Câncer que antes era raro tem aparecido mais entre jovens. Saiba qual

Estudo mostra que a incidência mundial deste tipo de câncer triplicou para nascidos após 1980 e quadruplicou para nascidos após 1985

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Ilustração do corpo humano mostra onde está o apêndice - Metrópoles - câncer de apêndice
1 de 1 Ilustração do corpo humano mostra onde está o apêndice - Metrópoles - câncer de apêndice - Foto: Sebastian Kaulitzki/Science Photo Library/GettyImages

O câncer de apêndice é considerado um tumor raro, mas tem aparecido com maior frequência em consultórios de todo o mundo. Até recentemente, a doença era desconhecida para a maioria das pessoas, inclusive médicos. Quando identificada, a condição quase sempre era diagnosticada em idosos.

Contudo, o câncer de apêndice tem sido diagnosticado cada vez mais entre os jovens. A doença tem afetado pessoas de 40, 30 anos e até mais jovens. Um estudo publicado no Annals of Internal Medicine, em junho, mostrou que a incidência deste tipo de tumor triplicou para nascidos após 1980 e quadruplicou para nascidos após 1985 em comparação com a incidência observada até então em nascidos em 1945.

Embora o estudo indique o aumento, ele não aponta uma causa provável. Os dados mostram incidências elevadas em diferentes tipos de cânceres gástricos nos últimos anos. No caso do de apêndice, a mudança de cenário e de incidência dos casos em um grupo pouco provável deixou os especialistas confusos.

“Os números gerais ainda são pequenos, pois o câncer de apêndice afeta poucas pessoas por milhão. Mas agora quase um a cada três casos ocorre em adultos com menos de 50 anos”, destaca um dos autores da pesquisa, o professor de ciências biomédicas Justin Stebbing, da Universidade Anglia Ruskin, no Reino Unido, em artigo publicado no The Conversation.

O que é o apêndice?

  • O apêndice é um pequeno tubo ligado ao intestino grosso, medindo cerca de 10 cm.
  • Durante muito tempo foi considerado inútil, um órgão vestigial, mas hoje se sabe que ele abriga bactérias boas para a digestão e que pode influir na proteção do corpo contra diarreias intensas.
  • O órgão é mais conhecido por causar apendicite, inflamação que exige cirurgia. A apendicite é a inflamação do apêndice e pode levar à ruptura do órgão se não tratada.
  • Outros problemas de saúde podem ser manifestados no órgão, inclusive o raro, mas cada vez mais incidente câncer de apêndice.
  • A cirurgia de retirada do apêndice, chamada apendicectomia, é simples e muito comum. Apesar de útil, viver sem apêndice não causa grandes prejuízos à saúde digestiva.

Como ocorre o câncer de apêndice?

A função do apêndice, pequena bolsa em forma de dedo que se conecta ao intestino grosso, ainda é debatida. O órgão é mais conhecido por causar apendicite, inflamação que exige cirurgia.

O câncer de apêndice é dividido em diferentes tipos, o mais comum é o tumor neuroendócrino (comumente chamado de tumor carcinóide). A incidência ainda é baixa globalmente, registrando de 0,2 a 0,5 casos para cada 100 mil habitantes.

“Por seu caráter indolente, é comum a doença evoluir sem ser diagnosticada. Porém, é importante que, na persistência de sintomas abdominais, o paciente investigue a possibilidade de câncer, não apenas de apendicite, para que a doença seja descoberta antes que evolua para uma forma mais avançada”, destaca o médico Rodrigo Nascimento Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) e titular do Hospital de Base, de Brasília.

A doença não costuma apresentar sintomas nos estágios iniciais. Quando aparecem, o paciente pode ter dor na região do estômago ou pélvis, inchaço ou líquido no abdômen, sinais inespecíficos que acabam sendo confundidos com outras condições.

O diagnóstico do câncer é feito a partir de biópsia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassom. O principal tratamento é a cirurgia oncológica.

Os fumantes têm maior probabilidade de desenvolver câncer de apêndice em comparação aos não praticantes do tabagismo. Outro fator de risco é o histórico familiar, o que inclui casos do tumor na família ou de algumas síndromes genéticas.

Pessoas com condições médicas, como gastrite atrófica ou anemia perniciosa — que afetam a capacidade do estômago de produzir ácido — também estão sob maior risco.

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