Com 144 leitos, Sírio-Libanês deve abrir as portas no DF em novembro

Nesta quinta-feira (26/4), gestores da unidade inauguraram a pedra fundamental das obras. Empreendimento deve custar R$ 260 milhões

atualizado 27/04/2018 8:51

Igo Estrela/Especial para o Metrópoles

Um dos maiores e mais famosos hospitais do país, o Sírio-Libanês está prestes a abrir as portas na capital federal. Previsto para ser inaugurado em novembro deste ano, será a primeira unidade da marca fora de São Paulo a concentrar as mesmas especialidades do complexo situado na capital paulista. Em Brasília, o grupo já mantém, desde 2011, o Centro de Oncologia do Distrito Federal.

As especulações sobre a ampliação do atendimento do Sírio no DF são antigas, mas a largada oficial foi dada nesta quinta-feira (26/4), com o lançamento da pedra fundamental das obras.

A cerimônia, no entanto, foi meramente figurativa. O prédio, que vai abrigar 144 leitos, já está de pé: fica na 613 Sul, no mesmo complexo de uma das unidades de diagnóstico e tratamento de câncer do centro. À oncologia, agora, juntam-se outras especialidades médicas, com o suporte de 31 unidades de terapia intensiva, seis salas de cirurgia — equipadas com máquinas e robôs de última geração — e uma de pronto-atendimento. O investimento inicial chega a R$ 260 milhões.

Em comparação ao primogênito paulista, com 469 leitos, a unidade do Centro-Oeste tem estrutura mais enxuta. A diferença, segundo diretor-geral do Sírio-Libanês, Paulo Chapchap (foto em destaque, à direita), fica por aí. Da excelência médica ao tecido dos lençóis, tudo será exatamente igual.

“Aqui existe essa história de que o melhor atendimento médico é ir para o aeroporto. Isso é uma lenda. Existe altíssima qualificação em Brasília. Os profissionais da saúde já prestam aos cidadãos um serviço excelente. O Sírio será mais uma unidade de qualidade aos pacientes da região”, acredita Chapchap. A princípio, 580 profissionais serão contratados, mas a expectativa é que o número chegue a 1,2 mil, todos da capital federal.

 

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O diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês no Brasil, Paulo Chapchap

Além de se somar à rede de hospitais privados já existente na capital, o médico acredita que o novo complexo poupará deslocamentos de pacientes que procuram o Sírio de São Paulo. “Brasília é muito mais simpática com quem precisa de tratamento. São Paulo é uma cidade quase hostil. Você sequer vê o horizonte”, diz. Com a instalação do empreendimento, ele aposta que a capital ficará mais próxima do status de “hub da saúde”, por causa da localização estratégica.

Sem classe
O comando da unidade ficará com o oncologista Gustavo Fernandes (foto em destaque, à esquerda), já responsável pelo centro de oncologia do Sírio-Libanês na cidade. Segundo o gestor, o hospital chega com o objetivo – e bala na agulha – para atender “gente doente e casos complexos”.

O hospital vai atender gente. A ideia é ajudar um grande perfil de pessoas, independentemente da classe social a que elas pertençam

Gustavo Fernandes, diretor-clínico do Hospital Sírio-Libanês em Brasília
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O oncologista e diretor clínico do HSL Brasília, Gustavo Fernandes

Em seu discurso do lançamento da placa inaugural da reforma, ele comentou que a marca “andou muito rápido” desde que chegou à capital e que o Sírio já faz parte da história da cidade. O centro de oncologia realiza, em média, 2,7 mil atendimentos mensais.

A previsão é que o hospital abra as portas em novembro, mas por etapas. Os leitos de UTI, algumas salas de cirurgia e quartos de internação serão os primeiros a funcionar. O pronto-socorro ficará para depois. “Mas será um ótimo, não essa coisa triste que costumam ser os prontos-socorros”, prometeu.

Além dos diretores do hospital, a cerimônia contou com as presenças do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), do secretário de Saúde do DF, Humberto Fonseca, e do secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco Assis Figueiredo. O Sírio também atua em frentes solidárias no DF, mantendo projetos sociais de atendimento gratuito ao público, como o fornecimento de radioterapia a crianças e adolescentes em tratamento no Hospital da Criança e a pacientes do SUS encaminhados pela Secretaria de Saúde.

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Gestores e autoridades políticas inauguraram a pedra fundamental do Sírio-Libanês em Brasília

Para o triênio 2018-2020, devem ser realizados 1,2 mil tratamentos. A iniciativa é parte do gene filantrópico do Sírio-Libanês. Em troca de isenção fiscal, a instituição “devolve” a benfeitoria ao governo na forma de tratamento a preço de custo para pacientes da rede pública.

Gene esse que, na visão de Humberto Fonseca, deve ajudar a aplacar uma carência cultural de entidades filantrópicas na área de saúde no DF. “Nunca conseguimos estimular em Brasília as entidades privadas a fazerem filantropia”, comentou o chefe da pasta.

O Sírio, então, vai melhorar muito o atendimento da saúde no DF, seja para os 70% de pessoas que usam exclusivamente o SUS ou para os 30% que são atendidos na rede particular. Seja na forma de tratamento ou na área de educação e formação de profissionais da saúde pública

Humberto Fonseca, secretário de Saúde do DF

Empregos e turismo
Para o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, além de “fortalecer o Sistema Único de Saúde” na capital, a chegada do hospital vai movimentar empregos e dinheiro na região. “Brasília será um centro de atração de pessoas que vêm para fazer seus tratamentos, gerando emprego e renda pelo turismo vinculado à saúde”, disse.

“O parente ou familiar vem junto, vai se hospedar na rede hoteleira da cidade. A vinda do Sírio-Libanês acabará atraindo outras instituições e é um passo muito firme para transformar Brasília num grande hub de saúde”, discursou o chefe do Executivo local.

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