a pneumologista Danielle Clímaco, especialista em sono e membro da Academia Brasileira de Sono (ABS).

Quando é primário, o ronco apenas produz o barulho incômodo. Mas em outros casos mais graves, ele pode ser acompanhado da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), uma condição que causa paradas respiratórias momentâneas durante o descanso.

“Os sintomas são ronco, fadiga, sonolência excessiva, cansaço, e até mesmo aquele caso em que a pessoa pega no sono facilmente, ao dirigir, por exemplo”, diz o otorrinolaringologista Rogério Caiado, do Hospital DF Star, em Brasília.

Além da apneia obstrutiva do sono, que é a condição associada ao ronco mais conhecida, o barulho também pode estar ligado a outras condições — em alguns casos, até mais graves.


Condições associadas ao ronco

  • Doenças cardiovasculares: o esforço para respirar aumenta a pressão no sangue, podendo levar a hipertensão, arritmias e insuficiência cardíaca.
  • Refluxo gastroesofágico: o esforço respiratório pode levar o ácido do estômago de volta para o esôfago e a garganta.
  • Obesidade e doenças metabólicas: o ronco provoca má qualidade e desregula hormônios da fome, causando doenças metabólicas, como obesidade
  • Doenças pulmonares: ao provocar pausas respiratórias, há uma sobrecarga no sistema e o risco de hipertensão pulmonar se eleva.

“Embora muitas vezes seja considerado apenas um problema social, o ronco pode ter implicações clínicas.  Pesquisas sugerem que ele está associado a um aumento do risco de diversas complicações cardiovasculares e cerebrovasculares, incluindo aterosclerose da artéria carótida, hipertensão, síndrome metabólica e disfunção endotelial”, afirma o neurologista André Ferreira, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

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Uma noite de sono mal dormida interfere diretamente no humor e no desempenho das atividades do dia seguinte. Além disso, os níveis de irritabilidade, ansiedade e estresse podem aumentar significativamente
Estudos mostram que o tempo ideal de horas de sono varia para cada pessoa, mas a média mundial é de seis a oito horas por noite. Durante o sono profundo, ocorre a liberação de hormônios importantes para a regulação do organismo
Muitas pessoas têm sono ruim e nem percebem isso. Na dúvida, que tal adotar algumas técnicas conhecidas como "higiene do sono"?
1. Crie uma rotina: procure deitar e levantar nos mesmos horários todos os dias, mesmo nos feriados e fins de semana
2. Durma um pouco mais cedo a cada dia: aproveite o período próximo ao fim das férias para dormir cerca de 30 minutos antes do horário que estava acostumado a ir para a cama a cada dia, até chegar no horário ideal
Quando o assunto é qualidade do sono, é necessário implementar uma rotina saudável que garanta uma boa noite de descanso. Muitas vezes, a dificuldade para dormir ou acordar cedo, por exemplo, está relacionada aos hábitos cotidianos que devem ser corrigidos
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Quando o assunto é qualidade do sono, é necessário implementar uma rotina saudável que garanta uma boa noite de descanso. Muitas vezes, a dificuldade para dormir ou acordar cedo, por exemplo, está relacionada aos hábitos cotidianos que devem ser corrigidos

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Uma noite de sono mal dormida interfere diretamente no humor e no desempenho das atividades do dia seguinte. Além disso, os níveis de irritabilidade, ansiedade e estresse podem aumentar significativamente
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Uma noite de sono mal dormida interfere diretamente no humor e no desempenho das atividades do dia seguinte. Além disso, os níveis de irritabilidade, ansiedade e estresse podem aumentar significativamente

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Estudos mostram que o tempo ideal de horas de sono varia para cada pessoa, mas a média mundial é de seis a oito horas por noite. Durante o sono profundo, ocorre a liberação de hormônios importantes para a regulação do organismo
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Estudos mostram que o tempo ideal de horas de sono varia para cada pessoa, mas a média mundial é de seis a oito horas por noite. Durante o sono profundo, ocorre a liberação de hormônios importantes para a regulação do organismo

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Muitas pessoas têm sono ruim e nem percebem isso. Na dúvida, que tal adotar algumas técnicas conhecidas como "higiene do sono"?
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Muitas pessoas têm sono ruim e nem percebem isso. Na dúvida, que tal adotar algumas técnicas conhecidas como "higiene do sono"?

