Caso Cacau Protásio: entenda riscos do uso de pomadas capilares
Especialistas explicam como produtos usados no cabelo podem causar inflamação ocular e até perda temporária da visão
atualizado
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A atriz Cacau Protásio relatou nas redes sociais ter enfrentado um problema de saúde após o uso de uma pomada capilar. Em publicação feita nessa quarta-feira (25/3), ela contou que sofreu perda temporária da visão acompanhada de dor intensa nos olhos e fez um alerta sobre os riscos associados a esse tipo de produto.
Segundo a atriz, os sintomas começaram ainda durante a noite, após o fim de gravações na praia. “É uma dor desesperadora, não desejo para ninguém. Vamos ter cuidado com as pomadas. Se puder usar outra coisa, como gel infantil ou creme, evite usar pomada”, disse.
Cacau também mostrou que um dos olhos apresentava inflamação e coloração esverdeada. Ela procurou atendimento médico nas primeiras horas da manhã após entrar em contato com sua oftalmologista.
“Meu olho está bem inflamado e com muita dor. Mandei mensagem cinco da manhã, ela me respondeu, vim numa clínica 24 horas, já tomei analgésico e agora estou melhor”, relatou.
O episódio chama atenção para um risco que especialistas já observam com frequência. O contato de pomadas capilares com os olhos pode provocar irritações intensas e até lesões na superfície ocular.
“Esses produtos têm substâncias químicas que não são seguras para a região dos olhos. Quando entram em contato com os olhos, podem causar ardência intensa, inflamação e até lesões na superfície da córnea”, explica o oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá.
De acordo com o médico, a dor relatada pela atriz é um sintoma comum nesses casos. “É uma dor realmente muito forte, que pode vir acompanhada de lacrimejamento, vermelhidão e dificuldade para abrir os olhos. Em algumas situações, o paciente pode ter visão embaçada ou até perda temporária da visão”, afirma.
Risco pode variar conforme a composição
Alguns componentes presentes nas pomadas capilares podem aumentar o risco de irritação ocular, principalmente em produtos sem controle rigoroso de qualidade.
A oftalmologista Juliana Lasneaux, do CBV Hospital de Olhos, diz que fragrâncias em excesso, solventes e determinados conservantes estão entre as substâncias que podem desencadear reações mais intensas.
“Nas pomadas irregulares, esse risco é ainda maior, porque muitas vezes não sabemos exatamente a composição nem a concentração dos ingredientes, o que torna a resposta do olho imprevisível”, afirma.
A especialista explica que, na maioria das situações, os sintomas costumam desaparecer quando o atendimento médico é rápido e o tratamento é adequado. No entanto, a exposição mais intensa ou a demora na avaliação pode trazer complicações.
“Se houver lesão na córnea, pode haver formação de cicatriz e até algum grau de perda visual permanente. Por isso é fundamental procurar atendimento oftalmológico o quanto antes”, alerta.
O que fazer em caso de contato com os olhos?
Ao perceber que a pomada entrou em contato com os olhos, a primeira medida é agir rapidamente para reduzir os efeitos da substância.
Segundo Antônio Sardinha, a recomendação é lavar os olhos imediatamente com água corrente em abundância por vários minutos. Esse procedimento ajuda a diluir o produto e diminuir o potencial de irritação.
O especialista também alerta para um erro comum nesses casos. “Evite esfregar os olhos, porque isso pode piorar a irritação e até causar pequenas lesões. Também não é indicado usar colírios por conta própria sem avaliação médica”, orienta.
Prevenção no uso de pomadas
A melhor forma de evitar esse tipo de acidente ainda é o cuidado na escolha e na aplicação dos produtos. Juliana recomenda dar preferência a pomadas com registro e segurança comprovada e evitar o uso de produtos de origem desconhecida.
Além disso, aplicar pequenas quantidades e manter o produto afastado da raiz do cabelo. Em situações como praia, calor intenso ou suor excessivo, o risco de escorrimento aumenta.
“Nessas condições, o ideal é redobrar o cuidado ou até evitar o uso. São medidas simples que ajudam muito a prevenir acidentes”, afirma.
Mesmo quando há melhora inicial dos sintomas, os especialistas reforçam que a avaliação de um oftalmologista é fundamental para garantir que não houve lesões mais profundas na superfície ocular.
