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São Paulo

Os últimos dias de brasileiro morto na Turquia após detenção migratória

Lucas Nascimento de Medeiros estava de férias na Turquia até se envolver em briga e ser levado para centro de detenção migratória

15/10/2026 02:00
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Brasileiro morre na Turquia após ser detido em centro de migração - Metrópoles

São Paulo — O brasileiro Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, estava de férias na Turquia quando foi dado como morto pelo Consulado Brasileiro em Istambul, na última segunda-feira (12/10). Sete dias antes, ele foi detido e levado a um centro de detenção migratória no país.

Empresário e programador, Lucas morava na Europa há cerca de sete anos. Nas férias, decidiu ir a Istambul para fazer um curso de falcoaria, e aprender sobre o manejo e cuidado de aves de rapina.

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Últimas mensagens da mãe a Lucas nunca foram recebidas
Centro de detenção migratório onde Lucas foi detido
Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia
Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia
Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia
Lucas enviou a localização do centro migratório à mãe entre os dias 5 e 6 de outubro
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Lucas enviou a localização do centro migratório à mãe entre os dias 5 e 6 de outubro

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Últimas mensagens da mãe a Lucas nunca foram recebidas
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Últimas mensagens da mãe a Lucas nunca foram recebidas

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Centro de detenção migratório onde Lucas foi detido
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Centro de detenção migratório onde Lucas foi detido

Reprodução/Google Maps
Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia
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Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

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Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia
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Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

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Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

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Os últimos dias

Na madrugada, entre 5 e 6 de outubro, o brasileiro contou para a mãe, moradora de São Paulo, que havia se envolvido em uma briga com cidadãos locais por conta de religião.

De origem judaica, Lucas tinha uma tatuagem grande da bandeira de Israel com o Leão da tribo de Judá, e usava com frequência um colar com a Estrela de Davi, como disse o irmão dele, Marcos Medeiros, ao Metrópoles.

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Segundo o irmão, essas características podem ter incitado algum tipo de desentendimento com religiosos locais, de maioria islâmica. Ainda assim, Marcos demonstrou surpresa ao saber que Lucas vivenciou tal situação.

“Meu irmão sempre foi um cara progressista, nunca foi um cara preconceituoso, nunca foi xenofóbico… nem extremista religioso, nada, nada. Meu irmão sempre foi tranquilo”, disse.

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Na briga, o empresário chegou a ter o rosto cortado. Ele procurou as autoridades turcas e acabou sendo retido no Centro de Remoção de Harmandalı, em Esmirna, para ser deportado.

Naquela mesma madrugada, Lucas enviou à mãe a localização do centro de detenção (veja galeria de fotos acima). Ele também ligou para combinar que chegaria a São Paulo nessa segunda-feira (12/10), o que seria uma parada para conhecer as sobrinhas, que nasceram recentemente, antes de retornar à Europa.

Em 8 de outubro, no entanto, Lucas parou de responder às tentativas de contato dos familiares. No último sábado (10/10), as mensagens enviadas a ele pararam de ser recebidas.

Apesar da falta de contato, a mãe de Lucas foi até o Aeroporto de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, às 5h da manhã, esperar pelo filho.

Às 14h do mesmo dia, a ex-companheira do empresário, que havia acionado o Consulado do Brasil em Istambul por e-mail, recebeu uma ligação da representação consular na Turquia afirmando que um corpo foi encontrado em um hotel com drogas ilícitas e o passaporte do brasileiro. Lucas foi dado como morto.

Local da morte

A família ficou consternada com a versão apresentada pelas autoridades turcas. “Como é que a pessoa tá no centro de imigração e é encontrado no hotel?”, questionou Marcos.

A mãe e o irmão do empresário procuraram a Polícia Federal (PF), que disse não ter atribuição para lidar com o caso, direcionando os dois para a Polícia Civil de São Paulo. Um boletim de ocorrência foi registrado no 7º Distrito Policial (DP), onde a família contatou mais uma vez o Consulado Brasileiro na Turquia por telefone.

Durante a ligação, a representante consular foi confrontada com as coordenadas de GPS enviadas por Lucas da cela. Diante das informações obtidas pela família, a narrativa do hotel se tornou mais frágil. Segundo Marcos, pouco depois, as autoridades turcas recuaram e admitiram que o episódio se deu dentro da unidade migratória.

“Eles mudaram de versão porque foram trucados com a questão da localização. Se assustaram quando souberam que meu irmão tinha sido mais esperto do que eles e mandando uma localização para a gente”, disse Marcos.

Ele destacou ainda que a representação consular tem se comunicado com a família apenas por ligação. O e-mail enviado pela ex-companheira de Lucas, por exemplo, nunca foi respondido.

“Eles não querem mandar mensagem. Eles só falam de forma escusa por ligação. Isso tá muito errado. Só por ligação. Eles não querem se comunicar por mensagem, nem querem se comunicar por e-mail”, reforçou o irmão do empresário. Nessa quarta-feira (14/10), a irmã de Lucas viajou com o marido para reconhecer o corpo, na Turquia.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio do Consulado-Geral do Brasil em Istambul, informou que tem conhecimento do caso e está em contato com a família, “a quem tem sido prestada a assistência consular devida”.