TJSP marca júri de PMs acusados de matar jovem rendido em Paraisópolis
Apenas dois dos agentes, que estão presos, serão julgados na data definida; os outros dois respondem em liberdade e júri ainda não tem data
atualizado
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A Justiça de São Paulo (TJSP) agendou o julgamento dos policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma operação em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, em julho de 2025.
Os agentes, que serão levados a júri popular — decisão que já havia sido tomada pela Justiça em janeiro, mas sem o agendamento —, vão ser julgados no dia 28 de julho deste ano, às 10h30, no Plenário 13 do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste.
Apesar de serem quatro PMs acusados, apenas dois deles serão julgados nessa data: os cabos Renato Torquatto da Cruz e e Robson Noguchi de Lima, que respondem pelo crime de homicídio qualificado com agravantes de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima — Igor estava rendido no momento dos disparos. Ambos estão presos.
Já os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus seguem em liberdade. Apesar de responderem pelos mesmos crimes, eles foram autuados na condição de colaboradores, pois não foram os responsáveis pelos disparos que mataram Igor.
À época em que foi divulgado que os militares seriam levados a júri popular, o documento da denúncia afirmava que os dois prestaram o “auxílio moral e material aos executores, na medida que, além de participarem da abordagem e rendição dos suspeitos, também efetuaram disparos de arma de fogo dentro do cômodo onde a vítima foi alvejada”. Ainda não há data para o júri deles.
Relembre o caso
Uma equipe das Rondas com Motocicletas (Rocam), composta pelos quatro PMs denunciados, perseguia suspeitos de tráfico. Os supostos traficantes teriam se escondido em uma casa na Rua Rudolf Lotze.
A versão policial inicial alegava confronto armado, mas a análise das câmeras corporais revelou que Igor já estava rendido, afastando a hipótese de legítima defesa — alegada pelos PMs. Igor foi encontrado morto no local, com dois disparos no tórax e um no pescoço.
Na gravação, obtida pelo Metrópoles, é possível ver a ação de três militares em um quarto onde estavam três dos quatro jovens, entre eles Igor Oliveira.
Igor e os dois jovens estavam rendidos por um policial quando outro agente dispara duas vezes. Os jovens se abaixam. Em seguida, o policial cuja câmera corporal gravava a ação aponta a arma para Oliveira e pergunta: “Tem passagem?”. O jovem responde: “Não, senhor”. “Então, levanta”, diz o militar. Nesse momento, ele atira na cabeça do jovem, e outro policial atira contra ele, em seguida.
Após um barulho da câmera corporal do policial, ele diz “As COP, as COP”, e vira-se para outra direção. “As COP, as COP”, responde outro militar, referindo-se às câmeras operacionais portáteis (COP). Com o dispositivo virado para uma janela, é possível ouvir ainda mais dois disparos de arma de fogo.
Veja:
PM mudou versão
Inicialmente, a PM afirmou que agentes realizavam patrulhamento pela região quando receberam uma denúncia sobre indivíduos que estariam armados com fuzis na região.
Segundo a corporação, ao chegar no local, os policiais perceberam uma “correria” e uma tentativa de fuga por parte de quatro suspeitos. Os supostos criminosos entraram em uma residência da região.
Um suspeito foi baleado e morreu no local. Os outros três foram presos. Armas de fogo, munições, entorpecentes e anotações do tráfico foram apreendidos.
Mais tarde, a polícia informou que a operação no local foi montada para averiguar a existência de uma casa-bomba na região. O endereço, contudo, não foi localizado.






