Saiba quais são os diferentes desafios da adolescência com autismo

Autismo na adolescência traz mais isolamento, bullying e ansiedade. Especialistas alertam para apoio familiar, terapias e orientação direta

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Adolescente na terapia- Metrópoles
1 de 1 Adolescente na terapia- Metrópoles - Foto: Freepik

Autismo na adolescência é uma fase que costuma trazer novos desafios para famílias e profissionais de saúde. Se na infância o foco está no diagnóstico e nas primeiras intervenções, com o crescimento surgem questões mais complexas, como socialização, bullying, sexualidade, autonomia e saúde mental.

Especialistas alertam que essa transição pode intensificar sofrimentos emocionais, especialmente entre jovens com transtorno do espectro autista (TEA) que têm maior consciência das próprias diferenças.

Segundo a psicóloga e neurocientista Mayra Gaiato, que atende em São Paulo, a adolescência pode aumentar a percepção de inadequação social.

“Principalmente nos jovens com nível de suporte mais leve, existe maior compreensão do que está acontecendo. Eles percebem que não conseguem acompanhar os outros e isso gera mais ansiedade, pressão e sofrimento emocional”, explica.

A especialista destaca que, nesses casos, o risco de depressão e até pensamentos suicidas pode ser maior, justamente porque o adolescente passa a comparar mais intensamente sua vida com a dos colegas.

Isolamento e excesso de telas preocupam especialistas

Outro fenômeno comum no autismo na adolescência é o aumento do isolamento social. Como muitos jovens enfrentam dificuldades para se inserir em grupos, acabam buscando nos eletrônicos uma forma de recompensa emocional.

Os eletrônicos liberam uma explosão de dopamina no cérebro, ativando o sistema de recompensa de forma muito intensa. Muitos adolescentes autistas encontram ali a única fonte de prazer que não conseguem ter na vida social.

Isso aumenta o risco de dependência digital e de exposição a perigos online, já que jovens no espectro podem ter mais dificuldade para identificar intenções maliciosas de outras pessoas. Por isso, recomenda-se que os pais não abandonem o acompanhamento nessa fase.

Bullying aumenta na adolescência

A adolescência também pode agravar situações de exclusão e bullying nas escolas. De acordo com Mayra, isso ocorre porque a maturação social costuma acontecer de forma diferente no cérebro autista.

“Na infância existe mais incentivo para inclusão. Já na adolescência, as diferenças ficam mais evidentes e muitos jovens acabam se tornando alvo de piadas e isolamento”, explica. Esse cenário pode levar ao afastamento da escola, perda de autoestima e maior retraimento social.

Para a especialista, a conscientização é uma das principais estratégias de proteção. “Quando todos entendem o que é o autismo, fica mais claro que certos comportamentos não são falta de esforço ou ‘estranheza’, e sim parte de uma condição neurológica”, diz.

Sexualidade exige orientação clara

Outro ponto sensível do autismo na adolescência envolve sexualidade e relacionamentos. Como muitos jovens no espectro têm dificuldade em interpretar indiretas ou linguagem figurada, a orientação precisa ser mais direta.

“É importante explicar tudo de forma concreta, sem esperar que eles descubram sozinhos. Essa falta de orientação pode aumentar a vulnerabilidade a abusos”, alerta Mayra.

Para a psicóloga clínica Larissa Fonseca, que atende em São Paulo, a orientação aberta é essencial.

“O adolescente com autismo não aprende pelas entrelinhas. É preciso falar claramente sobre corpo, limites e consentimento”, afirma.

Segundo a psicóloga, a adolescência costuma amplificar dificuldades que antes passavam mais despercebidas. “Nessa fase existe uma cobrança social maior para se conectar com os outros. Muitos jovens autistas tentam imitar comportamentos para se encaixar, o que gera exaustão emocional”, explica. Esse esforço pode provocar irritabilidade, frustração e ansiedade.

Além disso, os hormônios aumentam a intensidade emocional de qualquer adolescente, mas no autismo essas reações podem ficar ainda mais evidentes.

Terapias ajudam na transição para a vida adulta

Para ajudar nessa fase, especialistas defendem o acompanhamento contínuo e multidisciplinar. De acordo com o neuropediatra Tarcizio Britto, do Alta Diagnósticos, a intervenção precoce continua sendo fundamental, mas o suporte precisa acompanhar o desenvolvimento do jovem.

“A identificação precoce do autismo melhora o prognóstico, mas o cuidado não termina na infância. O acompanhamento estruturado permite desenvolver autonomia e qualidade de vida ao longo dos anos”, explica.

Segundo o médico, centros especializados em TEA têm se tornado estratégicos porque integram diferentes áreas, clínica, comportamental e até investigação genética, para estruturar planos terapêuticos individualizados.

Entre as abordagens mais usadas na adolescência estão:

  • Terapia cognitivo-comportamental para ansiedade e regulação emocional;
  • Treino de habilidades sociais;
  • Terapia ocupacional para adaptação sensorial;
  • Acompanhamento psiquiátrico quando necessário.

Autonomia deve ser construída aos poucos

Um erro comum das famílias, segundo especialistas, é oscilar entre dois extremos: superproteção ou cobrança excessiva.

Larissa explica que nenhum dos caminhos ajuda o adolescente. “Nem tratar como uma criança indefesa, nem exigir autonomia total de uma vez. O ideal é construir essa independência gradualmente, respeitando os limites do jovem”, afirma.

Com apoio adequado, muitos adolescentes com autismo conseguem desenvolver habilidades importantes para a vida adulta, e até se destacar em áreas de interesse.

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