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Apesar de ser uma doença associada, na maioria das vezes, a adultos e idosos, o câncer não tem idade. A qualquer momento da vida (inclusive no início dela), as células do corpo podem apresentar um problema inesperado e crescer de forma desordenada.
A criança, ocupada apenas em crescer saudável, brincar e ser feliz, começa a diminuir o ritmo, ficar doente com frequência. O adolescente, preocupado com os estudos, percebe algo estranho, mas, sem entender bem o que é, pode ignorar os sintomas. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgados em março de 2026, estima-se que, a cada ano, 400 mil crianças e adolescentes de 0 a 19 anos desenvolvam câncer.
Hoje, mesmo ocorre um quadro grave, o câncer na infância é, na maioria dos casos, tratável e, nas últimas décadas, apresenta taxas de cura cada vez maiores. Os métodos de diagnóstico evoluíram, assim como os tratamentos, que se tornaram mais modernos e menos invasivos.
A chance de sobrevivência aumentou e, com isso, cresce também outro grupo: o de jovens e adultos que carregam uma história com a doença no passado.
A vida depois da cura pode envolver acompanhamento contínuo, possíveis efeitos tardios e adaptações que variam de caso a caso. Porém, também existem pacientes que conseguem retomar a rotina sem limitações ou necessidade de tratamentos permanentes.
É o caso de Guilherme Piemonte, 22 anos. A história dele com o câncer começou antes mesmo de o menino entender o que estava acontecendo. Guilherme tinha 3 anos quando a mãe, a professora Mariana Piemonte, hoje com 51 anos, percebeu que algo não estava certo com o filho.
“Ele começou a apresentar linfonodos aumentados no pescoço e na cabeça. A princípio, achamos que poderia ser uma virose, mas o inchaço cresceu muito rápido”, lembra.
Em poucos dias, os gânglios aumentaram de tamanho. Mariana procurou um pediatra, que pediu exames de sangue. Os resultados não indicavam nenhuma alteração muito específica, mas o quadro continuava evoluindo.
O médico, então, encaminhou Guilherme para uma infectologista no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Foi durante essa consulta que a situação mudou de direção.
“Enquanto ela examinava o Gui, ele começou a chorar e teve dificuldade para respirar. A médica pediu que ele sentasse e me disse que aquilo provavelmente não era um quadro infeccioso”, conta Mariana.
A suspeita era de uma massa no mediastino, região localizada entre os pulmões. Ainda no consultório, a infectologista contatou a hematologista responsável pelo setor do hospital, que já aguardava a chegada da família.
A partir dali, tudo aconteceu rapidamente. Exames de imagem confirmaram a presença da massa, e Guilherme foi internado no mesmo dia para passar por uma série de procedimentos, incluindo biópsia dos linfonodos, punção da medula óssea e coleta de líquor.
Os exames confirmaram um quadro complexo. Além da massa no mediastino, cerca de 90% da medula óssea estava tomada por células tumorais. O diagnóstico fechado foi de leucemia linfocítica aguda de células T – um tipo raro e agressivo de câncer no sangue e na medula óssea.
Doença rara e tratamento intenso
Mariana já tinha familiaridade com o tema por causa da própria carreira acadêmica. Professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ela havia trabalhado com células tumorais durante o mestrado e o doutorado.
“O diagnóstico foi de muita dor. Eu entendia o que aquilo significava e, ao mesmo tempo, precisava continuar funcionando como mãe”, relembra.
O tratamento teve início ainda durante a internação. Guilherme passou a seguir um protocolo considerado de alto risco, com ciclos intensos de quimioterapia, períodos prolongados no hospital e acompanhamento constante da equipe médica.
“Os médicos explicaram que seria pelo menos um ano de tratamento, com semanas [em que ele estaria] internado, e outras, em tratamento ambulatorial”, relata Mariana.
Na época, Guilherme tinha apenas 3 anos e 9 meses. Sem entender completamente o que estava acontecendo, o menino passou a viver uma rotina distante da escola, das brincadeiras e do convívio com outras crianças.
“Ele não entendia por que não podia mais ir à escola. A gente dizia que existiam células do mal e que precisaríamos fortalecer os ‘soldadinhos do bem’ para combater aquilo”, lembra a mãe.
A rotina da família precisou ser completamente reorganizada. Enquanto Guilherme enfrentava o tratamento, Gustavo, o irmão mais novo, ainda era um bebê de poucos meses. “Minha mãe foi fundamental. Ela cuidou do Gustavo praticamente durante todo esse período para que pudéssemos estar no hospital”, diz a professora.
Meses depois do início do tratamento, surgiu a possibilidade de proceder ao transplante de medula óssea, previsto no protocolo adotado no caso de Guilherme. Toda a família realizou exames de compatibilidade, incluindo o irmão caçula.
