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Cardiologista alerta: infarto feminino pode ocorrer sem dor no peito

Maioria dos casos em brasileiras apresenta sintomas atípicos. Especialistas alertam para atraso no diagnóstico e importância de saber sinais

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Close de um médico asiático maduro medindo a pressão arterial (alta ou baixa) de uma paciente em uma clínica de saúde. Conceito de assistência médica. Médico mede a pressão cardíaca de paciente coração diabetes infarto pressão alta
1 de 1 Close de um médico asiático maduro medindo a pressão arterial (alta ou baixa) de uma paciente em uma clínica de saúde. Conceito de assistência médica. Médico mede a pressão cardíaca de paciente coração diabetes infarto pressão alta - Foto: MTStock Studio/Getty Images

Para muitas mulheres, o infarto não começa com a dor intensa no peito que a maioria imagina. Segundo o cardiologista Carlos Japhet, presidente do Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os sinais mais frequentes nelas são fadiga intensa, falta de ar súbita, náuseas, dor nas costas, pescoço ou mandíbula e sensação de mal-estar geral.

“A dor no peito, quando existe, geralmente é descrita como desconforto ou pressão leve, não aquela dor lancinante típica dos homens”, explica.

Esse padrão é considerado “atípico” apenas porque os protocolos médicos históricos foram baseados em estudos predominantemente masculinos. Hoje, diretrizes internacionais reconhecem que o quadro feminino deve ser tratado com padrão próprio.

Biologia feminina e diagnóstico tardio

As diferenças não são apenas históricas. “As artérias coronárias das mulheres são mais finas e tortuosas. Muitas vezes, não há obstrução em uma artéria principal, mas sim nas menores, é o que chamamos de doença microvascular”, explica Ricardo Cals, cardiologista do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.

Hormônios como o estrogênio influenciam a resposta inflamatória e oferecem algum efeito protetor pré-menopausa, mas fatores como obesidade, tabagismo, síndrome metabólica e estresse crônico vêm antecipando eventos cardíacos em mulheres cada vez mais jovens.

Esse quadro contribui para o atraso no diagnóstico: mulheres costumam minimizar sintomas, priorizar a família ou temer parecer exageradas. Profissionais de saúde, por sua vez, podem demorar a suspeitar de infarto, especialmente em pacientes jovens e sem dor torácica típica, atrasando exames fundamentais como eletrocardiograma, dosagem de troponina e angioplastia.

Estresse crônico, dupla jornada, sedentarismo e problemas de saúde como hipertensão, diabetes e obesidade aumentam a vulnerabilidade cardiovascular. Além disso, depressão e ansiedade estão diretamente associadas a maior risco de infarto por mecanismos que envolvem inflamação sistêmica, alteração autonômica e hábitos de vida menos saudáveis.

A gestação também funciona como um “teste de estresse cardiovascular natural”. Mulheres com histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão gestacional, diabetes gestacional ou parto prematuro apresentam risco maior de eventos cardíacos futuros. “É fundamental que esses fatores sejam considerados na avaliação clínica, mesmo anos após a gestação”, alerta Japhet.

Alerta para sinais sutis

O recado dos especialistas é claro: não ignore sintomas persistentes ou incomuns. Fadiga intensa, mal-estar sem causa aparente, desconforto torácico leve, falta de ar ou sudorese súbita podem indicar infarto. No caso feminino, a rapidez no atendimento salva músculo cardíaco e reduz complicações.

Japhet reforça que a sub-representação feminina em estudos cardiovasculares ainda impacta o diagnóstico e tratamento: “Precisamos interpretar os sinais do corpo da mulher com atenção redobrada e considerar fatores de risco específicos para não subestimar um quadro potencialmente grave.”

No infarto feminino, cada minuto conta, e a rapidez na procura por atendimento é decisiva para reduzir complicações e preservar o coração.

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