Voepass: PF divulga resultado de investigação criminal do acidente
Laudo com resultado da investigação será apresentado nesta quinta-feira (6/8). Acidente aéreo no interior paulista resultou em 62 mortes

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o acidente da Voepass, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo, em agosto de 2024, conclui que a queda do avião foi causada pelo acúmulo de gelo na aeronave e falhas operacionais da tripulação. A PF apresentou, nesta quinta-feira (6/8), o laudo pericial com conclusões sobre a investigação.
O documento, ao qual o Metrópoles teve acesso, tem 200 páginas e detalha a análise técnica das autoridades, incluindo exames no local do acidente, registros meteorológicos e o funcionamento de sistemas de proteção da aeronave.
Acompanhe:
Em nota, a Voepass informou que a “companhia adotou rigorosamente todos os protocolos de segurança, manutenção e capacitação de tripulações previstos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“A companhia compreende que o relatório da Polícia Federal integra a fase investigatória e aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente.”
Indiciados
A investigação indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da empresa pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. Os indiciamento foram por falsidade ideológica, atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro aéreo com resultado morte.
São eles:
- Edson Serra Martins — piloto, comandante do voo PTB 2293 (piloto do voo de Guarulhos para Ribeirão Preto na madrugada do dia do acidente)
- Luciano Alves de Macedo — piloto, comandante do voo PTB 2204 (voo que no dia do acidente registrou alertas de falha no degelo)
- Oderlino de Campos Figueiredo — despachante operacional de voo (DOV) dos voos PTB 2293 e PTB 2204
- John Major Viana — despachante operacional de voo (DOV) do voo PTB 2282 (voo imediatamente anterior ao acidente, entre Guarulhos (SP) e Cascavel (PR)
- Marcos Hiroyuki Sato — despachante operacional de voo (DOV) responsável pelo voo PTB 2283, que caiu em Vinhedo (SP)
- Alex de Souza Leandro — mecânico responsável pela liberação da aeronave (Mecânico do pernoite responsável pelo Daily Check do PS-VPB)
- William Schmidt Agatz — gerente do Centro de Controle Operacional da empresa (CCO)
- Juliano Flores Pacheco — gerente do Centro de Controle de Manutenção (MCC); Gerente do MCC (Maintance Control Center)
- Raphael Limongi de Figueiredo — chefe do CCO; também aparece nos depoimentos como piloto-chefe e chefe de tripulação
- Marcel Sarquis Moura — diretor de operações
- Tiago Passucci Morani — gerente de engenharia e inspetor-chefe
- Carlos Alberto Costa — diretor de manutenção
- Eric Consoli — diretor técnico
- Rafael Gimenez Rodrigues — piloto-chefe e responsável pelo Programa de Monitoramento de Dados de Voo (FOQA)
- David da Costa Faria Neto — diretor de segurança operacional
- José Luiz Felício Filho — diretor-presidente da Voepass
Segundo André Ribeiro, delegado de PF e chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, a investigação identificou uma “cultura organizacional de não reporte” na empresa. “Havia ali uma cultura realmente de omissão, uma cultura implementada na empresa, que ia em todas as cadeias.”



