Após morte por difteria na Itália, médicos reforçam importância da vacina
Doença controlada há décadas com vacina, a difteria é causada pelas toxinas de uma bactéria e pode causar casos graves em não-imunizados

Na última semana, a menina italiana Anna Rosa Bartolotta, de apenas quatro anos, faleceu vítima de difteria. A doença, que não tinha casos documentados na Itália há quase 30 anos, foi controlada com vacina obrigatória. Porém, os pais da garota não a vacinaram, acreditando que o imunizante seria responsável por um caso de autismo na família.
A situação comoveu a Itália e o mundo. Um primo da menina também testou positivo, mas se recupera bem pois já tinha começado o ciclo vacinal contra difteria. Os pais de Anna Rosa estão sendo investigados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, por omissão.
A difteria é causada por uma bactéria e é considerada uma doença endêmica controlada no Brasil. Há casos registrados no país quase todos os anos, mas o número é baixo — em 2026, apenas dois pacientes foram confirmados com a infecção. Desde 2014, apenas cinco pessoas morreram pela doença.
Por ser relativamente rara, a difteria pode ser diagnosticada com atraso — muitos médicos nunca viram um caso da doença na vida. Os sintomas envolvem um comprometimento geral do paciente, que fica prostrado e pálido, incluindo dor de garganta.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“A característica diferente é a formação das pseudomembranas, que são placas esbranquiçadas ou amarelo-acinzentadas (ou eventualmente mais cinzento-escuras ou negras). Elas produzem uma toxina que compromete o estado do paciente”, explica a infectologista Valeria Paes, do Hospital Sirio-Libanês em Brasília.
Em casos mais graves, há edemas importantes no pescoço, com aumento dos gânglios. Pacientes com complicações podem apresentar miocardite, neurite ou nefropatia tóxica, que causa insuficiência renal. Em alguns casos, como o da menina italiana, a difteria pode causar a morte.
Vacina é essencial contra a difteria
A vacina contra difteria foi criada em 1923 e sua primeira dose é administrada aos dois meses de idade, na pentavalente. Em seguida, a criança recebe reforço aos quatro, seis e 15 meses e aos 4 anos. “Na vida adulta, os reforços são recomendados a cada 10 anos“, aponta Valeria.
É fundamental que o esquema seja completo para garantir a proteção contra a bactéria.
“Historicamente, temos um número muito pequeno de casos graças à vacinação. Mas isso não significa que a doença não possa retornar. Por isso, é fundamental termos as coberturas vacinais o mais próximo possível dos 95%, que é a meta”, alerta o pediatra Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
O médico aponta que, em 2025, a cobertura para a primeira dose da pentavalente foi de 89%. No primeiro reforço, como a tríplice bacteriana, a taxa cai um pouco, para 87%. O reforço aos 4 anos teve cobertura de 80%.
“Em 2026, estes números estão ainda mais baixos. Já a vacina da gestante está em torno de 82% de cobertura, precisamos melhorar para chegar aos 95%”, explica Cunha.