O resultado surpreendeu a família. Gustavo, que ainda era bebê, apresentou compatibilidade total. “Quando saiu o resultado dizendo que ele era 100% compatível, fomos encaminhados para o Hospital de Clínicas para iniciar os protocolos do transplante”, explica Mariana.

Guilherme foi internado e passou por uma preparação intensa para o procedimento. Foram 24 sessões de radioterapia. Em alguns dias, ele precisava ser levado de ambulância a outro hospital para realizar as aplicações. Também recebeu quimioterapia específica antes do transplante.
Depois do procedimento, considerado um sucesso, sucederam-se semanas de internação e um acompanhamento rigoroso. Durante cerca de 100 dias, Mariana e o marido, Andre Luis Moretão, hoje com 54 anos, levaram Guilherme quase diariamente ao ambulatório para receber medicamentos intravenosos e monitorar a recuperação da medula.
O afastamento escolar se prolongou. Ele saiu da escola no fim de 2007 e passou os anos de 2008 e 2009 em tratamento. Nesse período, teve aulas em casa com uma professora particular, responsável por ensinar as primeiras letras ao menino.
A volta para a escola só aconteceu em 2010. Segundo a mãe, o retorno foi cercado de expectativa, mas acabou sendo mais leve do que a família imaginava. “Ele foi muito bem recebido pelos colegas e pelas professoras”, recorda.
Hoje, aos 22 anos, Guilherme leva uma vida sem limitações relacionadas à doença. Atualmente, estuda na França e está prestes a se formar em arquitetura. O jovem mantém uma rotina independente e realiza apenas exames anuais de rotina, sem necessidade de tratamento contínuo.
Ele destaca que as lembranças do período no hospital não ficaram associadas ao sofrimento.
“De maneira geral, eu me lembro das partes boas. Das brincadeiras na brinquedoteca, das enfermeiras brincando comigo e das vezes que minha família ia me visitar. Nenhuma parte traumática ficou na minha cabeça”, afirma.
Segundo Guilherme, a doença acabou deixando outra marca. “Toda vez que esse assunto aparece, mesmo sendo delicado e triste, vejo como minha família se uniu e continua unida até hoje”, diz.
Leucemia linfocítica aguda de células T
A leucemia linfocítica aguda de células T, conhecida como LLA-T, é um tipo agressivo de câncer que afeta células do sangue e da medula óssea. Embora seja mais rara do que outros subtipos de leucemia infantil, a doença tem tratamento, e as taxas de cura aumentaram nas últimas décadas.
A onco-hematologista pediátrica Adriana Seber, integrante do Comitê Médico da Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale), explica que os protocolos mudaram significativamente nos últimos anos, tanto na quimioterapia quanto no transplante de medula óssea.
“Hoje já existem estratégias com imunoterapia que vêm sendo estudadas para substituir parte da quimioterapia em alguns casos. Isso pode ajudar a reduzir efeitos adversos no longo prazo”, ressalva.
Segundo a especialista, os tratamentos também passaram a ser mais individualizados, levando em consideração o risco de cada paciente e a resposta ao longo das etapas da terapia. Apesar disso, o transplante de medula ainda é indicado em situações específicas, principalmente quando há maior risco de recaída ou resposta insuficiente à quimioterapia convencional.
Adriana ressalta que a preocupação atual não está apenas na cura da doença, mas também em como essas crianças chegam à vida adulta. “Todo tratamento quimioterápico pode trazer efeitos tardios. Os mais conhecidos envolvem alterações cardíacas, hormonais, de crescimento e fertilidade, mas praticamente todos os órgãos podem ser afetados”, explica.
Ela ressalta que os acompanhamentos continuam importantes, mesmo muitos anos após o fim do tratamento. Ainda assim, Adriana destaca que as doses de algumas medicações vêm sendo ajustadas para tentar reduzir essas consequências futuras.
Principais tipos de câncer infantil
- O câncer infantil mais comum é a leucemia, que afeta a medula óssea e a produção das células do sangue.
- O neuroblastoma é um tumor que se desenvolve em células do sistema nervoso, geralmente nas glândulas suprarrenais, e costuma surgir em crianças pequenas.
- O tumor de Wilms é um tipo de câncer que atinge os rins e aparece com mais frequência em crianças menores de 5 anos.
- Os tumores cerebrais formam um grupo de cânceres que afetam o cérebro e podem causar sintomas como dor de cabeça, vômitos e alterações neurológicas.
- O rabdomiossarcoma é um câncer que surge nos músculos e tecidos moles do corpo, principalmente na cabeça, no pescoço e na bexiga.
- Os linfomas atingem o sistema linfático e podem provocar aumento de gânglios no pescoço, nas axilas e na virilha.
