Willian Bigode tem 30% do salário penhorado por dívida com ex-colega
Justiça de SP determinou a penhora para Willian Bigode ressarcir o lateral Mayke, seu ex-companheiro no Palmeiras; decisão cabe recurso
atualizado
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São Paulo – O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a penhora de 30% do salário do jogador Willian Bigode, atualmente no Athletico Paranaense, por uma dívida de R$ 7 milhões com o lateral Mayke, ex-companheiro do atacante no Palmeiras.
Ainda cabe recurso da decisão publicada nesta quarta-feira (6/9) pelo juiz Christopher Roisin, da 14ª Vara Cível da capital paulista.
Os advogados de Mayke haviam pedido bloqueio de 30% dos rendimentos de Willian, que tem vínculo com Fluminense, mas está emprestado ao Athletico Paranaense. Os dois clubes atualmente dividem os salários do jogador.
A defesa do atacante foi contra e afirmou que a Xland, empresa acusada de golpe de pirâmide financeira indicada pela empresa de Willian, havia dado pedras preciosas como garantia.
O juiz Christopher Roisin lembrou que, em decisão anterior, já havia apontado que a Xland supostamente cometeu um crime, que atestou de um dia para o outro que, literalmente, pedras preciosas adquiridas por R$ 6 mil valeriam R$ 2,5 bilhões.
Na decisão, o magistrado ainda disse que, pelos padrões de salários pagos aos jogadores de futebol de elite, é certo que o sustento de Willian não será prejudicado pelo deferimento da penhora de 30% de sua remuneração líquida.
“Invocando as lições de Rui Barbosa, relembro que a igualdade não significa tratar igualmente os desiguais, mas desigualmente os desiguais na medida da desigualdade. Portanto, razoável a flexibilização em detrimento daquele que ganha dezenas (ou às vezes centenas) de vezes o que o(a) brasileiro(a) ganha em média”, escreveu o juiz.
O lateral Mayke entrou na Justiça dizendo que investiu R$ 4,5 milhões na Xland e deveria ter um retorno de R$ 3,2 milhões. Outro prejudicado foi o meia Gustavo Scarpa, atualmente no Olympiacos, da Grécia, que por sua vez colocou R$ 6,3 milhões na mesma empresa.
Ambos disseram ter confiado em Willian pela relação de amizade com o colega, que indicou a dupla à Xland para a realização dos investimentos,
Nenhum dos dois, contudo, conseguiu receber as quantias de volta quando tentaram reaver os investimentos.
Mayke alega um prejuízo de cerca de R$ 7,4 milhões. Anteriormente, a Justiça já havia determinado o bloqueio das contas dos sócios da Xland e de uma empresa ligada a Willian, a WLJC.
Bigode e a empresa WLJC se dizem vítimas da Xland, tendo realizado investimentos de R$ 17,5 milhões que, mesmo tendo o pedido de resgate sido feito em novembro do ano passado, até hoje não foram devolvidos.
A Xland nega ter dado golpe em seus clientes. Ela afirma que os recursos da empresa foram congelados em um processo judicial de recuperação da empresa FTX, que se desenrola nos Estados Unidos.
William Bigode foi procurado pelo Metrópoles, mas ainda não falou sobre o assunto. O espaço segue aberto para manifestações.
