Microbactéria intestinal pode bloquear ganho de peso, sugere estudo

Pesquisa mostra que um microrganismo pode reduzir o ganho de peso mesmo com dieta rica em gordura e melhora o metabolismo em camundongos

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Ilustração colorida de bactérias intestinais, com formas esticadas e cores amarelo e rosa claro - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de bactérias intestinais, com formas esticadas e cores amarelo e rosa claro - Metrópoles. - Foto: nanoclustering/science photo library / Getty Images

Um microrganismo que vive no intestino pode ajudar a frear o ganho de peso, mesmo quando a alimentação é rica em gordura. É o que mostra um novo estudo publicado na última terça-feira (6/1) na revista Cell Metabolism. A pesquisa identificou que a bactéria chamada Turicibacter é capaz de reduzir o ganho de peso em camundongos alimentados com uma dieta gordurosa.

Os animais do experimento receberam a mesma quantidade de comida, mas aqueles que tinham a bactéria no intestino engordaram menos e apresentaram melhor controle do açúcar no sangue. Os resultados chamaram a atenção dos pesquisadores porque indicam que um único microrganismo pode ter impacto direto no metabolismo.

O intestino e o peso corporal

O intestino abriga trilhões de bactérias que ajudam o corpo a digerir alimentos, absorver nutrientes e regular processos importantes, como o uso de gorduras e açúcares. Dietas ricas em gordura costumam alterar esse equilíbrio e estão ligadas ao aumento do risco de obesidade e diabetes.

Até agora, a maioria dos estudos analisava o efeito do conjunto dessas bactérias. Nesta pesquisa, os cientistas quiseram entender se uma bactéria isolada poderia fazer diferença — e a resposta foi positiva.

Ao analisar os camundongos, os pesquisadores observaram que a Turicibacter produz substâncias gordurosas que interferem na forma como o corpo armazena gordura. Essas substâncias ajudam a reduzir a produção de ceramidas, moléculas associadas ao acúmulo de gordura corporal e à resistência à insulina.

Quando essas substâncias foram administradas diretamente aos animais, sem a bactéria viva, os efeitos foram semelhantes: menos ganho de peso e melhora do metabolismo. Isso sugere que os compostos produzidos pelo microrganismo têm papel central nesse processo.

O estudo também mostrou que dietas ricas em gordura dificultam a sobrevivência da própria Turicibacter no intestino. Um tipo comum de gordura saturada, o palmitato, inibiu o crescimento da bactéria nos testes.

Por isso, nos experimentos, os camundongos precisaram receber a bactéria regularmente para manter seus efeitos benéficos. Isso ajuda a explicar por que dietas pouco equilibradas podem eliminar microrganismos que protegem o metabolismo.

E em humanos?

Os testes foram feitos apenas em camundongos, e ainda não é possível afirmar que o mesmo efeito ocorra em humanos. Mesmo assim, de acordo com os cientistas, já foram observados níveis mais baixos de Turicibacter em pessoas com obesidade, o que reforça a importância da bactéria para a saúde metabólica.

A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade, baseados em microrganismos intestinais ou nas substâncias que eles produzem.

A identificação da Turicibacter mostra que o intestino pode ter um papel ainda mais direto no controle do peso do que se imaginava. Embora mais estudos sejam necessários, especialmente em humanos, a pesquisa reforça a ideia de que cuidar da saúde intestinal pode ser uma estratégia importante no combate ao ganho de peso e a problemas metabólicos.

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