Câncer de pulmão usa “sistema de defesa” para proteger mutação maligna

Estudo mostra como células do câncer criam uma proteção interna que mantém a doença ativa e dificulta o tratamento

atualizado

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Ilustração colorida de corpo humano com ênfase no pulmão que mostram células cancerígenas no órgãos - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de corpo humano com ênfase no pulmão que mostram células cancerígenas no órgãos - Metrópoles. - Foto: Kateryna Kon / Getty Images

O câncer de pulmão é hoje uma das principais causas de morte por câncer no mundo, e o tipo mais comum dele é o carcinoma pulmonar de não pequenas células (NSCLC). Em muitos casos, a doença está ligada a mutações no gene EGFR, responsável por controlar o crescimento das células.

Quando o gene sofre alterações, ele passa a enviar sinais constantes para que a célula se multiplique, o que favorece o desenvolvimento do tumor. Existem medicamentos capazes de bloquear esse processo, mas, com o tempo, muitos pacientes deixam de responder ao tratamento. Durante anos, cientistas tentaram entender por que as mutações do EGFR conseguem se manter ativas mesmo diante das terapias.

Um estudo publicado em 21 janeiro na revista Science Advances trouxe uma resposta importante. Pesquisadores identificaram que as células do câncer de pulmão criam um verdadeiro “sistema de defesa” para proteger a proteína mutante do EGFR.

Os cientistas analisaram mais de 21 mil genes e descobriram que as células cancerígenas aumentam a liberação de ATP, uma molécula normalmente ligada à produção de energia. Fora da célula, esse ATP ativa um receptor chamado P2Y2.

O receptor, por sua vez, se conecta a outra proteína, a integrina β1. Juntas, elas formam uma espécie de escudo ao redor do EGFR mutante, impedindo que ele seja destruído pelo sistema natural de reciclagem da célula.

Na prática, isso faz com que a proteína defeituosa continue ativa, alimentando o crescimento do tumor e ajudando a doença a resistir aos medicamentos.

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No fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis no mundo
O tabagismo é a principal causa. Cerca de 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco
A mortalidade entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior
A exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão também favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer
Outros fatores de risco são: exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos, água potável contendo arsênico, altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes
O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 13% de todos os casos novos são nos órgãos
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O câncer de pulmão é o segundo mais comum em homens e mulheres no Brasil. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 13% de todos os casos novos são nos órgãos

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No fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis no mundo
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No fim do século 20, o câncer de pulmão se tornou uma das principais causas de morte evitáveis no mundo

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O tabagismo é a principal causa. Cerca de 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco
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O tabagismo é a principal causa. Cerca de 85% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de derivados de tabaco

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A mortalidade entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior
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A mortalidade entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram, enquanto entre ex-fumantes é cerca de quatro vezes maior

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A exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão também favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer
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A exposição à poluição do ar, infecções pulmonares de repetição, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema pulmonar e bronquite crônica), fatores genéticos e história familiar de câncer de pulmão também favorecem o desenvolvimento desse tipo de câncer

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Outros fatores de risco são: exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos, água potável contendo arsênico, altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes
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Outros fatores de risco são: exposição ocupacional a agentes químicos ou físicos, água potável contendo arsênico, altas doses de suplementos de betacaroteno em fumantes e ex-fumantes

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Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado. Porém, pessoas no estágio inicial da doença já podem apresentar tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, pneumonia recorrente, cansaço extremo, rouquidão persistente, piora da falta de ar, diminuição do apetite e dificuldade em engolir
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Os sintomas geralmente não ocorrem até que o câncer esteja avançado. Porém, pessoas no estágio inicial da doença já podem apresentar tosse persistente, escarro com sangue, dor no peito, pneumonia recorrente, cansaço extremo, rouquidão persistente, piora da falta de ar, diminuição do apetite e dificuldade em engolir

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O diagnóstico do câncer no pulmão é feito com a avaliação dos sinais e sintomas apresentados, o histórico de saúde familiar e o resultado de exames específicos, como a radiografia do tórax, tomografia computadorizada e biópsia do tecido pulmonar
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O diagnóstico do câncer no pulmão é feito com a avaliação dos sinais e sintomas apresentados, o histórico de saúde familiar e o resultado de exames específicos, como a radiografia do tórax, tomografia computadorizada e biópsia do tecido pulmonar

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Para aqueles com doença localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento é feito com radioterapia e quimioterapia ao mesmo tempo
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Para aqueles com doença localizada no pulmão e nos linfonodos, o tratamento é feito com radioterapia e quimioterapia ao mesmo tempo

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Em pacientes que apresentam metástases a distância, o tratamento é com quimioterapia ou, em casos selecionados, com medicação baseada em terapia-alvo
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Em pacientes que apresentam metástases a distância, o tratamento é com quimioterapia ou, em casos selecionados, com medicação baseada em terapia-alvo

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A cirurgia, quando possível, consiste na retirada do tumor com uma margem de segurança, além da remoção dos linfonodos próximos ao pulmão e localizados no mediastino. É o tratamento de escolha por proporcionar melhores resultados e controle da doença
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A cirurgia, quando possível, consiste na retirada do tumor com uma margem de segurança, além da remoção dos linfonodos próximos ao pulmão e localizados no mediastino. É o tratamento de escolha por proporcionar melhores resultados e controle da doença

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 Evidências em tumores humanos

Para confirmar que esse mecanismo também ocorre em pessoas, os pesquisadores analisaram amostras de tumores de 29 pacientes com câncer de pulmão. O resultado mostrou níveis elevados do receptor P2Y2 e da integrina β1 nos tecidos tumorais, em comparação com áreas saudáveis.

Quando os cientistas bloquearam o receptor P2Y2 em células resistentes ao tratamento, a proteína mutante do EGFR praticamente desapareceu. Com isso, o crescimento dos tumores foi interrompido nos testes de laboratório. Os dados indicam que desativar esse “sistema de defesa” pode tornar o câncer mais vulnerável às terapias já existentes.

O estudo também testou uma substância natural chamada kaempferol, encontrada em vegetais como couve e brócolis. Em modelos experimentais, o composto reduziu de forma significativa tumores resistentes após 24 dias de uso diário.

O efeito foi observado apenas em tumores com mutação no EGFR, sem impacto em células sem essa alteração. Isso sugere um possível caminho para tratamentos mais seletivos, com menos efeitos colaterais.

Segundo os autores do estudo, o receptor P2Y2 é um alvo promissor porque fica na superfície da célula, o que facilita o desenvolvimento de medicamentos. Diferente de alvos internos, ele pode ser alcançado com mais facilidade por novas drogas.

A descoberta não representa uma cura imediata, mas ajuda a explicar por que muitos casos de câncer de pulmão se tornam tão difíceis de tratar. Ao revelar como a própria célula cancerígena protege suas mutações, o estudo abre caminho para estratégias capazes de quebrar essa defesa e melhorar a resposta ao tratamento no futuro.

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