Vice de Nunes cogita disputar Senado: “Ninguém me quer na prefeitura”
Mello Araújo afirma estar preparado para assumir cadeira caso Ricardo Nunes saia em 2026 e diz que pode tentar Senado se Bolsonaro quiser
atualizado
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O vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), afirma estar preparado para uma candidatura ao Senado em 2026 caso o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político, peça para ele entrar na disputa.
Mello diz também se sentir apto a assumir a cadeira de prefeito da capital em 2026, na hipótese de o prefeito Ricardo Nunes (MDB) deixar o cargo para disputar o governo do estado, mas enxerga que o meio político não quer vê-lo no cargo
Nunes é citado por aliados como possível candidato ao Palácio dos Bandeirantes caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) opte por se candidatar à Presidência da República.
“Em uma pesquisa nossa para o Senado, eu apareci em quarto lugar, com 12% dos votos. Até por eu não ser conhecido, achei interessante. E também (sobre) a possibilidade de eu ficar no caso de o Ricardo sair, estamos preparados. Seja ficar de vice com o Ricardo, assumir como prefeito ou alguma possibilidade de Senado, estamos em condições”, afirmou ao Metrópoles o vice-prefeito.
“Ninguém me quer na prefeitura”
Ao longo de sua atuação como vice-prefeito, Mello assumiu uma postura de fiscalizar contratos e a destinação de emendas parlamentares indicadas por vereadores. Quando assumiu a cadeira de titular durante viagem internacional de Nunes, barrou emendas de um vereador da base e exonerou servidores antes de comunicar Nunes. Nos bastidores, aliados admitem incômodo com algumas atitudes do vice.
Ao Metrópoles, o vice-prefeito disse que, em sua visão, “ninguém quer” vê-lo como prefeito.
“Ninguém me quer aqui na prefeitura. Acha que querem deixar quem tem respeito ao dinheiro público, que fecha a torneira, que não vai deixar as coisas erradas acontecerem? Não vejo o pessoal com interesse nisso. É capaz de eu ficar em casa e o pessoal fazer a minha campanha para o Senado. Mas a minha missão é de ser vice do Ricardo. Se Deus quiser, nesses quatro anos aí a gente vai estar junto”, disse.
Candidatura ao Senado
De acordo com Mello, ele só será candidato ao Senado se o próprio Bolsonaro pedir. Apesar de se considerar em condições de lidar com os outros cenários, afirma que sua missão é continuar como vice de Nunes durante os quatro anos do mandato.
“Se o pessoal do partido vier e falar ‘Você vai sair’ (candidato ao Senado), eu vou conversar com o presidente. Porque foi ele que me colocou nisso. Tenho respeito por ele. Na verdade, a minha missão, se você perguntar qual que é, é vice-prefeito”, disse.
As eleições do próximo ano renovarão dois terços do Senado, ou seja, cada estado da Federação elegerá dois nomes para a Casa, um dos focos do bolsonarismo para 2026. Em São Paulo, no campo da direita, a tendência é que o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), seja uma das apostas.
A outra vaga seria de Eduardo Bolsonaro (PL). O filho 03, no entanto, viu minguar as chances de candidatura após sua atuação nos Estados Unidos em prol de sanções contra autoridades brasileiras virar alvo de críticas até de aliados do pai.
Sem Eduardo, bolsonaristas afirmam que caberá ao ex-presidente a indicação do nome que “substituirá” o filho na corrida ao Senado.
Mello é amigo pessoal de Bolsonaro e foi chefe da Ceagesp durante o governo do ex-presidente, também responsável pela indicação do coronel como o vice na chapa de Nunes nas eleições municipais de 2024.
Relação com ex-presidente
- Mello Araújo é um dos aliados que já visitaram Jair Bolsonaro na prisão domiciliar em Brasília.
- No encontro realizado no final de agosto, o ex-presidente teria demonstrado desânimo com sua situação e afirmou estar ciente da disputa pelo espólio do seu capital político.
- O vice-prefeito de São Paulo é um crítico ferrenho do processo no Supremo Tribunal Federal (STF) que culminou na condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para ele, a decisão foi uma injustiça.
- Mello também sai em defesa de Eduardo Bolsonaro, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por coação no curso do processo.
- O julgamento da admissibilidade do caso no STF ocorrerá neste mês. Eduardo foi acusado de tentar intimidar o Supremo a arquivar a ação em que seu pai ao promover campanha para que o governo dos Estados Unidos aplique sanções contra autoridades judiciais brasileiras, como forma de intimidá-las a não condenar Bolsonaro.
- “Eu espero que as coisas mudem. Tenho esperança, embora cada vez menor. Acho um absurdo o Eduardo Bolsonaro ficar fora da eleição e o que estão fazendo com o presidente. Os jornais já estão falando da prisão do Bolsonaro talvez para asemana que vem. Só consigo pensar nisso. Imagina a tristeza dele de estar vendo tudo isso acontecer”, disse Mello.

