Vídeo: "Vou matar", diz PM que aponta arma no rosto de homem abordado
Policial militar (PM) foi flagrado em vídeo de celular agredindo e apontando arma em direção à face de homem rendido em abordagem

São Paulo — Um vídeo feito com celular flagrou um policial militar em serviço agredindo e apontando uma arma de fogo contra o rosto de um homem (assista abaixo), quando ele já estava rendido, com as mãos para trás, e encostado em um muro. o episódio ocorreu durante uma abordagem da PM em uma viela paulista.
O registro foi encaminhado ao Metrópoles anonimamente, sem detalhar a data e localização da violência policial. Em nota, enviada no fim da tarde desta quarta-feira (26/02), a Polícia Militar afirmou analisar as imagens “para adoção das providências cabíveis”. A corporação acrescentou não compactuar com desvios de conduta de policais, “punindo exemplarmente aqueles que infringem a lei e desobedecem aos protocolos da Instituição”.
Segundo o vídeo, um policial de boina insinua que o provável suspeito, acompanhado de mais três homens, estaria envolvido com o tráfico de drogas.

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Ver todasApós alguns instantes, o PM dá um tapão no rosto do homem, afirmando “não gostar de mentiroso” questionando em seguida quem estaria no “movimento” (tráfico de drogas).
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Quer continuar apanhando, você não é homem, é moleque, só dou tapa na cara de moleque. Pega a arma que eu vou matar ele”, afirma o policial, que chama novamente o abordado de moleque, enquanto encosta a arma no rosto dele “tem que ser na cara [o tiro] para estragar o velório”, ameaça.
O PM segue falando de forma violenta com o abordado, sem deixar de encostar a arma no rosto dele, até a testemunha se ocultar atrás de um muro e o registro ser interrompido.
Vídeo
Outro caso
Na segunda-feira (24/2) outro homem foi agredido com socos por PMs, em uma abordagem em Campinas.
Como o Metrópoles mostrou, policiais agrediram o homem abordado alegando a necessidade do “uso de força moderada” para contê-lo.
Porém, testemunhas registraram o momento em que o abordado está cercado por PMs, que o socam e derrubam no chão, contrariando a alegação dada pelos policiais.
A SSP afirmou, em nota, que a Corregedoria da PM “está à disposição para o registro de denúncia sobre a conduta dos agentes”.
Violência policial
O novo ouvidor das Polícias de São Paulo, Mauro Caseri, diz que o crescimento da violência policial é o principal desafio a ser encarado durante os próximos dois anos. No último dia de janeiro, números divulgados pela própria Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram aumento de 70% de mortes pela Polícia Militar (PM) em 2024 em comparação com o ano anterior.
Caseri foi chefe de gabinete do ouvidor antecessor, o professor Claudio Silva, que esteve à frente do órgão durante os dois primeiros anos da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), marcados na segurança pública pelas operações Escudo e Verão, que deixaram rastro de sangue na Baixada Santista, com mais de 100 mortes.
Caseri foi o último colocado em uma lista tríplice apresentada para Tarcísio, que o indicou para o comando da Ouvidoria.