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1. Crie uma rotina: procure deitar e levantar nos mesmos horários todos os dias, mesmo nos feriados e fins de semana
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1. Crie uma rotina: procure deitar e levantar nos mesmos horários todos os dias, mesmo nos feriados e fins de semana

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2. Durma um pouco mais cedo a cada dia: aproveite o período próximo ao fim das férias para dormir cerca de 30 minutos antes do horário que estava acostumado a ir para a cama a cada dia, até chegar no horário ideal
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3. Levante-se se não conseguir dormir: saia da cama se tiver dificuldade de adormecer. Faça algo relaxante como respirar fundo, ouvir música suave ou ler um livro. Recomenda-se não ligar a televisão ou mexer no celular. Só retorne para a cama quando estiver sonolento
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3. Levante-se se não conseguir dormir: saia da cama se tiver dificuldade de adormecer. Faça algo relaxante como respirar fundo, ouvir música suave ou ler um livro. Recomenda-se não ligar a televisão ou mexer no celular. Só retorne para a cama quando estiver sonolento

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4. Cama é para dormir: nunca use a cama para estudar, ler, ver TV, ficar no computador ou no celular. O corpo precisa entender que aquele é um ambiente de relaxamento
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5. Mantenha o quarto escuro: ter um quarto completamente escuro, sem luminosidade externa ou luzes de aparelhos eletrônicos facilita o sono
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5. Mantenha o quarto escuro: ter um quarto completamente escuro, sem luminosidade externa ou luzes de aparelhos eletrônicos facilita o sono

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6. Evite cochilos: limite cochilos diurnos a menos de uma hora de duração e até as 15h, para não prejudicar o sono da noite
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6. Evite cochilos: limite cochilos diurnos a menos de uma hora de duração e até as 15h, para não prejudicar o sono da noite

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7. Evite alimentos e bebidas estimulantes entre quatro e seis horas antes de deitar. Na lista entram energético, chocolate, café, refrigerantes, chás do tipo preto, verde, mate e chimarrão
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7. Evite alimentos e bebidas estimulantes entre quatro e seis horas antes de deitar. Na lista entram energético, chocolate, café, refrigerantes, chás do tipo preto, verde, mate e chimarrão

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8. Evite fazer exercícios físicos de alta intensidade nas três horas antes do horário programado para deitar. Eles podem deixar a pessoa muito alerta e atrapalhar o sono
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8. Evite fazer exercícios físicos de alta intensidade nas três horas antes do horário programado para deitar. Eles podem deixar a pessoa muito alerta e atrapalhar o sono

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9. Diminua o ritmo: separe de 15 a 30 minutos antes de deitar para relaxar e diminuir o ritmo. Desligar-se de estímulos externos ajuda a sinalizar o cérebro de que é hora de dormir
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9. Diminua o ritmo: separe de 15 a 30 minutos antes de deitar para relaxar e diminuir o ritmo. Desligar-se de estímulos externos ajuda a sinalizar o cérebro de que é hora de dormir

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10. Evite bebidas alcoólicas e cigarro: eles também prejudicam o padrão do sono
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10. Evite bebidas alcoólicas e cigarro: eles também prejudicam o padrão do sono

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Quando o ronco deve ser investigado?

Quando o ronco começa a atrapalhar a rotina de sono da pessoa que dorme ao seu lado ou até mesmo o próprio indivíduo, é essencial buscar ajuda profissional. Entre as principais queixas causadas pelo barulho que merecem uma análise mais aprofundada, estão:

  • Problemas conjugais;
  • Fadiga;
  • Fragmentação do sono;
  • Sono não reparador;
  • Sonolência excessiva.

“Sem um sono de qualidade, funções importantes como memória, raciocínio, criatividade e desempenho no trabalho ficam bastante prejudicadas”, aponta Danielle.

Ao procurar ajuda, será realizada uma avaliação clínica. Em seguida, a polissonografia, exame que monitora as funções fisiológicas, irá determinar se há apneia do sono, quantas pausas respiratórias acontecem e a gravidade do problema.

Em casos mais leves, a adoção de hábitos saudáveis resolve, pois o ronco pode estar ligado ao sobrepeso e obesidade. Já nos quadros mais graves, o uso de aparelhos especializados para tratar apneia do sono é o mais recomendado. Quando estruturas no próprio corpo atrapalham a passagem do ar, a cirurgia corretiva é a solução.

“Ao ignorar o ronco, o paciente pode estar ignorando eventos obstrutivos do sono, onde as apneias causam dessaturação do oxigênio, e que além de atrapalhar até mesmo o casamento pela incapacidade de alguns casais de dormirem juntos na mesma cama, também traz fadiga, sonolência excessiva e riscos de eventos cardiovasculares a longo prazo”, alerta Caiado.

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