Brasileiros descobrem molécula que pode atenuar câncer pediátrico

Pesquisadores da USP encontraram uma partícula que aumenta a sobrevida de crianças que nascem com tumores do sistema nervoso central

KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/GETTY IMAGESKATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/GETTY IMAGES

atualizado 09/10/2019 13:59

Um grupo de cientistas brasileiros pode ter encontrado uma molécula capaz de diminuir a agressividade de tumores embrionários do sistema nervoso central que, normalmente, afetam crianças de até 4 anos de idade.

Os pesquisadores do Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da Universidade de São Paulo (USP) estudaram o microRNA, uma molécula pequena que age no genoma. A pós-doutoranda Carolini Kaid conduziu o estudo e descobriu que o meduloblastoma agressivo (o tumor) expressa o gene miR-367, que dá características de célula-tronco à célula tumoral.

Assim, as células conseguem invadir tecidos com mais eficiência e se tornam mais resistentes. Essa função acontece por mutações genéticas nas células-tronco durante o desenvolvimento embrionário, que acabam dando origem às células tumorais.

O trabalho científico testou um inibidor sintético do gene em camundongos – os cientistas perceberam uma redução considerável no tamanho do tumor e aumento da sobrevida.

“Quando miR-367 é inibido em células cancerosas, deixa de regular uma série de proteínas. Essa alteração molecular acaba afetando as propriedades dessas células e o resultado é uma atenuação da agressividade do tumor. É isso que torna a estratégia interessante”, afirmou a pesquisadora ao jornal Estado de S.Paulo. Os resultados foram publicados na revista Molecular Oncology.

O grupo de Kaid acredita que a molécula sintética possa, no futuro, evitar o desenvolvimento do tumor. Porém, ainda é preciso realizar novos estudos combinando com o uso de medicamentos tradicionais, além de teste de toxicidade e farmacocinética, para chegar à etapa de estudo clínico.

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