Tradição ou gosto? Semana Santa tem corrida a mercados de peixe em SP. Veja vídeo
Consumidores se dividem entre tradição e gosto na busca pelo peixe durante a Semana Santa em São Paulo, e bacalhau ainda se destaca
atualizado
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Tem quem passe o ano inteiro sem chegar perto de um pescado, mas não deixa de reservar espaço à mesa para o peixe na Semana Santa. Outros comem em qualquer época, e não vivem sem — nem que seja uma sardinha. Não importa o motivo, a combinação entre tradição e gosto se mistura às vésperas da Páscoa e vai direto para o prato dos brasileiros.
Na última semana, o Mercadão, em São Paulo, já vivia um clima de corrida pelo peixe. “Em casa, a gente sempre come peixe. A gente gosta mesmo. Aproveitando, a gente veio comprar bacalhau por uma questão de tradição e religião. Comprei também o filé de pescada, filé de cação e cação em posta”, afirmou o representante comercial Luiz Fernando Magalhães, de 61 anos.
Para conseguir pagar menos pelo pescado, o interessado em manter a tradição ou satisfazer a vontade pode procurar feiras pela cidade, como mostrou o Metrópoles. Segundo a Associação Brasileira de Piscicultura, a expectativa é de um aumento de 30% no consumo do produto, em comparação com os meses anteriores.
O comerciante José Carlos de Almeida, de 57 anos, diz que a tradição ainda é respeitada, mas cita a dificuldade das pessoas em comprar os produtos. “Há muitos anos, era fácil comprar um bacalhau. Hoje… se der uma olhada nos preços, de longe, dá uns R$ 300 o quilo. Não sei se foi o dólar ou outro problema, mas os preços deixaram inviável.”
Já a promotora Pâmela Helena, de 25 anos, diz que a tradição não é mais o principal motivo da corrida pelo peixe. “O pessoal tem deixado de comer, não está respeitando Quaresma nenhuma. Está todo mundo comendo pelo gosto mesmo”, afirma.
Bacalhau
O bacalhau é um capítulo à parte na busca pelo pescado certo. Antigamente, o peixe salgado foi sinônimo de restrição e penitência à mesa, como relata o aposentado Ivanor Cristini, de 69 anos. Mas isso mudou. “É mais pela tradição. Comer bacalhau, hoje, não é mais um sacrifício”, afirma.
O aposentado Hélio Pereira, de 59, mora em Garopaba (SC), mas faz compra de bacalhau em São Paulo. “Toda Semana Santa a gente faz o bacalhau. É um misto do gosto com a questão religiosa”, afirmou, enquanto passava pelo Mercadão para comprar complementos para a receita.
Pereira também explica qual a estratégia adotada para não pagar tão caro: é a boa e velha compra com antecedência. “Se deixar para comprar próximo à Semana Santa, sempre você terá uma majoração do preço”, diz.












