TJSP mantém pena de policial que cheirou cocaína e espancou prostituta
O policial civil Ricardo Soubhi Saba agrediu uma garota de programa em um hotel no centro de São Paulo. Detido, ele desatacou um delegado
atualizado
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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) manteve a condenação do policial civil que cheirou cocaína e espancou uma garota de programa em um hotel na rua Augusta, no centro da capital paulista, em 13 de janeiro do ano passado.
Ricardo Soubhi Saba, de 45 anos, foi condenado pela 1ª Vara Criminal da Capital, em julho de 2025, a três anos e seis meses de detenção, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 60 dias-multa e perda da função pública.
A decisão foi mantida pela 4ª Câmara de Direito Criminal do TJSP, em segundo grau. Ainda cabe recurso.
Meses antes da primeira condenação, em maio do ano passado, Ricardo foi demitido pelo então secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite.
Espancou garota de programa
Em depoimento, a vítima, também de 45 anos, disse que conheceu o cliente por meio de uma amiga, que pediu que ela a substituísse.
Inicialmente, eles teriam combinado que Ricardo pagaria pelos serviços da acompanhante de acordo com o tempo que eles ficassem no hotel. O policial estava “bastante alcoolizado” e vinha de uma balada na Vila Madalena, na zona oeste. Apesar disso, não estava violento.
Segundo a mulher, durante a estadia no hotel, ele fez diversos pagamentos usando um cartão de crédito, à medida que o tempo passava e eles permaneciam juntos. No período, ele teria dado vários “tiros” de cocaína.
A garota de programa afirma que, por volta das 8h, decidiu ir embora, porque Ricardo havia ficado agressivo e se recusado a efetuar novos pagamentos.
Já fora do hotel, ela telefonou para o quarto dizendo que havia esquecido um chinelo. O policial teria então passado a acusá-la de ter roubado seu cartão de crédito. Ela afirma que, diante disso, decidiu voltar. Foi nesse momento, segundo ela, que começaram as agressões.
Ricardo teria desferido diversos tapas e chutes, e empurrando a mulher da escada. Para escapar, ela pulou pela janela do quarto. Ela teve ferimentos por todo o corpo e um corte na testa, que teria sido provocado por cabeçadas desferidas pelo policial.
O homem ainda teria quebrado o nariz do proprietário do hotel com um soco, exigindo ter acesso às imagens das câmeras de segurança. “Sou polícia, vou acabar com você”, dizia ele.
Ameaça a delegado
Preso em flagrante, Ricardo Soubhi Saba foi levado ao 78º Distrito Policial, nos Jardins. No local, após o delegado pedir que ele entregasse a arma, o policial teria começado a ofendê-lo, fazendo diversas ameaças. Ele chegou a chutar a autoridade policial.
“Só saio daqui morto ou com minha arma. Vai haver troca de tiros”, teria dito. “Quando eu sair daqui vou resolver com vocês, isso não vai ficar de graça.” “Se eu for demitido, vou te levar junto comigo”.
No dia seguinte, a Justiça determinou a conversão da prisão de Ricardo em preventiva. Ele foi indiciado por lesão corporal, constrangimento ilegal e desobediência, e permaneceu detido.
“Boa noite Cinderela”
À época, a defesa de Ricardo Soubhi Saba afirmou que ele, na verdade, foi vítima de um golpe de “boa noite Cinderela”. Seus advogados dizem que o policial teria sido drogado pela garota de programa, para que ela pudesse roubá-lo.
Em pedido de relaxamento da prisão preventiva, a defesa alegou que Ricardo tinha apenas “a intenção deste de reaver o seu pertence, em clara legítima defesa própria de seu patrimônio”.
“É bem verdade que, para a decretação da prisão preventiva não se exige a mesma certeza inerente à sentença penal condenatória, mas, por outro lado, devem haver mínimos indícios de crime que autorizem a medida cautelar em questão, indicando-se, ao menos em tese, a probabilidade de condenação, o que não se verifica na espécie”, afirmou o advogado no pedido negado pela Justiça.