- O retinoblastoma é um tumor raro que afeta a retina, parte interna do olho, geralmente em crianças menores de 5 anos.
- O osteossarcoma é o câncer ósseo mais comum na infância e adolescência, frequentemente localizado na região dos joelhos.
- O sarcoma de Ewing é um tumor raro que afeta ossos ou tecidos próximos e costuma atingir adolescentes e jovens adultos.
Qualidade de vida após o câncer
Com os avanços no tratamento, cada vez mais crianças e adolescentes diagnosticados com câncer conseguem chegar à vida adulta. Esse aumento da sobrevida também trouxe uma nova etapa de atenção: o acompanhamento de longo prazo.
Segundo Sima Ferman, chefe da oncologia pediátrica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a cura não encerra completamente o cuidado. “Uma parcela dos sobreviventes pode apresentar efeitos tardios que afetam a saúde física, mental ou social. Isso inclui dificuldades escolares, questões emocionais, alterações de autoestima e necessidade de acompanhamento médico”, explica.
Essas consequências variam de acordo com o tipo de tumor, a idade no diagnóstico e os tratamentos realizados. Em alguns casos, elas são mais discretas. Em outros, exigem adaptações ao longo da vida.
Ao mesmo tempo, nem toda trajetória causa limitações. Muitos pacientes seguem sem sequelas aparentes, como Guilherme.
“Vemos pacientes que desenvolvem autonomia, maturidade e uma relação diferente com a própria vida, especialmente quando tiveram apoio da família, da escola e da equipe de saúde”, avalia Ferman.
Além do acompanhamento médico, o cuidado abrange a orientação sobre hábitos de vida saudáveis, a discussão de questões como fertilidade e o apoio à reinserção social e profissional. Hoje, o foco vai além do tratamento da doença.
“O importante não é apenas curar, mas garantir que essas crianças e adolescentes cheguem à fase adulta com qualidade de vida e autonomia”, finaliza.
Quando o tratamento deixa mudanças permanentes
Se a trajetória de Guilherme deixou poucas marcas aparentes no longo prazo, a de Germano Hofler, 48, mostra como essa experiência pode ser diferente.
Em 1995, ele tinha 17 anos quando a dor apareceu pela primeira vez. Era uma aula de educação física, um momento comum da rotina escolar, quando sentiu um incômodo forte na perna, como se fosse uma distensão muscular. Na hora, não pareceu nada grave. Ele interrompeu a atividade e, naquela semana, tentou lidar com o incômodo, que não desaparecia.
Natural de Estrela, no interior do Rio Grande do Sul, Germano estudava em outra cidade durante a semana e só voltava para casa aos fins de semana. Nesse intervalo, tentou resolver o problema como muita gente faria. Procurou um massagista, fez alongamentos, tentou seguir a rotina. Em alguns momentos, parecia melhorar. Em outros, a dor voltava como uma pontada constante.
O tempo foi passando, mas o incômodo continuava. Foram meses convivendo com a dor na panturrilha, sempre interpretada como uma lesão muscular. Em consultas médicas, a resposta era parecida. Nada indicava, naquele momento, um quadro mais grave. “Fiquei praticamente um ano com dor, mas sempre diziam que era uma distensão”, lembra.
A situação começou a mudar quando um detalhe chamou a atenção da irmã de Germano, Carin. Ela percebeu que a perna direita dele estava diferente da esquerda – mais rígida e com um volume maior.
“Contei a ela o que tinha acontecido lá naquela aula de educação física e ela me incentivou a voltar ao médico. Disse que aquilo não era normal”, relembra.
O jovem, então, voltou ao médico com a mãe, que fez questão de um exame de imagem. O raio-x confirmou que o problema não era simples: havia uma mancha branca em volta do osso. “Dava para ver claramente que tinha alguma coisa ali”, conta Germano.
A partir disso, vieram a ressonância, a biópsia e, por fim, o diagnóstico. Tratava-se de um tumor de Ewing, um tipo raro de câncer ósseo, mais comum em crianças e adolescentes.
Sintomas comuns na adolescência
A oncopediatra Mariana Michelowski, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), explica que esse tipo de atraso no diagnóstico ainda acontece porque os primeiros sinais do sarcoma de Ewing podem se confundir com problemas muito normais da infância e adolescência.
“O sarcoma de Ewing é raro e, muitas vezes, começa com sintomas que lembram lesão esportiva, dor muscular ou até dores relacionadas ao crescimento. O que chama a atenção é quando a dor persiste, piora ou vem acompanhada de aumento de volume e limitação de movimento”, pondera.
Segundo a médica, alguns sinais precisam servir de alerta. “Dor que não melhora, dor noturna, alteração da marcha, aumento de volume e perda de função são situações que precisam ser investigadas com mais atenção”, diz.
Mariana explica que o tratamento desse tipo de tumor costuma envolver várias etapas e exige acompanhamento especializado desde o início.
“É um tumor agressivo, que normalmente precisa de tratamento combinado com quimioterapia, cirurgia e, em alguns casos, radioterapia. Mesmo quando os exames mostram doença localizada, podem existir micrometástases, então a quimioterapia já entra desde o começo do tratamento”, pontua.
Ela ressalta que o avanço dos exames também mudou a forma de conduzir esses casos. “Hoje, conseguimos definir, com mais precisão, a extensão do tumor, usando ressonância, tomografia e outros recursos que ajudam no planejamento terapêutico”, explica a oncopediatra.
Sintomas de câncer infantil mais comuns
- Dor progressiva.
- Febre sem causa aparente ou doença que não melhora.
- Dor de cabeça frequente e acompanhada de vômito.
- Alteração repentina de visão.
- Nódulo ou inchaço incomum.
- Palidez repentina e perda de energia.
- Quedas e contusões frequentes.
- Mancar ao caminhar.
- Perda de peso repentina e sem explicação.
Uma decisão difícil
O tratamento de Germano começou logo depois do diagnóstico, seguindo o protocolo disponível na época. Primeiro, foram realizadas sessões de quimioterapia para tentar reduzir o tumor. A ideia inicial era preservar a perna, retirando apenas a parte do osso afetada. Mas, durante a cirurgia, a equipe médica encontrou um cenário mais complexo do que os exames indicavam.
O tumor já havia atingido estruturas importantes, como veias e artérias. Neste cenário, não havia como garantir a retirada completa da doença mantendo o membro. A indicação médica foi pela amputação.
Segundo Mariana, situações como essa eram mais frequentes há 30 anos, quando os recursos cirúrgicos e de reconstrução ainda eram mais limitados.
“Naquele período, muitas vezes, a amputação era a forma mais segura de garantir o controle da doença. Hoje, sempre que possível, buscamos preservar o membro sem comprometer o tratamento”, afirma.
Ela explica, porém, que a amputação ainda pode ser necessária em alguns casos. “Quando há comprometimento importante de vasos, nervos ou outras estruturas essenciais, preservar o membro pode não ser viável ou não oferecer um bom resultado funcional”, diz.
A médica faz ainda uma ressalva importante sobre decisões tomadas naquela época. “Uma amputação feita em 1995 não deve ser julgada com os olhos de hoje. Muitos pacientes que sobreviveram graças ao tratamento daquela época são hoje testemunhos importantes do avanço da oncologia”, destaca.
Germano acordou da cirurgia sem saber da mudança no plano inicial. “Achei que tinha dado tudo certo. Mexi o pé e pensei que estava tudo bem”, relata.
No entanto, pouco depois, veio a explicação dos médicos. A perna precisaria ser amputada. “Foi um choque muito grande. Passei dias sem querer falar, sem comer”, relembra.
A decisão final foi dele. Depois de conversar com a família e com a equipe médica, optou por seguir com a amputação. A cirurgia foi realizada cerca de uma semana depois, acima do joelho. Em seguida, vieram novas sessões de quimioterapia. O tratamento completo durou pouco mais de um ano.

A fase seguinte foi de adaptação. Foram meses de fisioterapia até ser possível utilizar a prótese. O processo exigiu reaprender movimentos básicos, como ficar em pé e caminhar. “Em duas semanas, eu já estava andando sem muletas, mas foi um período de adaptação intensa”, detalha Germano.
Com o tempo, a prótese passou a fazer parte da rotina. Hoje, ele utiliza um modelo com joelho mecânico e consegue realizar a maior parte das atividades do dia a dia. Trabalha, dirige e mantém uma vida independente.
Na época do diagnóstico, o que mais preocupava Germano não era exatamente a perda da perna, mas o que isso significaria para o futuro: a liberdade de dirigir, trabalhar, ter autonomia.
“Eu tinha uma imagem muito limitada do que seria viver assim. Achava que minha vida tinha acabado”, conta.
Décadas depois, a percepção é outra. Mais de 30 anos após o diagnóstico, ele olha para trás com a sensação de que tomou a decisão certa, dentro das possibilidades daquele momento.
Após o fim do tratamento, Germano realizou revisões periódicas com os médicos durante cerca de cinco anos. Com o passar do tempo, os retornos ficaram mais espaçados. “Depois fui relaxando mesmo”, pontua.
Há alguns anos, ele voltou a fazer acompanhamento anual e mantém exames de rotina. Segundo ele, hoje o cuidado está mais ligado à idade do que a uma preocupação direta com o câncer.
“Já estou com 48 anos. Acho importante fazer um check-up anual. Mas sigo minha vida, trabalho, faço minhas coisas. Não é uma vida diferente, é a minha vida”, conclui.








